A indecisão do Facebook sobre o que fazer com Trump

Comitê de supervisão da plataforma dá seis meses para que empresa decida sobre o futuro do ex-presidente na rede social

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O ex-presidente americano Donald Trump foi banido do Facebook (e de outras redes sociais) em janeiro, após incitar a invasão do Congresso americano por parte de seus apoiadores.

Na quarta-feira (5), o Comitê de Supervisão do Facebook – órgão criado em 2020, que atua como última instância de moderação da plataforma – emitiu um parecer sobre o banimento de Trump.

Segundo o texto, o Facebook agiu errado ao suspender o perfil do republicano por tempo indeterminado, já que essa pena não existe nos termos de uso da plataforma.

“As penalidades do Facebook determinam que o conteúdo inadequado deve ser removido; suspensão por tempo determinado ou remoção completa da página”, diz o texto. “O Comitê insiste que o Facebook precisa rever o caso e determinar uma resposta proporcional e de acordo com as regras que são aplicadas a outros usuários.”

Antes de Trump, nenhuma página ou perfil do Facebook tinha recebido uma suspensão por tempo indeterminado. Em casos onde havia violação das regras, o usuário recebia uma suspensão temporária ou então a remoção definitiva de sua conta.

O Comitê determinou que o Facebook tem seis meses para tomar uma decisão definitiva sobre o futuro de Trump na plataforma, que pode ter sua conta restaurada ou excluída para sempre. Também recomendou que a empresa forme uma equipe de especialistas em política que possa produzir relatórios de análise em possíveis casos similares no futuro, como forma de nortear as ações da rede social.

Apesar disso, o Comitê reconheceu que Trump violou as regras da plataforma e que suas publicações de fato incitaram a invasão ao Capitólio, afirmando que o Facebook agiu corretamente ao limitar o alcance das ideias do ex-presidente naquele momento.

O fato de o parecer não ter oferecido uma decisão concreta para o Facebook gerou críticas.

“O presidente Trump testou os limites do que é permitido nessas plataformas, de forma que se você não está disposto a responsabilizá-lo, você está permitindo a proliferação de desinformação e discursos de ódio online”, afirmou ao New York Times Nate Persily, professor de direito digital na Universidade de Stanford.

“Donald Trump cumpriu um grande papel na desinformação espalhada no Facebook”, escreveu no Twitter o congressista democrata Frank Pallone Jr., de New Jersey. “O comitê parece ignorar essa realidade.”

Trump fora das redes

Desde 6 de janeiro, Donald Trump está suspenso do Facebook, Instagram e Twitter, por ter violado as regras dessas plataformas e incitado a invasão ao Congresso.

Google, Apple e Amazon também tomaram frente para diminuir a presença online do ex-presidente, removendo de suas lojas virtuais a rede social Parler, que foi adotada pela extrema direita como um espaço sem qualquer tipo de moderação.

Para voltar a ter presença nas redes, Trump lançou na terça-feira (4) um site para se comunicar com seus apoiadores.

A página imita o feed do Twitter do ex-presidente, com mensagens curtas que trazem opiniões sobre a política americana. O site permite que usuários compartilhem os conteúdos de Trump nas plataformas em que ele está banido.

Além do feed, o site também vende produtos relacionados ao ex-presidente, como camisetas, bonés, canecas e capachos, todas com mensagens de apoio ao republicano.

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