O livro que registra o vazio da noite de Berlim na pandemia

Obra retrata espaços e mostra a situação de profissionais dos clubes que estão sem funcionar desde março de 2020

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    A pandemia de covid-19 esvaziou as pistas de dança e deixou sem trabalho de artistas e profissionais da noite ao redor do mundo. Os impactos em Berlim, uma das capitais mundiais da música eletrônica, foram registrados no livro “Hush – Berlin Club Culture In A Time Of Silence” (Calado – A cultura de clubes de Berlim em uma época de silêncio, em tradução livre).

    A obra procura capturar esse cenário desolador ao longo de suas 360 páginas. Os autores são a fotógrafa Marie Staggat e o jornalista Timo Stein. “Os lugares mais barulhentos da cidade se tornaram naturezas mortas - praticamente da noite para o dia”, afirmou Stein ao site Quietus. “São lugares que representam tudo que parece incompatível com um vírus: dança, suor, proximidade, perda de controle”.

    A obra traz fotos de mais de 40 baladas da capital alemã tiradas entres os meses de abril e dezembro de 2020, quando seu funcionamento estava proibido por motivos sanitários. O livro também entrevista gerentes, promoters, barmen, técnicos de som e iluminação, DJs, faxineiros, seguranças, entre outros “rostos geralmente esquecidos nessa crise”.

    De acordo com os autores, muitas das pessoas entrevistadas não apenas lutam para manterem seus empregos, mas muitos também temem ficar sem ter onde morar. Ao mostrar a intimidade dos muitos personagens e destacar o aspecto físico dos espaços de dançar, muitos em prédios e estruturas da antiga Alemanha Oriental, o livro quer oferecer “perspectivas exclusivas de uma subcultura única”.

    A receita conseguida com a venda do livro será revertida para os clubes que participaram do projeto, segundo um texto de apresentação.

    Em Berlim, a cena dos clubes é vista como peça importante para o turismo e para a identidade da cidade. Um estudo calculou que, em 2018, pelo menos 3 milhões de pessoas visitaram a cidade por causa da noite e foram responsáveis por gastar cerca de 1,5 bilhão de euros.

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