Quem é o DJ brasileiro que teve seu remix tocado no Grammy

Com 22 anos, Pedro Sampaio teve trecho usado por Cardi B em sua execução da música ‘WAP’ durante a premiação

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    Um remix do DJ brasileiro Pedro Sampaio para a rapper americana Cardi B foi executado no palco da premiação da 63ª edição do Grammy, no domingo (14). Durante sua apresentação na cerimônia, Cardi B tocou seu hit “WAP”, que tem participação da rapper Megan Thee Stallion. Quase no final do número, entram batidas de funk e a frase “fica de quatro”, que fazem parte do remix de Sampaio para a música.

    A inclusão do trecho foi uma surpresa, inclusive para o DJ, segundo ele afirmou. Antes da premiação, a rapper havia soltado uma mensagem no Twitter dizendo “o que vou trazer hoje”, ao lado de uma bandeira do Brasil. Depois da apresentação, Cardi B postou "Obrigada, Pedro Sampaio. Eu simplesmente tive que fazer isso."

    Sampaio é carioca e toca como DJ desde os 14 anos (ele atualmente tem 22). Em anos recentes, suas produções e parcerias lhe trouxeram reconhecimento no meio. O artista já trabalhou com Dennis DJ e a cantora Lexa, sucessos do funk. Em março de 2020, no início da pandemia, Sampaio gravou um remix para “Lavar as mãos”, de Arnaldo Antunes.

    No Carnaval de 2020, ele foi autor de um dos sucessos da festa. Na música “Sentadão”, gravada em parceria com os artistas pernambucanos Felipe Original e JS O Mão de Ouro, Sampaio se aventurou pelo brega-funk, ramificação do funk nascida nas periferias de Recife e Olinda.

    “Os ritmos urbanos que nascem nas periferias, nas ruas, do povo, têm essa evolução constante, essa envolvência. São apaixonantes. O brega-funk parece muito com o reggaeton, mas é brasileiro, tem o calor do interior do Brasil. É tudo que eu precisava ouvir”, afirmou ao G1, na época.

    Seu remix para Cardi B foi feito extraoficialmente, uma prática comum em gêneros como funk, hip hop e música eletrônica. Sampaio aproveitou a aparição no Grammy para oferecer seus serviços para a rapper americana. Em outro tuíte, Cardi B afirmou que “se apaixonou pelo funk” ao ouvir “Onda diferente”, de Anitta e Ludmilla.

    Projeção global do funk

    O estilo nascido nas favelas cariocas começou a ser notado fora do país na década de 2000. O DJ e produtor americano Diplo foi um dos primeiros estrangeiros a divulgar o funk no exterior, por meio do documentário “Favela on Blast”, em 2006. Na mesma época, o sucesso “Bucky Done Gun”, da cantora anglo-cingalesa M.I.A. (e então namorada de Diplo, coautor da faixa), sampleou a música “Injeção”, de Deise Tigrona.

    Na década seguinte, a cantora Anitta se projetou fora do país por meio de diversas parcerias com artistas de vários países, como o cantor colombiano J. Balwin, a rapper australiana Iggy Azalea e a veterana do pop Madonna, em seu álbum “Madame X”, de 2019.

    O produtor Rick Bonadio, conhecido nos anos 1990 e 2000 por produzir artistas como Mamonas Assassinas e NX Zero, reclamou da inclusão do remix brasileiro na apresentação de Cardi B. “Precisamos exportar música boa e não esse ‘fica de quatro!’”, escreveu no Twitter. O hit “WAP”, no qual o trecho do DJ brasileiro foi incluído, fala sobre lubrificação vaginal e descreve posições sexuais.

    A declaração repercutiu mal, levando o produtor a apagar o tuíte e pedir desculpas. No entanto, declarou: “Meu papel é criticar e forçar a evolução”. Foi rebatido por Anitta, que disse que Bonadio está “há mais de 30 anos no seu estúdio e não conseguiu exportar um ritmo do Brasil”.

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