O site que reúne manuscritos de Charles Bukowski

Iniciativa criada em 1996 possibilita a interação de fãs do escritor e disponibiliza gratuitamente mais de 1.700 poemas, cartas e postais de sua autoria

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    O maior acervo sobre a vida e o trabalho de Charles Bukowski (1920-1994) pode ser acessado gratuitamente na internet. Trata-se do site Bukowski.net, idealizado e mantido por fãs do escritor, que desde de 1996 vem organizando um banco de dados que conta com mais de 20 mil itens.

    Dentre eles estão cerca de 1.700 manuscritos e datiloscritos de poemas, contos, cartas e postais escritos por Bukowski. O conteúdo, em inglês, está organizado por ano de publicação e alguns desses itens nunca foram publicados. Ao selecionar um manuscrito, o usuário é direcionado para uma página em que pode consultá-lo em alta definição e que contém algumas informações bibliográficas adicionais.

    No site, os responsáveis pelo acervo informam que a iniciativa surgiu após a editora que detém os direitos sobre a obra do autor publicar coleções póstumas de poesias de Bukowski que, segundo eles, “sofrem de adulterações abrangentes e inexplicáveis”. O acesso aos manuscritos originais seria, portanto, uma forma de reparar os danos que essas coleções causam aos leitores do autor. “Um dia esperamos poder dizer que a dizimação de quase metade da poesia publicada de Bukowski foi revertida, remediada e reparada”, afirmam.

    Com o tempo, outros itens foram adicionados ao site, como uma linha do tempo ilustrada da vida do autor, mais de uma centena de pinturas e desenhos feitas por ele, um mapa interativo que reúne todos os endereços em que habitou e trabalhou e até mesmo um dossiê do FBI aberto após o órgão considerar subversivo um texto de sua autoria publicado em um jornal de Los Angeles.

    Após praticamente 25 anos no ar, o site também se tornou uma comunidade para os fãs de Bukowski. Nele, há um fórum em que mais de 6,6 mil membros interagem e discutem aspectos da vida e da obra do autor.

    Quem foi Charles Bukowski

    Nascido na Alemanha em 1920, Bukowski mudou-se com os pais para os Estados Unidos quando tinha dois anos e estabeleceu-se na Califórnia, onde viveu grande parte de sua vida. Em meados dos anos 1960, após quatorze anos trabalhando para os correios, o escritor começou a conquistar sucesso comercial.

    Apesar de conhecido por romances como “Cartas na Rua” (1971), “Factótum” (1975), “Mulheres” (1978) e “Misto Quente” (1982), a maior parte da produção literária de Bukowski é composta de poemas e contos – mais de 5.300, segundo o site Bukowski.net.

    A maioria dos seus escritos são relatos autobiográficos, marcados por andanças, subempregos e alcoolismo. Sem pretensões de se tornar um intelectual e integrar círculos literários, Bukowski é uma figura controversa: ora gênio comparado à Ernest Hemingway e Louis-Ferdinand Céline, ora desprezado pela misoginia presente em sua obra.

    O proprietário da editora L&PM, responsável pela publicação de mais de 20 livros do autor no Brasil, Ivan Pinheiro, disse ao portal Uol que apesar da personalidade e atitudes questionáveis, Bukowski é um autor singular que deve ser celebrado. “[Ele] tem um mérito como artista que é não ter se enquadrado artisticamente em algum gênero. Ele não é beatnik, muito menos gonzo; ele é um outsider com um espaço garantido dentro da literatura moderna. Não tem ninguém parecido com ele", afirmou.

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