Como são os testes de vacinas contra a covid-19 em crianças

Farmacêutica Moderna começou a realizar ensaios clínicos para monitorar a reação dos mais jovens, incluindo bebês, ao imunizante 

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. Este conteúdo é exclusivo para nossos assinantes e está com acesso livre como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Apoie nosso jornalismo. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

A farmacêutica Moderna anunciou na terça-feira (16) o início dos testes da sua vacina contra a covid-19 em bebês e crianças. A empresa americana é um dos poucos laboratórios que já começaram a verificar o resultado de imunizantes no público mais jovem.

O estudo da Moderna será o primeiro a ser realizado em crianças pequenas. Os testes estão sendo feitos nos EUA e no Canadá em 6.750 bebês e crianças saudáveis que têm entre 6 meses e menos de 12 anos. Atualmente, a vacina da Moderna está autorizada para ser aplicada apenas em pessoas maiores de 18 anos.

Com início em março de 2020, os primeiros testes clínicos que verificaram a segurança e a eficácia dos imunizantes contra a covid-19 foram voltados a maiores de 18 anos porque o vírus atingiu os adultos de forma mais grave, especialmente idosos e pessoas com comorbidades. Ainda não há previsão para que crianças e adolescentes sejam vacinados contra o novo coronavírus em nenhum lugar do mundo.

Como é a pesquisa

No estudo da Moderna, chamado de KidCove, serão aplicadas duas injeções, com intervalo de 28 dias, em cada criança. A pesquisa será dividida em duas partes. Na primeira, crianças de 2 anos a menos de 12 anos podem receber duas doses de 50 ou 100 microgramas cada ou de um placebo salino. Já os menores de 2 anos podem receber duas injeções de 25, 50 ou 100 microgramas ou o placebo. Atualmente, a dose aplicada em adultos é de 100 microgramas.

As primeiras crianças vacinadas de cada grupo receberão as doses mais baixas e suas reações serão monitoradas antes que os próximos participantes recebam doses mais altas.

Depois disso, os pesquisadores vão analisar os resultados para determinar, por faixa etária, qual dose é mais segura e com mais chances de proteger contra o vírus. Com doses selecionadas a partir da análise, a segunda parte da pesquisa vai aplicar as vacinas nas outras crianças.

A previsão é que o estudo dure cerca de 14 meses. As crianças serão monitoradas por meio de ligações, consultas virtuais e cerca de sete visitas ao local do estudo, sempre acompanhadas pelos pais. Além disso, os pais deverão usar um aplicativo que funciona como uma espécie de diário para relatar a saúde dos filhos. Efeitos colaterais do imunizante, como febre e dores nas articulações, podem ser mais fortes em crianças.

Um outro estudo da mesma empresa testa 3.000 crianças com idades entre 12 e 17 anos. Os resultados dessa pesquisa podem ser divulgados a partir de junho. Se a análise for positiva, o imunizante não fica imediatamente disponível. O uso da vacina em crianças ainda precisa ser autorizado por agências sanitárias.

Outros estudos

A vacina desenvolvida pela Pfizer com a BioNTech também está sendo testada entre os mais jovens, mas apenas em adolescentes de 12 a 15 anos. As empresas afirmaram que o próximo passo é estudar a reação de crianças ao imunizante. Nos EUA, a vacina pode ser aplicada em pessoas com 16 anos ou mais.

Em fevereiro, a farmacêutica AstraZeneca, que desenvolveu uma vacina em parceria com a Universidade de Oxford, anunciou o início dos testes do seu imunizante na Grã-Bretanha em crianças com 6 anos ou mais.

Já a americana Johnson & Johnson afirmou que vai testar sua vacina primeiro em jovens de 12 a 18 anos e depois realizar um estudo que inclui recém-nascidos e crianças. Depois disso, a empresa pretende testar sua vacina em mulheres grávidas e em pessoas imunossuprimidas, que também não fizeram parte dos ensaios iniciais.

No Brasil

Entre maio e junho, crianças brasileiras que têm entre 5 e 11 anos farão parte dos testes realizados pela Pfizer e pela BioNtech. Na segunda-feira (15), o Ministério da Saúde anunciou ter assinado contrato com a Pfizer para a compra de 100 milhões de doses da vacina, que devem chegar ao país até setembro.

Já a compra da vacina da americana Moderna ainda não foi finalizada. A previsão é que a farmacêutica entregue 13 milhões de doses no segundo semestre. Segundo o ex-ministro Eduardo Pazuello, as negociações com a empresa para diminuir o custo alto do imunizante continuam.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.