O projeto holandês que faz casas com impressoras 3D

Tecnologia vem sendo proposta como alternativa barata e ecológica para atender demandas habitacionais

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As paredes externas fazem curvas que se assemelham às de um grande rochedo, e linhas horizontais deixam sulcos na superfície: assim é a primeira casa construída com uma impressora 3D a receber moradores na Europa.

A construção é a primeira de cinco planejadas pelo Project Milestone, uma parceria entre a Universidade Tecnológica de Eindhoven e a empresa imobiliária Vesteda, dos Países Baixos. Os inquilinos, um casal de idosos holandeses, receberam as chaves no dia 30 de abril.

Segundo um dos organizadores do projeto, o desenho irregular da casa foi pensado intencionalmente para ilustrar o potencial da tecnologia de impressão 3D: “Por que nos esforçamos tanto para imprimir essa ‘rocha’? Porque ela mostra perfeitamente que você pode criar qualquer formato que você desejar”, disse Bas Huysman ao jornal The Guardian.

O processo funciona assim: um grande braço mecânico produz os blocos que estruturam o edifício, depositando camada sobre camada de concreto no formato determinado pela planta arquitetônica. Por isso as paredes não são lisas — os sulcos são consequência da impressão em camadas.

Além de facilitar a realização de projetos com desenhos menos tradicionais, a técnica vem sendo proposta como uma forma de cortar gastos e reduzir o impacto ambiental de construções. A impressão 3D controla e economiza o uso de concreto, material cuja produção é responsável por 4% a 8% das emissões de CO2 do planeta.

A tecnologia também diminui gastos com mão de obra e tende a agilizar o tempo de construção, já que a impressora pode ficar ligada continuamente, desde que seja abastecida com energia e concreto. Para a primeira casa do Project Milestone, os blocos estruturais foram produzidos em uma fábrica, mas os organizadores esperam que a máquina possa ser levada ao local das próximas construções, cortando despesas com transporte.

Soluções alternativas

Recentemente, outras iniciativas vêm explorando o uso dessa tecnologia como uma solução mais barata e sustentável a problemas habitacionais.

Em março de 2021, um homem em situação de rua se tornou o primeiro morador de uma casa feita com impressora 3D nos Estados Unidos. O projeto Community First Village, na cidade de Austin, construiu seis casas com preços de aluguel mais acessíveis, voltadas a pessoas desabrigadas.

A organização sem fins lucrativos New Story e a construtora Icon, responsáveis pela iniciativa em Austin, também começaram a construir em 2019 o primeiro bairro do mundo feito com uma impressora 3D. Localizado no estado de Tabasco, no México, o projeto deve substituir 50 habitações improvisadas por edifícios mais resistentes às enchentes e terremotos que costumam atingir a região.

Buscando alternativas mais ecológicas ao concreto, pesquisadores da Universidade do Texas A&M têm estudado o uso de terra como material na impressão 3D. A ideia é desenvolver uma técnica que possa ser adaptada às particularidades de diferentes regiões e climas, empregando materiais produzidos localmente.

“Nós vemos isso como uma forma de providenciar habitação digna a algumas das populações mais necessitadas do mundo”, disse o professor Sarbajit Banerjee ao jornal The Guardian.

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