Para onde apontam os dados iniciais da vacinação em Israel

Quase metade da população já havia recebido a contra a covid-19 no início da última semana de dezembro. País do Oriente Médio é considerado exemplo

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Cerca de 45% da população de Israel já havia recebido a vacina contra a covid-19 até segunda-feira (25). O país do Oriente Médio, considerado um exemplo na vacinação, tinha administrado 3,88 milhões de doses do imunizante desenvolvido pela farmacêutica americana Pfizer, segundo dados do Ministério da Saúde israelense.

2,5 milhões

é o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina em Israel

1,3 milhões

é o número de pessoas que já receberam as duas doses da vacina

Em 35 dias, Israel conseguiu proteger mais de 80% de seus idosos e outros membros de grupos de risco, e agora aposta nos mais jovens para aumentar a cobertura da vacina. Desde sábado, adolescentes de 16 a 18 anos passaram a receber o imunizante.

Não só na rapidez da administração das doses que Israel tem se destacado. Dados preliminares dos dois principais planos de saúde públicos do país mostram que a imunização está surtindo efeito e que é o caminho certo para conter a pandemia do novo coronavírus.

Menos infecções

O Clalit é o principal plano de saúde público de Israel, sendo usado por mais da metade da população. Um relatório divulgado pela estatal na sexta-feira (22) comparou 200 mil vacinados com mais de 60 anos com 200 mil pessoas de mais de 60 anos não vacinadas. Pesquisadores do Clalit acompanharam essas pessoas por 18 dias e realizaram nelas testes de detecção do vírus.

A conclusão foi a de que, comparando os dois grupos, houve 33% menos infectados no grupo vacinado. Apenas sintomas leves foram notados no grupo que estava vacinado e ainda sim se contaminou. “Estamos otimistas”, escreveu no Twitter Ran Balicer, diretor do Clalit, reforçando que a pandemia ainda não acabou, mas que se trata de um bom e importante primeiro passo.

Um outro relatório foi divulgado na sexta-feira (22), de autoria do plano de saúde Maccabi, o segundo maior do país. Os pesquisadores acompanharam os primeiros 430 mil israelenses de mais de 60 anos que receberam a vacina e notou que houve 60% menos infectados nesse grupo, em comparação com um grupo de não vacinados – cujo tamanho e faixa de idade ainda não foram divulgados. Os 40% que se infectaram apresentaram apenas sintomas leves.

Na segunda-feira (25), um novo relatório do Maccabi foi divulgado, agora analisando 428 mil pessoas que já tinham tomado a segunda dose da vacina. Dessas, apenas 63 (0,014%) foram contaminadas, e nenhum apresentou sintomas.

Os três relatórios ainda trazem dados preliminares, que serão expandidos, revistos e publicados em revistas científicas, porém, já apresentam informações suficientes que apontam que a vacinação contra a covid-19 é segura e eficaz, capaz de frear o avanço da doença e reduzir o número de mortes.

Tanto a covid-19, quanto a vacinação, ainda são muito recentes, e são necessários estudos de médio e longo prazo para entender mais profundamente todas as dinâmicas individuais e coletivas após a imunização.

Ainda há dúvidas pairando no ar, que precisam de uma análise mais meticulosa. A principal delas é se imunizados ainda conseguem transmitir o vírus para aqueles que não foram vacinados. Por isso, mesmo em Israel, onde cerca de metade da população já recebeu alguma dose da vacina, ainda são mantidas medidas de distanciamento social e a obrigatoriedade do uso de máscaras.

Vacinação: responsabilidade coletiva

“A vacina não é uma ferramenta individual: eu me vacino, eu me protejo. É uma responsabilidade coletiva”, disse ao Nexo, em outubro de 2020, Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Não existe vacina 100% eficaz: existe a chance de uma pessoa se vacinar e não ficar protegida contra o vírus. Se uma vacina tem 95% de eficácia, significa que 5% da população não obtém a imunidade contra a doença.

Ainda assim, mesmo os desprotegidos estão seguros, por não encontrar quem passe a doença para eles. A circulação do vírus se interrompe e, por isso, uma ampla cobertura gera imunidade coletiva. Por isso a importância de grande parte da população ser imunizada.

Em alguns casos, vacinar um grupo específico pode evitar que a doença se espalhe para os demais. O Japão, por exemplo, segundo Ballalai, não vacinou os idosos para a gripe comum, mas todas as crianças e adolescentes, de zero a 19 anos.

“Com isso, o país conseguiu reduzir a gripe em idosos mais do que vacinando eles, porque a criança transmite a influenza. O Brasil e o resto todo do mundo adotaram vacinar o grupo de risco, que são aqueles que mais morrem, porque têm uma questão de números [limitados] de doses disponíveis”, afirmou.

Para que os efeitos da vacina sejam sentidos pelo coletivo, uma adesão massiva do imunizante é necessária.

Para determinar qual a capacidade de um imunizante de proteger as pessoas de uma doença, os pesquisadores dividem os voluntários em dois grupos. Um deles recebe a vacina experimental e o outro um placebo (substância sem efeito). Nem os pesquisadores nem os voluntários sabem o que está sendo aplicado em cada grupo, formado de maneira aleatória. Quando um número significativo já se contaminou, os pesquisadores comparam quantos ficaram doentes em cada grupo.

Quanto maior a quantidade de infectados no grupo placebo, maior a eficácia da vacina. No caso da Coronavac, a taxa de eficácia é calculada usando um modelo estatístico que considera, além da proporção dos doentes em cada grupo, o tempo de exposição ao risco de cada participante até ele ser infectado.

Quanto menor a eficácia de uma vacina (o mínimo aceitável para sua aprovação pela Organização Mundial de Saúde e pela maioria das agências reguladoras internacionais é de 50%), mais pessoas precisam ser vacinadas para que se alcance a imunidade coletiva, situação em que todos ficam protegidos.

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