Um passeio virtual educativo pelo planalto de Gizé

Portal da Universidade de Harvard traz modelos tridimensionais dos monumentos egípcios e ampla documentação histórica

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    As pirâmides e a esfinge de Gizé capturam o fascínio de turistas e estudiosos de todo o mundo, servindo como principal cartão-postal do Egito. Os monumentos representam a última das “sete maravilhas do mundo antigo” que continua de pé. Em construção desde o ano 2000, o Digital Giza Project (“Projeto Gizé Digital”, em tradução livre), site da Universidade de Harvard, nos EUA, oferece acesso gratuito a um extenso acervo documental sobre a necrópole e também tours virtuais pelo local.

    No portal, uma biblioteca digital reúne PDFs de publicações sobre a região. A seção “Giza @ School” traz textos introdutórios sobre a história do lugar, respondendo dúvidas frequentes a respeito da antiga civilização egípcia.

    Para quem busca algo mais próximo da experiência de estar lá, a área “Giza 3D” oferece tours interativas por modelos tridimensionais das pirâmides, templos e tumbas. O programa demora um pouco para carregar, mas permite que visitantes andem pelo sítio arqueológico usando as setas do teclado.

    Pequenos ícones pontuam a exploração com informações sobre detalhes do local, linkando para mais recursos — textos, fotografias, mapas. Há ainda vídeos narrados que guiam o espectador pelas construções: em um deles, uma animação da rainha Meresankh 3ª apresenta a sua própria tumba funerária.

    Qual a importância do portal

    Embora o site esteja disponível a qualquer um que se interessar, a importância do Digital Giza Project é redobrada aos estudiosos da arqueologia e da história egípcia.

    O projeto teve início no ano 2000, por iniciativa de Peter Der Manuelian, que à época era um funcionário no Museu de Belas Artes de Boston. Sua intenção original era digitalizar apenas a documentação de uma das mais importantes expedições arqueológicas à Gizé: uma parceria do museu com a Universidade de Harvard que teve início em 1905, liderada pelo egiptólogo George Reisner.

    Manuelian posteriormente expandiu o projeto, que hoje inclui também milhares de documentos, imagens, manuscritos e diários de outros arqueólogos. Em 2010, ele se tornou professor de Harvard e levou consigo o Digital Giza, que segue em constante atualização.

    Ao preservar e disponibilizar documentação que antes estava dispersa entre diferentes locais, o portal se tornou um recurso valioso a pesquisadores de todo o mundo.

    As conexões que o site apresenta entre diferentes documentos também facilitam os estudos, iluminando caminhos: “Se alguém recebe uma bolsa de estudos e decide explorar [sozinho] o acervo do Museu de Belas Artes de Boston, eu só desejo boa sorte. Tem coisa demais, a gente fica sobrecarregado. [O site] permite que façamos novas perguntas”, disse Manuelian ao site Harvard Gazette, em 2019.

    Os modelos em 3D dos monumentos de Gizé cumprem ainda outra função, dando acesso a pesquisadores que talvez não teriam a oportunidade de visitar presencialmente o sítio arqueológico.

    As simulações possibilitam ter uma visão completa das construções na forma como foram originalmente estudadas — algumas delas tiveram estátuas ou paredes inteiras removidas e levadas a museus de outros países, como o próprio Museu de Belas Artes de Boston.

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