O que é o rehab da corrupção adotado na Espanha

Programa para criminosos do colarinho branco está em vigor em nove presídios do país europeu

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Corrupção não se combate apenas com prisão, mas também com reabilitação. A aposta é do governo central da Espanha.

Criada pelo psiquiatra Sergio Ruiz, de Sevilha, uma espécie de rehab da corrupção” é feita com funcionários públicos condenados e presos por crimes do colarinho branco. Acompanhados por psiquiatras, eles participam de reuniões para trabalhar temas como “recursos pessoais” e “valores”.

Apesar de não haver redução na pena para quem participa das reuniões, o programa conta como um aspecto positivo a ser avaliado pelo juiz na hora de pedir liberdade condicional.

Segundo reportagem do jornal The New York Times, um dos participantes do programa é Carlos Albuquerque, de 75 anos. Até 2015, ele era tabelião. Atualmente, cumpre pena na penitenciária de Córdoba por roubar 400 mil quando redigia contratos e escrituras.

Albuquerque admitiu o crime e já tentou devolver parte da quantia roubada. “É preciso assumir responsabilidade por suas ações”, afirmou ao jornal americano.

Segundo Ruiz, trata-se de uma chance dos participantes enxergarem seus erros. Antes da criação do programa, o psiquiatra fez uma longa pesquisa e detectou características como narcisismo e egocentrismo nessas pessoas.

“Nós considerávamos essas pessoas impiedosas, mas não é nada disso. Eles têm os mesmos valores de qualquer cidadão comum”

Sergio Ruiz

psiquiatra e criador do programa, em entrevista ao New York Times

Em entrevista ao jornal El Periodico, Eduardo A. Fabián Caparrós, professor de direito penal da Universidade de Salamanca, defendeu o programa. Ele afirmou que há uma ideia errada de que apenas a prisão pode resolver a questão de quem comete crimes do colarinho branco.

No mapa da Transparência Internacional, a Espanha aparece em laranja, no 62º lugar, o que significa que é um país de nível médio em relação aos países em amarelo (altamente íntegros) e vermelho (altamente corruptos).

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