Quais são os protocolos dos primeiros vestibulares de 2021

Provas presenciais que começam a ser aplicadas em janeiro preveem regulamentos específicos para evitar o contágio pelo novo coronavírus e prometem ambientes sem aglomeração

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    As provas de vestibular neste ano serão excepcionalmente diferentes. Na quarta-feira (6) acontece o primeiro exame presencial de 2021. Após o adiamento da maioria dos concursos em 2020, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) abre a temporada dos vestibulares mais concorridos com uma série de protocolos de segurança e mudanças nos formatos das provas.

    Por culpa da pandemia do novo coronavírus, a realização presencial dos exames, que podem gerar aglomerações e facilitar o contágio, é questionada, e poucas faculdades e universidades se aventuraram a realizar avaliações em 2020. Entre elas, o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), aplicou a prova presencial em 22 de novembro, para 9.725 inscritos. Já a Faculdade de Medicina do ABC fez seu vestibular no mesmo dia para 4.330 pessoas.

    Outras universidades, como a PUC, optaram por exames remotos em formatos digitais, o que não ocorreu sem percalços. O da PUC-SP, realizado em 6 de dezembro, teve seis das 50 questões anuladas por problemas técnicos, além de relatos de concorrentes que tiveram dificuldade em acessar o sistema online de provas. Já a unidade da PUC no Paraná teve a divulgação do resultado do vestibular de medicina suspenso pela Justiça a pedido de uma candidata que afirmou que o teste foi interrompido por erro no sistema.

    Medidas em comum

    Máscara

    O uso de máscara é obrigatório em todos os espaços. Quem desrespeitar a regra poderá ser desclassificado. É recomendado que o candidato leve máscaras extras para troca.

    Distanciamento

    O distanciamento mínimo de 1,5 metro deverá ser respeitado dentro e fora das salas.

    Higienização

    Álcool gel 70% será disponibilizado nas salas de provas.

    O concurso inaugural

    A Unicamp aplica o vestibular para 77.653 inscritos na quarta (6) e na quinta-feira (7). Como medida de segurança contra o novo coronavírus, que já matou quase 200 mil pessoas no Brasil, a prova será mais curta em comparação com os anos anteriores – vai durar quatro horas em vez de cinco. Para isso, o número de questões foi reduzido de 90 para 72 e não haverá perguntas interdisciplinares.

    Além disso, para reduzir o número de estudantes nas salas de avaliação, a prova, que era aplicada em um único dia, neste ano será dividida em dois. Na quarta-feira (6), a prova será feita pelos candidatos que concorrem aos cursos de ciências humanas/artes e exatas/tecnológicas. No dia seguinte, candidatos dos cursos de ciências biológicas/saúde fazem o exame. A redação faz parte da segunda fase, que acontece nos dias 7 e 8 de fevereiro.

    O número de municípios em que as provas poderão ser realizadas também foi ampliado para evitar longos deslocamentos. A Unicamp passa a aplicar as provas do vestibular em 32 cidades do estado de São Paulo e em cinco capitais do país. Além disso, a lista de obras de leitura obrigatória foi reduzida e em vez de 12 livros serão cobrados sete. A universidade oferece 3.234 vagas distribuídas em 69 cursos.

    Vestibular da USP

    O segundo grande concurso a ser aplicado neste ano é a primeira fase do vestibular para ingresso na USP (Universidade de São Paulo), que geralmente ocorre em novembro. A prova acontece no próximo dia 10 de janeiro. São 130 mil inscritos e 8.242 vagas oferecidas. Outras 2.905 vagas são destinadas pela USP para a seleção de estudantes pelo Enem.

    Para garantir um máximo de 40% de ocupação total nas salas, a universidade aumentou o número dos locais de prova. No vestibular de 2020, 88 lugares abrigaram a prova. Neste ano, o exame ocorre em 148 espaços de 34 cidades.

    Segundo a diretora-executiva da Fuvest (instituição responsável pela realização do vestibular da USP), Belmira Bueno, as provas são presenciais por causa do alto número de inscritos. “Para que sua realização seja segura tanto para candidatos quanto para colaboradores, a Fuvest investiu no que há de mais científico em termos de protocolo, respeitando-se as normativas das autoridades internacionais de saúde.”

    Entre as medidas de segurança para prevenir o contágio pelo novo coronavírus estão a exigência do uso de máscaras e a recomendação de que os inscritos levem uma máscara adicional para trocar durante a prova. Cada mesa terá um sachê com um lenço umedecido com álcool 70% para que cada candidato realize a limpeza da carteira antes de se acomodar.

    Portas e janelas ficarão permanentemente abertas e aparelhos de ar-condicionado desligados. Também não será permitido o consumo de alimentos dentro das salas, apenas em locais apropriados indicados pelos fiscais. Para evitar aglomerações na entrada e dentro de cada prédio, o horário de abertura dos portões foi antecipado e acontece uma hora antes do início do exame, às 12h.

    O maior exame do país

    O Enem ocorre em seguida, nos dias 17 e 24 de janeiro (versão impressa) e em 31 de janeiro e 7 de fevereiro (versão digital). O Exame Nacional do Ensino Médio é o maior do país e teve 5.783.357 inscrições neste ano. Universidades públicas e privadas de todo o Brasil utilizam as notas do Enem para fornecer bolsas e financiamentos e para aprovar o ingresso de estudantes no ensino superior.

    Entre as medidas de proteção contra a covid-19 para a realização do exame estão a disponibilização de álcool em gel nas salas e a obrigatoriedade do uso de proteção facial durante a prova. As máscaras serão verificadas pelos fiscais para evitar possíveis infrações.

    Nos locais de prova, serão disponibilizados recipientes com álcool em gel. A ocupação das salas de aplicação será de, aproximadamente, 50% da capacidade. Inscritos que estão com covid-19 ou outras doenças infectocontagiosas poderão participar da reaplicação das provas, que será feita em 23 e 24 de fevereiro de 2021.

    O Enem estava originalmente previsto para novembro de 2020. Em junho, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, responsável pela prova) fez uma enquete em que pedia que os inscritos votassem em três opções de datas para o adiamento da avaliação.

    A opção mais votada foi a mais tardia, maio de 2021. Apesar da consulta, a data decidida pelos inscritos para a aplicação do exame não foi escolhida porque, segundo Alexandre Lopes, presidente do instituto, caso as provas ocorressem em maio, o calendário do início das aulas do primeiro semestre do ensino superior em todo o país poderia atrasar e ficar prejudicado.

    Nas redes sociais, em 2021, uma nova campanha de estudantes, pais, organizações estudantis e políticos solicita o adiamento da prova por meio da hashtag #adiaEnem. A campanha surgiu na segunda-feira (4) após o Inep negar um pedido do secretário de Educação da Bahia, Jerônimo Rodrigues, para que a prova fosse postergada.

    A UNE (União Nacional dos Estudantes), que lidera a campanha, afirmou em uma rede social que “na prática o que [o presidente] Jair Bolsonaro está fazendo é tirar milhares de jovens, sobretudo os oriundos de escola pública, das universidades. Primeiro o governo não deu assistência para os estudantes terem aulas remotas, agora o MEC quer realizar o Enem sem nenhuma segurança”.

    Prova virtual

    Este ano marca também a primeira vez que o Enem é aplicado de forma digital, mas não a distância. São 101.100 participantes que responderão a prova pelo computador. Com o intuito de diminuir os custos de impressão da avaliação, esse número deve aumentar a cada ano até que a avaliação online substitua completamente a impressa em 2026, segundo projeção do MEC (Ministério da Educação).

    O exame digital é presencial e ocorre em locais determinados pelo Inep. A prova não poderá ser aplicada em computadores pessoais. Nos aparelhos, os participantes terão acesso apenas ao sistema do Enem, ficando impossibilitados de consultar a internet ou outros documentos.

    O ingresso nas federais

    A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) não irá realizar vestibular no primeiro semestre deste ano para evitar aglomerações. O preenchimento de vagas será feito pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada), por médias do Enem e também por meio de notas de vestibulares dos anos anteriores da própria universidade.

    Outras universidades federais, como a do Rio Grande do Sul, do Amazonas, de Alagoas e de Minas Gerais, ainda não possuem data para a realização das provas neste ano.

    As federais do Mato Grosso do Sul, de Roraima, de Pernambuco e do Rio de Janeiro aplicarão seus vestibulares de forma presencial entre 29 de janeiro e 28 de fevereiro.

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