De museu a mercado: quais os graus de segurança sanitária

Pesquisa alemã compara risco de contaminação por aerossóis em espaços públicos com atividades internas

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    Uma pesquisa realizada pelo Instituto Hermann-Rietschel, da Universidade Técnica de Berlim (Alemanha), revela que o risco de transmissão do novo coronavírus em museus e teatros é significativamente menor do que o de outros espaços públicos fechados, como mercados, restaurantes e academias.

    O estudo de Martin Kriegel, doutor em imunobiologia, professor de Yale e diretor do instituto, e da engenheira Anne Hartmann, quantificou e comparou o risco de infecção pelo novo coronavírus por meio de partículas de aerossol (microgotículas suspensas no ar) em ambientes internos com circulação de pessoas.

    A pesquisa foi realizada levando em consideração que a inalação de partículas de aerossol em espaços fechados depende de fatores como:

    • qualidade do fluxo de ar
    • tipo de atividade realizada no espaço
    • duração da exposição (tempo médio de permanência em um determinado espaço)

    Assim, o estudo foi desenvolvido para situações envolvendo um grupo de pessoas em espaços que respeitam as recomendações oficiais de segurança sanitária. Cada ambiente recebeu ao final do estudo um valor de referência, chamado de R, indicando a média do número de pessoas que um portador de covid-19 pode infectar.

    Museus e teatros receberam a melhor pontuação, um R de 0,5 (o menor de uma escala que vai até 11,5), se revelando mais seguros do que todas as outras atividades estudadas, mas apenas se eles tiverem 30% de sua capacidade e se todas as pessoas dentro do espaço estiverem usando máscaras.

    De acordo com o estudo, o risco de contaminação por aerossóis nesses lugares é mais de duas vezes inferior ao de comer em um restaurante que mantém 25% da lotação ou se exercitar em uma academia com 30% da capacidade.

    O estudo não analisou salões de beleza e supermercados por taxa de ocupação porque esses espaços não costumam limitar o número de pessoas.

    RISCO POR AMBIENTE

    Como estão os espaços culturais

    Muitos museus e teatros foram fechados no Brasil desde o início da pandemia, outros resistem apesar da crise. Alguns, como o MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro, conseguem sobreviver após leiloar suas obras-primas, justamente as que atraiam o público.

    Em São Paulo, os museus e teatros ficaram fechados por cerca de sete meses e reabriram em outubro de 2020. A maioria das instituições tem público limitado a 60% da capacidade e exige agendamento das visitas, o que pode ser feito pela internet. Shoppings, restaurantes e salões de beleza receberam permissão para reabrir em junho de 2020.

    Todos esses espaços continuam funcionando apesar de, na terça-feira (23), a situação ter sido considerada crítica no Brasil. Mais de 80% dos leitos de internação para casos graves estão em uso em 12 estados e no Distrito Federal.

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