A jornada de trabalho de 4 dias que será testada na Espanha

Programa do governo diminui horas trabalhadas para avaliar resultado na economia e na produtividade

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. Este conteúdo é exclusivo para nossos assinantes e está com acesso livre como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Apoie nosso jornalismo. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

O governo espanhol vai implementar um programa de redução da jornada de trabalho, sem diminuição dos salários, para testar o impacto na produtividade e na economia. O experimento, que deve iniciar em meados de setembro, vai reduzir o expediente de cinco dias para quatro, ou 32 horas semanais.

Empresas poderão se voluntariar para participar da iniciativa, que contará com aplicação de dinheiro público. Durante três anos, os valores oferecidos pelo governo vão auxiliar os empregadores no período de transição na redução de horas trabalhadas, arcando com o custo de contratação de novos trabalhadores e instalação de tecnologias.

50 milhões

de euros (cerca de R$ 326 milhões, na cotação de 4 de maio de 2021) é o valor que será aplicado pelo governo espanhol no programa

A proposta foi feita pelo partido de esquerda Más País e aceita pelo primeiro-ministro Pedro Sanchéz, em janeiro de 2021, em troca de votos favoráveis ao governo no plano de gastos para o fundo de recuperação da União Europeia.

O partido sugeriu que o programa seja acompanhado por membros do governo, sindicatos e grupos empresariais. A expectativa de Iñigo Errejón, presidente do Más País, é que cerca de 200 empresas se inscrevam voluntariamente no programa. Em entrevista à Bloomberg, ele diz que a pandemia tornou o experimento viável devido à flexibilidade que esse período trouxe para o trabalho.

“Com a jornada de quatro dias (32 horas) abrimos um autêntico debate de época. Isso sempre gera polêmica, porque abre uma brecha. Qual outra coisa mais importante a política deveria se ocupar do que o tempo de vida?”, publicou Errejón em sua conta no Twitter.

Os objetivos envolvem aumentar a produtividade, mudar o cenário de desemprego e trabalho precarizado por contratos temporários, com geração de novas vagas.

Redução da jornada pelo mundo

Embora haja algumas iniciativas parecidas ao redor do mundo, a Espanha será o primeiro país a implementar um programa nacional de redução de um dia na jornada de trabalho.

A França tem um modelo parecido com esse. Desde os anos 2000, uma medida entrou em vigor para que os franceses trabalhassem 35 horas semanais, com o objetivo de criar novos empregos. Desde então, a lei divide opiniões entre trabalhadores favoráveis e empregadores contrários ao modelo, que o consideram um empecilho para o crescimento econômico do país.

Na Alemanha, a proposta de redução é estudada pelo governo, embora já tenha sido aplicada por uma empresa de tecnologia, a Awin. Em janeiro, os funcionários foram orientados a encerrar o expediente a partir do horário de almoço nas sextas-feiras, o que gerou maior produtividade, segundo relatou à Bloomberg o CEO Adam Ross.

Na Nova Zelândia, a multinacional Unilever adotou a redução em dezembro de 2020 e pretende continuar com o teste durante um ano.

No Japão, país em que a morte por excesso de trabalho ganhou o nome de karoshi, legisladores têm discutido o tema, a fim de oferecer maior bem-estar aos cidadãos. A empresa Microsoft já testou o modelo no país, em 2019, e afirmou aumento de produtividade e diminuição das despesas fixas.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.