Sem trombose, eficaz para idosos: os resultados da vacina de Oxford

Novos dados divulgados pela AstraZeneca mostram que o imunizante é seguro e que eficácia é de 79% na prevenção de casos sintomáticos

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A vacina de Oxford, produzida pelo laboratório anglo-sueco AstraZeneca, mostrou 79% de efetividade na prevenção de casos sintomáticos da covid-19 e 100% de eficácia na prevenção de quadros graves da doença, que levam à hospitalização.

Entre os maiores de 65 anos, a eficácia foi superior a 80%. Não houve nenhuma detecção de aumento de risco de trombose, o que afasta temores levantados por agências reguladoras de alguns países europeus, e confirma a segurança e eficácia desta vacina no combate à pandemia.

As conclusões fazem parte de um experimento realizado com 32.449 participantes dos EUA, do Chile e do Peru. A própria AstraZeneca conduziu os testes, em parceria com a Universidade de Oxford e com um grupo de instituições públicas da área da saúde nos EUA. Os resultados foram publicados nesta segunda-feira (22).

“Esses resultados vêm se somar ao grande corpo de evidências que demonstram que a vacina é bem tolerada e altamente eficaz contra a covid-19 e em todos os grupos etários. Estamos certos de que ela pode desempenhar um papel importante na proteção de milhões de pessoas do mundo todo contra esse vírus letal”, disse Mene Pangalos, um dos especialistas envolvidos no experimento, do BioPharmaceuticals R&D.

Reforço nos argumentos

A vacina da Universidade de Oxford, produzida pela AstraZeneca, já havia demonstrado segurança e eficácia em experimentos anteriores, mas produziu dados insuficientes entre os maiores de 55 anos. Houve também inconsistências metodológicas nos primeiros resultados divulgados, em novembro de 2020. Foi anunciado, à época, que a eficácia média da vacina era 70%.

Mesmo com essas lacunas, a vacina de Oxford passou pelo crivo de autoridades sanitárias de quase 80 países e foi incluída pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no leque de vacinas distribuídas a 165 países do mundo pelo consórcio chamado Covax Facilty. Sua aplicação foi recomendada tanto em adultos quanto em idosos.

Em fevereiro, entretanto, alguns países europeus impuseram restrições à vacina de Oxford depois da incidência pontual de casos de trombose e embolia em adultos com até 55 anos. Também havia dúvidas quanto a sua eficácia em idosos.

O laboratório decidiu então reforçar os estudos, incluindo um número maior de pessoas com mais de 65 anos nos experimentos – 20% dos pacientes que participaram desse estudo mais recente tinham mais de 65 anos. Os resultados publicados nesta segunda-feira (22) devem resolver finalmente esse impasse, dado que não houve detecção de problemas de saúde com os pacientes vacinados nessa faixa etária, e o índice de eficácia entre os maiores de 65 anos foi de 80%.

Ainda antes da publicação desse estudo, parte dos países europeus que tinham proibido seu uso, voltaram atrás. Porém, a França decidiu manter um veto parcial, recomendando sua aplicação apenas aos maiores de 65 anos, e a Finlândia recusou-se a voltar a aplicá-la em toda a população.

O estudo diz especificamente que não detectou “nenhum risco adicional de trombose ou eventos caracterizados por trombose entre os 21.583 participantes que receberam pelo menos uma dose da vacina”.

Como foi feito o experimento

A experiência foi feita dividindo o grupo de 32.449 – um terço deles recebeu placebo, enquanto dois terços realmente foram vacinados. Do total, 141 pessoas desenvolveram a doença, com sintomas.

Nesse tipo de experimento, os pacientes e os médicos não sabem inicialmente quem recebeu placebo e quem recebeu a vacina de verdade. A informação é revelada depois, para que se verifique a resposta imunológica e a possibilidade de eventos adversos.

A vacina mostrou-se efetiva e segura em todos os casos de pessoas contaminadas e vacinadas. O medicamento impediu que elas desenvolvessem formas graves da doença, assim como impediu também casos de internação.

No teste, a vacina foi aplicada em duas doses, com um intervalo de quatro semanas entre uma e outra. Testes anteriores com essa mesma vacina mostraram, no entanto, que a eficácia pode ser ainda maior com o espaçamento de 12 semanas entre a primeira e a segunda dose.

Interesse no mercado americano

Os fabricantes da vacina de Oxford pretendem submeter dentro de algumas semanas um pedido definitivo de autorização ao FDA, órgão do governo americano que é responsável pela regulamentação de drogas e alimentos no país.

O jornal americano The New York Times diz que uma autorização para o uso da vacina de Oxford nos EUA não deve sair antes de maio, o que pode ser tarde demais, pois as vacinas de outros laboratórios já terão coberto toda a população local, de acordo com os planos das autoridades sanitárias. Nesse caso, países que pedem a doação de excedentes dos EUA, incluindo o Brasil, podem vir a ser beneficiados.

O maior benefício de uma aprovação na FDA americana, para a AstraZeneca, seria de robustecer suas credenciais como um laboratório confiável, o que aumentaria a aceitação à vacina de Oxford em outros países.

Estudos preliminares feitos no Brasil demonstraram que a vacina de Oxford é efetiva contra a variante encontrada em Manaus. O Ministério da Saúde espera receber 8 milhões de doses dessa vacina até o fim de julho, mas admite o risco de atrasos no cronograma.

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