As únicas filmagens do Titanic, agora em 4K e cores

Imagens do transatlântico foram restauradas e coloridas por inteligência artificial

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. Este conteúdo é exclusivo para nossos assinantes e está com acesso livre como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Apoie nosso jornalismo. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

As únicas filmagens existentes do Titanic foram remasterizadas e coloridas por inteligência artificial, e estão disponíveis no YouTube.

Os vídeos, curtos e sem muitos conectivos entre si, mostram os preparativos para a partida do navio, em abril de 1912. Veja abaixo:

Para remasterizar o vídeo, o programador russo Kirill Nazarov usou uma inteligência artificial chamada Gigapixel AI. Essa tecnologia de aprimoramento de imagem está presente também em televisores 4K e 8K, que contam com altíssima definição de imagem, e usam inteligência artificial para preencher os pixels que faltam em imagens que originalmente possuem resolução mais baixa.

Para que o algoritmo seja capaz de reconstruir corretamente os detalhes da imagem, o software usa redes neurais artificiais – um modelo matemático inspirado no sistema nervoso central, capaz de reconhecer padrões.

Para isso, é preciso “alimentá-lo” com exemplos do resultado correto a ser produzido: no caso, milhares de fotos em baixa e alta resolução, de forma a treinar a inteligência artificial para preencher o que falta, tornando-a capaz de transformar uma imagem de menor resolução (o “input”) numa de alta resolução (o “output”).

A jornada do Titanic

O Titanic afundou durante sua viagem inaugural, com o naufrágio ocorrendo dias depois da partida em Southampton, na Inglaterra. À época, o navio era apresentado como “inafundável” pela operadora, a empresa britânica White Star Line.

mapa-titanic

O naufrágio aconteceu após a colisão do navio com um iceberg, o que provocou rasgos na estrutura do transatlântico, permitindo que a água entrasse. Em 2015, uma foto do iceberg foi colocada a leilão, com lances entre US$ 15 mil e US$ 20 mil. A imagem foi feita por um membro da tripulação do navio alemão Prinz Adalbert, que passou pelo local no dia seguinte ao naufrágio.

Apesar de ter recebido avisos sobre a presença abundante de icebergs na região, a tripulação do Titanic não avistou o gelo. Naquela noite, o mar estava calmo e não era possível ver a água batendo na base dos icebergs da região.

O Titanic afundou cerca de três horas depois da colisão. Apenas 705 passageiros conseguiram sobreviver ao naufrágio. Ao todo, o transatlântico tinha 20 botes salva-vidas, que poderiam transportar 1.178 dos 2.224 passageiros, com cada um levando cerca de 65 pessoas. Porém, muitos deles operaram abaixo da capacidade máxima, dando preferência para o transporte dos passageiros da primeira classe.

Os sobreviventes foram resgatados na madrugada de 15 de abril de 1912 pelo navio Carpathia.

Os destroços do Titanic só foram encontrados 73 anos depois, em setembro de 1985, por meio de um submarino não tripulado.

A descoberta foi feita pelo oceanógrafo americano Robert Ballard. O pesquisador, que tinha interesse na história do transatlântico, requisitou financiamento da Marinha Americana em 1982 para o desenvolvimento da tecnologia necessária para se realizar a expedição.

A Marinha aceitou o pedido de Ballard, mas com outro fim: para que o oceanógrafo encontrasse, secretamente, os restos dos submarinos nucleares USS Thresher e USS Scorpion, desaparecidos desde a década de 1960, no auge da Guerra Fria. Após o fim bem sucedido dessa missão, o oceanógrafo pôde usar a tecnologia desenvolvida para procurar pelo transatlântico.

Em entrevista à National Geographic no ano de 2008, Ballard revelou que a Marinha não gostou de toda a publicidade em torno da descoberta do Titanic, temendo que a missão secreta da busca dos submarinos se tornasse pública. “Mas todos estavam tão focados na lenda do Titanic que nunca conectaram os pontos”, disse.

O Titanic no imaginário popular

O naufrágio do Titanic passou a povoar o imaginário popular do século 20. Por conta disso, muitas teorias da conspiração foram criadas ao redor do desastre.

Uma delas diz que o naufrágio ocorreu em razão de uma maldição envolvendo o transporte de uma múmia egípcia no compartimento de carga. Anos depois, foi provado que nenhum sarcófago foi despachado por qualquer passageiro do transatlântico.

Outra se baseia em um livro escrito em 1898 pelo autor americano Morgan Robertson. O romance é intitulado “Futilidade, ou o naufrágio de Titan”, e conta a história do transatlântico Titan, que naufraga no oceano Atlântico após colidir com um iceberg. Teóricos da conspiração passaram a ver o livro como uma espécie de profecia para o que aconteceu em 1912.

Ao longo dos anos, o Titanic apareceu de diversas maneiras na cultura popular e, principalmente, no cinema.

O filme “Saved from the Titanic” (Salva do Titanic, em tradução livre) foi escrito e estrelado por Dorothy Gibson, uma das sobreviventes do desastre, sendo lançado 29 dias depois do naufrágio.

Em 1943, Adolf Hitler e o Partido Nazista encomendaram um filme sobre a tragédia. A produção foi supervisionada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do Terceiro Reich, e contava a história de Petersen, um alemão a bordo do navio que tenta evitar a tragédia, enquanto os britânicos da White Star Line são retratados como os grandes vilões da história.

A produção mais famosa envolvendo a tragédia do Titanic foi lançada em 1997, quando o cineasta americano James Cameron produziu o filme “Titanic”, estrelado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. A trama foi inspirada por “Romeu e Julieta”, peça de William Shakespeare, e cativou a crítica e o público, levando 11 estatuetas do Oscar de 1998, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

“Titanic” é a terceira maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 2,18 bilhões arrecadados ao redor do mundo, ficando atrás apenas de “Vingadores: Ultimato” e “Avatar”.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.