A morte do prefeito de Goiânia 83 dias após ser internado com covid

Maguito Vilela estava licenciado do cargo e morreu em decorrência de complicações causadas pela doença. Ele tinha 71 anos

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O prefeito licenciado de Goiânia, Maguito Vilela (MDB), morreu na madrugada desta quarta-feira (13), após 83 dias internado em decorrência da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Ele tinha 71 anos e estava sendo tratado no hospital Albert Einstein, em São Paulo. O corpo de Vilela será sepultado em sua cidade natal, Jataí, no interior de Goiás.

Em sua carreira política, Luiz Alberto Vilela, apelidado Maguito, passou por diversos cargos no Executivo e no Legislativo, a maior parte do tempo filiado ao MDB. Entre os postos que ocupou estão o de governador de Goiás (1995-1998) e senador pelo estado (1999-2007).

Maguito é o terceiro membro da família Vilela a morrer em decorrência da covid-19. Em agosto de 2020, duas de suas irmãs, Nelma, 76, e Nelita, 82, morreram após serem infectadas pelo vírus, com 10 dias de diferença uma da outra.

Com a morte do prefeito, que tomou posse na UTI, Goiânia continuará sob comando de seu vice, Rogério Cruz, do Republicanos, que exercia as funções desde 1º de janeiro. Ele será efetivado ainda nesta quarta-feira.

Os 83 dias de internação

Maguito Vilela foi diagnosticado com covid-19 em 20 de outubro de 2020, no meio de sua campanha para a prefeitura de Goiânia. “Estou com sintomas leves, como coriza e rouquidão”, escreveu em suas redes sociais na ocasião. Dois dias depois do teste, Vilela foi internado em um hospital municipal de Goiânia para ficar em observação.

Os sintomas, contudo, se agravaram rapidamente e o quadro se tornou preocupante. Em 27 de outubro, uma semana após o diagnóstico, o político foi transferido às pressas para o Albert Einstein, com 75% dos pulmões comprometidos e um alerta crítico de saturação de oxigênio no sangue.

Três dias depois de chegar ao hospital paulista, Maguito Vilela foi entubado. No dia 8 de novembro, foi extubado, porém, entubado novamente em 15 de novembro, domingo em que passou para o segundo turno das eleições municipais de Goiânia.

Em 17 de novembro, Vilela passou a usar um ECMO, máquina hospitalar que funciona como pulmões e coração artificiais. No dia 24 de novembro, passou por uma cirurgia de traqueostomia – que consiste em abrir um pequeno buraco na garganta – para auxiliar em seu processo de respiração.

Vilela se viu livre do novo coronavírus em 3 de dezembro, quando o ECMO foi retirado e ele, já consciente, foi transferido para um leito comum da UTI do Albert Einstein. Foi somente nessa ocasião que ele soube que tinha sido eleito prefeito de Goiânia no segundo turno, já que tinha ficado inconsciente e sedado quando venceu o pleito em segundo turno, em 30 de novembro.

O político se manteve relativamente estável pelo resto do mês de dezembro. Em 1º de janeiro, ele assinou seu termo de posse diretamente da UTI, usando sua assinatura eletrônica. No mesmo dia, foi licenciado das funções do cargo para continuar o tratamento.

Apesar de ter se livrado da infecção pelo vírus, a saúde do prefeito estava significativamente fragilizada, e, na segunda-feira (11), foi constatada uma hemorragia em seus pulmões, causada por uma infecção fungo-bacteriana.

No mesmo dia, ele passou por uma cirurgia bem sucedida para parar os sangramentos e iniciou o tratamento com antibióticos. Contudo, o quadro se agravou na terça-feira (12), culminando na morte de Maguito Vilela, às 4h10 da manhã de quarta-feira (13).

A carreira política de Maguito Vilela

A presença política de Maguito Vilela teve início em 1977, quando foi eleito vereador de Jataí pelo Arena, partido extinto que lutava pela sustentação da ditadura militar instaurada em 1964. Dois anos depois, filiou-se ao MDB, à época partido de oposição aos militares.

Manteve-se no cargo de vereador até 1983, quando foi eleito deputado estadual por Goiás, exercendo a função até 1987, ano em que se tornou deputado federal pelo estado. Durante essa legislatura, foi um dos parlamentares constituintes, aqueles que participaram da elaboração da Constituição Federal de 1988.

Em 1991, deixou o Legislativo e partiu para o Executivo, sendo eleito vice-governador na chapa de Íris Rezende (PMDB) em Goiás.

Quatro anos depois, se tornou chefe do Executivo estadual, exercendo o cargo até 1998, quando foi eleito para o Senado, onde ficou até 2007.

Um ano depois de deixar o Senado, se elegeu prefeito da cidade de Aparecida de Goiânia, que comandou até 2017. Na sequência, ficou afastado da vida pública até 2020, quando disputou e venceu a prefeitura de Goiânia.

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