O jogo em que você ajuda a Maria Gotinha a vacinar contra covid

Criada por pesquisadores, iniciativa busca ensinar de forma lúdica qual a dinâmica da imunização

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Enquanto a vacinação contra a covid-19 segue em ritmo lento no país, um jogo online permite que qualquer pessoa se torne a Maria Gotinha (uma versão feminina do Zé Gotinha) e distribua vacinas para toda a população, passando por obstáculos como a circulação do vírus e de pessoas nas ruas.

Chamado de Vacc, o jogo foi criado por cientistas que fazem parte da campanha Todos Pelas Vacinas e tem o objetivo de ensinar aos usuários a dinâmica da imunização. A iniciativa mostra que, mesmo quando há vacinas disponíveis, medidas de prevenção continuam importantes para frear a circulação do vírus.

O jogo faz referência a diversos conceitos que fazem parte do noticiário da pandemia, como aglomerações, distanciamento social, máscaras, variantes do novo coronavírus e desinformação. Todos contribuem para acelerar ou atrapalhar o projeto da Maria Gotinha de vacinar a população.

A tarefa do jogador é conduzir os movimentos da Maria Gotinha, que o tempo todo segura uma seringa que dispara vacinas para as pessoas ao redor. A personagem deve sempre buscar vacinar o máximo de pessoas possível, até atingir a imunidade coletiva — que acontece quando o vírus para de circular.

Para ensinar a importância do distanciamento social, o jogo mostra, na fase 1, que, enquanto todos estão dentro de casa, é fácil para a Maria Gotinha fazer a vacinação. Na fase 2, parte da população começa a circular nas ruas, e o jogador tem dificuldade para alcançá-las e impedi-las de se infectar pelo vírus ou por suas variantes.

Quando as pessoas encostam em “fake news”, elas passam a fugir da Maria Gotinha. O oposto acontece com as máscaras: quando uma pessoa toca em uma delas, o jogador consegue alcançá-la com facilidade. Enquanto isso, o vírus e suas variantes orbitam ao redor de todos.

Embora encontre obstáculos, no Vacc o jogador também conta com duas ajudas: a da ciência, representada por um frasco de vidro, e dos insumos para vacinas, que aparecem na forma de uma seringa. Quando a Maria Gotinha os encontra, sua capacidade de imunização é ampliada.

31,8 milhões

de pessoas receberam pelo menos a primeira dose da vacina contra a covid-19 no país até domingo (2), segundo consórcio de veículos de imprensa

Em entrevista ao Jornal da USP, o idealizador do Vacc, o pesquisador Helder Nakaya, afirmou que o objetivo do jogo é trazer as pessoas para o lado da vacina. “Sempre achei que um modo de ensinar de forma divertida poderia ser através de jogos. Porque a informação de qualidade já existe na internet, o problema é fazer as pessoas acessarem”, disse.

O jogo está disponível em um site e no aplicativo Google Play. A iniciativa tem apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Vacinas da USP (Universidade de São Paulo) e da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Outro projeto

Além de ensinar sobre a covid-19, o jogo da Maria Gotinha quer levar os usuários a conhecer o projeto Levacc, que busca informatizar as cadernetas de vacinação no país. Encomendado pelo Ministério da Saúde, o programa é conduzido por pesquisadores da USP.

O projeto pede às pessoas que enviem fotos de suas cadernetas de vacinação. A iniciativa não solicita outros dados pessoais: apenas a foto, que pode ser tirada pelo celular. O objetivo é entender o grau de imunização dos brasileiros contra diversas doenças — informação que está guardada nas cadernetas.

O grupo está desenvolvendo um aplicativo em que as pessoas poderão tirar fotos de suas cadernetas e ver automaticamente os registros das doses administradas. As fotos enviadas por voluntários agora ajudarão os pesquisadores a treinar uma inteligência artificial para fazer esse trabalho.

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