Quais as prioridades de vacinação em outros países

O 'Nexo' reúne exemplos de como governos ao redor do mundo têm organizado suas filas de imunização

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Dada a escassez de vacinas contra a covid-19, campanhas de imunização precisam escolher quais grupos de pessoas receberão as doses primeiro. Globalmente, não há consenso sobre qual ordem é a mais recomendada, e nem orientação oficial da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Ao redor do mundo, cada país tem estabelecido seus próprios critérios, embora muitos deles sejam parecidos. Em 26 de fevereiro, a Universidade Johns Hopkins, nos EUA, publicou um artigo mapeando os parâmetros para a priorização de dezenas de países, e constatou que idade e profissão são os mais utilizados.

No Brasil, a situação é confusa. As orientações do Ministério da Saúde, que prevê a vacinação de profissionais de saúde, idosos e pessoas com comorbidades antes de categorias como policiais, por exemplo, não têm sido seguidas em todos os lugares. Estados e municípios têm autonomia para escolher seus próprios caminhos de vacinação.

Em São Paulo, por exemplos, policiais militares e outros agentes de segurança começaram a ser vacinados na segunda-feira (5), antes das pessoas de 60 a 67 anos. O estado também iniciou a imunização de profissionais da educação no sábado (10). Em Fortaleza, a Justiça suspendeu a vacinação de profissionais de saúde até que todos os idosos sejam imunizados. Em Manaus, adultos de 45 a 49 anos com doenças como diabetes mellitus, obesidade mórbida ou cardiopatias já podem se vacinar desde terça-feira (6), mesmo com a imunização de indígenas (um grupo de alta prioridade segundo o plano nacional) patinando no Amazonas.

As prioridades em outros países

Cada país estabelece seus próprios critérios para organizar a fila da vacina. Abaixo, o Nexo lista alguns deles.

EUA

Nos Estados Unidos, o CDC (Centro de Controle de Doença) determinou que profissionais da saúde e idosos fossem os primeiros a receber a vacina, seguidos de uma ordem decrescente de idade. País que mais vacinou no mundo, os EUA pretendem oferecer os imunizantes a todos os adultos do país – independente de idade, profissão ou grupo étnico – a partir do dia 1º de maio, com alguns estados, como Nova York, adotando a medida antes do prazo, já que têm autonomia para decidir como organizar a fila.

Reino Unido

No Reino Unido, o NHS (Sistema Nacional de Saúde) colocou todos os adultos com mais de 50 anos, trabalhadores de saúde, cuidadores de idosos e pessoas com comorbidades nos grupos de risco como prioridades na fila da vacinação, começando por elas. A expectativa do governo é vacinar todos os adultos do país até o fim de julho.

França

Na França, idosos com mais de 70 anos, pessoas com doenças crônicas, funcionários e residentes de asilos e trabalhadores da saúde foram considerados prioritários. O governo francês espera vacinar todos os adultos até o fim do verão do Hemisfério Norte, em setembro. O país, bem como boa parte da Europa continental, avança mais lentamente que o Reino Unido na imunização.

Indonésia

A Indonésia foi na contramão da maioria dos países. Lá, todos os adultos de 18 a 59 anos são considerados prioritários. A primeira fase da campanha terminará no final de abril, e, depois disso, pessoas com mais de 60 anos receberão as doses no decorrer do ano. A justificativa é de que protegendo os mais jovens, o país protege os mais velhos, que integram o grupo de risco da covid-19, e ao mesmo tempo ajuda a retomada econômica local.

África do Sul

Na África do Sul, apenas funcionários do sistema de saúde foram inclusos no grupo prioritário. A partir da metade de abril, o país começará a vacinar o restante da sociedade, começando pelos idosos com mais de 60 anos.

Argentina

Na Argentina, o governo estabeleceu que funcionários do sistema de saúde de grandes centros urbanos deveriam ser os primeiros a receber a imunização, por estarem mais expostos ao vírus. Depois, vieram profissionais da saúde de outras áreas do país e idosos, seguindo a ordem decrescente de idade.

China

A China conseguiu controlar o avanço da covid-19 ao longo de 2020. Por isso, está imunizando sua população sem pressa e concentrando esforços em administrar doses em pessoas de 18 a 59 anos, também com a lógica de que proteger os mais novos é criar uma barreira em torno dos mais velhos. O país tem se destacado na exportação de imunizantes e pretende ter 40% de sua população de 1,4 bilhão vacinada até junho.

A situação dos professores

Dada a importância de retomar aulas presenciais, especialmente com alunos mais jovens, a prioridade para a vacinação de professores é um tema que desperta discussões em várias partes do mundo.

Um levantamento feito pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) publicado em 27 de março mostrou que apenas 17 países de 150 analisados colocaram professores do ensino básico como prioridade máxima na imunização. Entre eles estão a China, a Rússia e o Vietnã.

No Brasil, trabalhadores da educação foram incluídos entre as dezenas de grupos prioritários, segundo o Ministério da Saúde. Na sequência recomendada pelo órgão, eles viriam depois da vacinação de profissionais de saúde, idosos e pessoas com comorbidades, mas antes de forças de segurança. Alguns estados devem iniciar a vacinação do grupo entre abril e maio.

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