Como Araraquara lida com a pandemia após o lockdown

Período de restrição máxima reduziu internações e mortes por covid-19. Cidade mantém fiscalização e criou parâmetro para retomar confinamento se situação piorar

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Araraquara, cidade do interior paulista com 240 mil habitantes, enfrentou no início de 2021 um descontrole nos casos de contaminações e mortes pela covid-19. O município, que vinha lidando bem com a pandemia, viu as estatísticas depararem com a chegada da variante P.1, identificada inicialmente em Manaus, no Amazonas.

Diante de um colapso no sistema de saúde local, o prefeito Edinho Silva (PT) decretou lockdown, tipo de isolamento social mais restritivo. A medida passou a valer em meados de fevereiro e durou até o início de março. Quem circulasse sem justificativa seria multado. Em ao menos sete dias desse período até serviços essenciais pararam. As blitz nas ruas contra aglomerações e circulação desnecessária eram constantes.

Os resultados após o confinamento

As medidas eram bem mais restritivas do que aquelas impostas pelo plano do governo estadual. Apesar de protestos de comerciantes, a estratégia deu resultado.

A redução da circulação de pessoas reduziu também a circulação do vírus. No fim de março, a queda era de 57% do número de casos na comparação com o mês anterior. A média semanal de mortes também havia sido reduzida em 39%.

Em 26 de março, quando o estado de São Paulo registrava recordes de mortes, Araraquara não registrou nenhum óbito no período de 24 horas. A cidade entrou no mês de abril registrando outros dias sem contabilizar nenhuma vítima fatal pela covid-19.

A manutenção da fiscalização pós-lockdown

A reabertura do comércio foi gradual, assim como a retomada dos serviços de transporte público e demais atividades, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo governo estadual.

A fiscalização permaneceu ativa, e a prefeitura decretou bonificação financeira para fiscais que encontrassem pessoas sem máscara, festas clandestinas ou outros desvios das medidas preventivas.

De 31 de março a 4 de abril, houve barreira sanitária para visitantes de outras cidades, que só poderiam entrar com apresentação de teste negativo para covid-19, feito em no máximo 48 horas, além de justificar o motivo da visita. Assim como ocorreu na capital paulista, houve antecipação de feriados.

Setores do comércio foram reabertos a partir de segunda-feira (19), segundo o plano estadual, mas a prefeitura estabeleceu um programa de testagem obrigatória dos funcionários. Os estabelecimentos precisam entrar em quarentena caso sejam constatados casos de covid-19.

Há previsão de novo lockdown se a contaminação atingir 30% dos exames realizados pela prefeitura durante três dias seguidos. A promessa é que alertas sejam emitidos se esse índice atingir 20% - atualmente está abaixo disso.

Embora o número de leitos ocupados ainda seja alto, mais da metade dos pacientes atendidos são de outras localidades. Dos 167 internados na segunda-feira (19), 77 eram de Araraquara e 90 de outras cidades, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

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