O início da distribuição de vacinas pela coalizão da OMS

Batizada de Covax Facility, iniciativa reúne cientistas, farmacêuticas e mais de 140 países para desenvolvimento e distribuição de imunizantes pelo mundo

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Gana recebeu na quarta-feira (24) 600 mil doses da vacina Oxford/AstraZeneca, naquela que foi a primeira entrega da Covax Facility, coalizão liderada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que pretende distribuir imunizantes contra a covid-19 pelo mundo. Nesta sexta-feira (26), é a vez de Costa do Marfim, outro país africano, receber remessas.

A Covax Facility faz parte da Colaboração Global para Acelerar o Desenvolvimento, lançada em 24 de abril de 2020, um mês e meio após a OMS decretar estado de pandemia. Esse consórcio reúne cientistas, fabricantes, governos, setor privado e organizações para tentar garantir a vacinação contra a covid-19, sobretudo aos territórios mais pobres que não têm recursos para obter os imunizantes.

O projeto é coordenado pela OMS e conta ainda com a organização internacional Gavi, a Aliança Global para Vacinas e Imunização e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias. Além dessas entidades, a responsável pela distribuição nos países com menos recursos é o Unicef, fundo das Nações Unidas para a infância, em parceria com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

O número de doses em jogo

A coalização reúne 145 países, entre eles o Brasil, que ajudam a custear a iniciativa de desenvolver e distribuir vacinas pelo mundo, especialmente a regiões mais pobres. Esses países dispõe de uma linha de financiamento especial para ter acesso às doses.

A Covax Facility fez uma parceria com as farmacêuticas Johnson & Johnson, Oxford/AstraZenca/, Pfizer/BioNTech, Novavax, e acordos com institutos, como o Serum, na Índia. Esse compromisso garante a compra de cerca de 2,2 bilhões de imunizantes contra a covid-19 até o fim de 2021.

O número fica aquém da necessidade dos países e revela desigualdades. Gana, por exemplo, recebeu 600 mil doses para uma população de 30 milhões de habitantes. O Canadá, por sua vez, tem vacinas encomendadas suficientes para imunizar cada um de seus cidadãos cinco vezes.

O Brasil irá receber 1,6 milhão de doses de vacina no primeiro trimestre de 2021, 6 milhões no segundo e, por fim, 3 milhões, totalizando 10,6 milhões de imunizantes em 2021. A iniciativa vai funcionar de forma complementar às compras feitas pelo Ministério da Saúde, que até o fim de fevereiro de 2021 tinha vacinado apenas 3% de sua população.

O problema de financiamento

O consórcio da OMS vem enfrentando enfrenta dificuldades, pois além da falta de recursos, há um atraso na produção e países que também fizeram acordos com as farmacêuticas participantes do projeto. De acordo com a OMS, a Covax ainda precisaria de quase US$ 7 bilhões para atingir suas metas.

A divisão desse valor seria: US$ 800 milhões para pesquisa e desenvolvimento de outros imunizantes; cerca de US$ 6 bilhões para financiar a compra das vacinas para os países que não têm recursos financeiros; US$ 1,4 bilhão para a distribuição.

Segundo a organização Gavi, que integra a coalizção, a prioridade é dada a países que ainda não têm um programa de vacinação. A OMS ressalta que a distribuição depende também da organização e logística de cada país e dos prazos definidos pelas farmacêuticas.

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