O projeto do MIT que vai usar tecnologia para mapear a Rocinha

Maior comunidade do Brasil será escaneada em trabalho de instituto americano para criar um mapa digital da região

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Um projeto do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) pretende mapear todo o complexo de moradias que compõe a Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro. Com quase 26 mil domicílios, a Rocinha é considerada a maior comunidade brasileira, segundo estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgadas em 2020.

Será utilizada tecnologia 3D para escanear toda a área da comunidade, cerca de 95 hectares, e produzir um mapa digital da região. Segundo o MIT, os equipamentos são capazes de gerar 300 mil pontos de dados a cada segundo.

US$ 60 mil

é o valor máximo estimado para a finalização do mapa (pouco mais de R$ 317 mil, na cotação do dólar de 6 de maio)

Entre os dados gerados, estarão informações sobre as características e dimensões dos imóveis, a topografia e a organização espacial que começou há cerca de cem anos.

O sistema ganhou o nome de Favelas 4D e é fruto de uma parceria entre os pesquisadores do MIT Senseable City Lab, laboratório digital do Departamento de Estudos e Planejamento Urbano do instituto, e o secretário de Planejamento Urbano do Rio de Janeiro, Washington Fajardo.

Os objetivos do mapeamento

Com a tecnologia desenvolvida, os pesquisadores acreditam que a região pode receber maior visibilidade e acesso a serviços públicos.

“Com um mapa preciso da Rocinha, a cidade poderia fornecer mais facilmente acesso a serviços públicos, como água e coleta de lixo, melhorar vielas e criar praças e logradouros públicos”, descreve o documento publicado na Revista MIT Technology Review.

Dados coletados pelo mapeamento podem indicar a planejadores urbanos formas de ampliar a acessibilidade e mobilidade da área, por exemplo.

Com o projeto, haverá incentivo para a regularização fundiária, com registro das propriedades, favorecendo a compra e venda de imóveis na comunidade. Os pesquisadores acreditam que essas negociações podem ser realizadas com uso de criptomoedas, devido a baixa burocracia e valor de tributos envolvidos no sistema.

O intuito dos pesquisadores também é gerar debates acerca do futuro das cidades. De acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2015, a maior parte da população brasileira, 84,72%, vive em áreas urbanas.

“O caminho para a cidade de amanhã passa pela Rocinha. Nossas decisões nesta geração — ignorar, erradicar ou integrar — ajudarão a decidir o destino de bilhões que ainda não nasceram nos anos que virão”, diz a publicação do MIT.

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