A venda de supostas vacinas contra a covid na darknet

Relatório da empresa de segurança digital Kaspersky identificou o comércio de imunizantes em 15 países

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Supostas vacinas contra a covid-19 estão sendo comercializadas ilegalmente na darknet, de acordo com relatório publicado na quinta-feira (4) pela empresa de segurança digital Kaspersky.

A darknet é a parte mais escondida da deep web, área da internet que exige métodos e técnicas bastante específicas para ser acessada, já que não está indexada em buscadores como o Google, por exemplo.

Segundo o relatório, a venda acontece em 15 países, com a maior parte das transações acontecendo na França, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha.

Nesses fóruns, os vendedores anunciam doses de três das principais vacinas contra o novo coronavírus: a da farmacêutica americana Pfizer, a da Universidade de Oxford em parceria com a empresa anglo-sueca AstraZeneca e a da startup americana Moderna. Os preços variam de US$ 250 a US$ 1.200, com o pagamento sendo feito por criptomoedas – em especial o bitcoin – que são irrastreáveis.

Com as poucas informações disponíveis nos fóruns, não é possível determinar se as vacinas de fato são reais – e foram desviadas em alguma etapa do processo de distribuição –, se são frascos com outras substâncias ou se sequer algum produto é enviado para os compradores.

Em todos os países nos quais a venda ocorre, a compra de vacinas contra a covid-19 é ilegal. Os imunizantes, escassos no mundo todo, estão, até o momento, sendo distribuídos pelo poder público.

No Brasil, o Senado está analisando dois projetos de leis que criminalizam quem, de alguma forma, furar a fila da vacinação. A pena proposta é de um a cinco anos de prisão e multa.

Em 24 de fevereiro, o Supremo autorizou que empresas privadas comprem vacinas, desde que doem 100% delas ao SUS enquanto grupos prioritários estiverem sendo imunizados. Passada essa fase, tais instituições devem doar 50% das doses ao Sistema Único de Saúde. Um projeto sobre o tema foi aprovado na Câmara na terça-feira (2) e aguarda sanção.

Cartões de vacinação falsos

Usuários da darknet também estão vendo cartões de vacinação falsos, que são impressos com os dados do comprador e que afirmam que tal indivíduo já foi imunizado.

Segundo a Kaspersky, os cartões servem para quem tenta burlar medidas de distanciamento e isolamento social para realizar viagens e comparecer em eventos e locais que exigem a comprovação da imunização.

Os preços variam entre US$ 20 e US$ 70, com as transações também sendo realizadas com criptomoedas.

Outros comércios na darknet

Há uma miríade de bens e serviços que são vendidos na darknet. Na deep web como um todo, o anonimato é regra. Na darknet, a ideia é ainda mais reforçada.

Há fóruns com usuários vendendo itens como drogas ilícitas, pornografia infantil, armas e dados sensíveis de governos e empresas. Serviços como assassinato sob encomenda também podem ser achados nessa área obscura da internet.

A darknet usa protocolos complexos de privacidade e de manutenção do anonimato, fazendo com que rastrear esses criminosos seja uma tarefa praticamente impossível.

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