Quem é Rodrigo Pacheco, candidato de Alcolumbre no Senado

Nome do DEM na disputa é advogado e está no primeiro mandato da Casa. Ele já conquistou o apoio de partidos como PSD, Republicanos e PROS

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    Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi escolhido como o candidato à presidência do Senado pelo grupo do atual ocupante do cargo, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2021.

    Pacheco recebeu apoio de outros partidos relevantes, como o PSD, com 11 dos 81 senadores, segunda maior bancada da casa. O partido é superado em tamanho pelo MDB, com 13 senadores.

    Pacheco também é o preferido de Jair Bolsonaro para a disputa no Senado, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo. Na Câmara, o candidato do Planalto é Arthur Lira (PP-AL), que concorre à presidência contra Baleia Rossi (MDB-SP), do bloco articulado por Rodrigo Maia (DEM-SP), comandante da Casa até fevereiro.

    Para que um candidato seja eleito presidente do Senado, ele precisa obter maioria absoluta, ou seja, ao menos 41 votos. Caso isso não ocorra, um segundo turno com os dois nomes mais votados é realizado.

    A proximidade com Aécio em Minas

    Pacheco nasceu em Porto Velho, capital de Rondônia. Ainda jovem, mudou-se com a família para Passos, no sul de Minas Gerais. No estado, construiu sua carreira política até chegar ao Senado, nas eleições de 2018.

    Formado em direito, o atual senador trabalhou em escritórios de advocacia na área criminalista antes de ingressar na política, tendo feito a defesa de ex-dirigentes do Banco Rural, banco privado mineiro envolvido no mensalão.

    Em Minas, esteve próximo a políticos tradicionais do PSDB, como o ex-governador e atual deputado federal Aécio Neves, e o senador Antonio Anastasia, ex-tucano e atualmente filiado ao PSD. Mas também já esteve com o PT em disputas estaduais.

    Em 2014, por exemplo, Pacheco foi eleito deputado federal em uma coligação do seu partido, o MDB, com o petista Fernando Pimentel, eleito governador do estado ao vencer o tucano Pimentel da Veiga.

    Na época, partido estava na base aliada do governo Dilma Rousseff (PT), ocupando inclusive a vice-presidência com Michel Temer. O acordo minguaria pouco tempo depois, com Temer sendo um dos articuladores políticos para o impeachment da petista, em meados de 2016.

    Pacheco permaneceu no MDB até meados de 2018, quando mudou-se para o DEM. Em paralelo à carreira política, ocupou cargos em comissões e conselhos federais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

    Como deputado, Pacheco votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), da PEC do Teto de Gastos, que congela os gastos públicos em áreas como saúde e educação até 2036, e da reforma trabalhista.

    Ele disputou a prefeitura de Belo Horizonte nas eleições de 2016, quando obteve 10% dos votos. A disputa foi vencida por Kalil, na época filiado ao PHS, mas que desde junho de 2019 integra o PSD, agora aliado de Pacheco na disputa pelo Senado.

    Em 2017, o senador assumiu a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, tida como a mais importante da Casa. Cabe à CCJ analisar todas as proposições que tramitam na Câmara e também a constitucionalidade de eventuais pedidos de cassação de deputados.

    A atuação nas denúncias contra Temer

    Na CCJ, ele foi responsável por analisar as denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (MDB) no âmbito da Operação Lava Jato, após a delação de executivos da JBS incriminar o político em atos de corrupção durante o cargo.

    A primeira denúncia chegou à CCJ em julho. A maioria governista derrotou um relatório do deputado Sergio Zveiter (MDB-RJ) que recomendava o prosseguimento da denúncia. Outro relatório, que recomendava a rejeição da denúncia, foi elaborado e aprovado pela maioria na CCJ, sob relatoria do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), indicado por Pacheco. Foi esse relatório, recomendando a rejeição da denúncia, que foi a votação em plenário e obteve a maioria dos votos.

    Na época, Pacheco foi questionado sobre o fato de Abi-Ackel ser aliado de Temer. O agora senador disse que a definição pelo tucano tinha sido feita por critérios técnicos, já que o político era formado em direito.

    Outra denúncia contra Temer foi analisada pela CCJ em setembro de 2017, que acusava o presidente de obstrução à Justiça e organização criminosa, também no âmbito da Lava Jato. A CCJ recomendou a rejeição da denúncia, sob relatoria do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG), confirmada no plenário. Pacheco se absteve na votação das duas denúncias contra Temer.

    A eleição ao Senado e disputa pela presidência

    Pacheco deixou o MDB em março de 2018, alegando "divergências ideológicas". Sua posterior filiação ao DEM foi articulada por Aécio, de olho na disputa pelo governo do estado naquele ano.

    Pacheco cogitou disputar o governo mineiro em 2018, mas sua candidatura acabou sendo envolvida no acerto do DEM para apoiar o tucano Anastasia, que acabou derrotado no segundo turno por Romeu Zema (Novo).

    Em troca, Anastasia apoiou a candidatura de Pacheco ao Senado, onde foi eleito com 3,6 milhões de votos. Na Casa, Pacheco foi relator da lei de Recuperação Judicial e Falência, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro de 2020. A medida cria, entre outras coisas, regras mais vantajosas para as empresas financiarem as dívidas federais.

    Com temática semelhante, o senador apresentou projeto de lei em outro e 2020 que estabelece um novo prazo para que empresas afetadas pela pandemia de coronavírus possam renegociar as dívidas.

    A candidatura de Pacheco passou a ser desenhada quando o Supremo barrou a reeleição de Alcolumbre, em dezembro de 2020. A partir daí, o atual presidente do Senado passou a articular e fortalecer o nome do senador mineiro entre seus pares e também em conversas com o Palácio Planalto.

    Alcolumbre levou seu apadrinhado para um almoço com Jair Bolsonaro em dezembro de 2020. Nesta sexta-feira (9), segundo o jornal Folha de S.Paulo, Bolsonaro confirmou apoio a Pacheco na disputa em reunião com senadores do MDB, aliados do Planalto mas oponentes do candidato do DEM na disputa.

    Pacheco também começou uma série de viagens pelo Brasil para encontrar senadores em meio ao recesso do legislativo. Ele já esteve no Rio de Janeiro para um encontro com o senador Carlos Portinho (PL) no fim de 2020 e deve visitar políticos em São Paulo e no Espírito Santo.

    Na quarta-feira (6), Pacheco ganhou mais um apoio, desta vez do PROS, com bancada de três senadores. Dois dias depois foi a vez do Republicanos, também com três senadores, a aderir a candidatura de Pacheco. O nome do DEM busca ainda apoio dos partidos de esquerda, como PT e PSB, que somam sete senadores na Casa.

    Outras candidaturas na disputa

    O fortalecimento da candidatura de Pacheco deve forçar outros partidos a definirem se vão ou não entrar na disputa pela presidência do Senado. A principal articulação neste momento acontece no MDB.

    O MDB é a legenda que presidiu o Senado por mais vezes desde a redemocratização. Para voltar ao posto, a sigla busca um nome que seja maioria dentro do partido e consiga ter votos junto a outras siglas.

    Os pré-candidatos da legenda são o líder da bancada Eduardo Braga (AM); o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (PE); o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (TO); e a atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Simone Tebet (MS).

    Ainda não há data definida para que o MDB apresente um candidato, mas a definição do apoio do PSD deve acelerar o processo. Segundo o jornal Valor Econômico, o nome da sigla deve ser anunciado até o dia 15 de janeiro.

    MDB e DEM buscam o apoio do PSDB, que tem bancada de sete senadores. Os tucanos devem ficar com os emedebistas, com a promessa de espaço na Mesa Diretora da Casa, de acordo com nota publicada no site da CNN Brasil na terça-feira (05).

    Outra candidatura pode surgir do bloco Muda Senado, que reúne cerca de 20 senadores de partidos diversos, como Podemos, PSL, Cidadania e Rede. Dentre os pré-candidatos já declarados estão Major Olímpio (PSL-SP), Jorge Kajuru (Cidadania-GO), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Álvaro Dias (Podemos-PR).

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