Por que Israel saiu na frente na vacinação contra a covid-19

Em menos de um mês, país administrou mais de um milhão de doses e imunizou cerca de 13% de sua população

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Israel está vacinando sua população contra a covid-19 de forma acelerada. Até a manhã de 4 de janeiro de 2021, o país no Oriente Médio tinha administrado cerca de 1,09 milhões de doses do imunizante desenvolvido pela farmacêutica americana Pfizer e pela alemã BioNTech.

Em números absolutos, Israel é o terceiro país que mais vacinou até o momento, ficando atrás da China (4,5 milhões de doses), que deu início à imunização contra a covid-19 antes da conclusão de todas as fases de testes, e dos Estados Unidos (4,2 milhões de doses).

Já em números relativos, Israel está na liderança em relação ao resto do mundo: a cada 100 pessoas da população de 9 milhões, o país já ofereceu 12,6 doses do imunizante, à frente do Bahrein e Reino Unido, as duas nações que ficam em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Até o fim de janeiro, a expectativa é que 2 milhões de habitantes de Israel tenham recebido as duas doses necessárias para garantir a imunização contra a doença. A expectativa é, ainda no primeiro trimestre, imunizar 5,5 milhões de pessoas, o que, segundo o governo, seria o suficiente para frear o avanço do vírus. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, diz esperar que o país retome algum senso de normalidade já em meados de fevereiro.

O plano de vacinação israelense

De acordo com especialistas em saúde pública ouvidos pelo jornal The New York Times em 1º de janeiro, o sucesso de Israel na vacinação se deve a uma conjunção de fatores.

O principal deles é a unidade na ação do governo federal, que desde o início da pandemia tomou decisões claras e diretas de isolamento e distanciamento social como forma de retardar as contaminações. Ao mesmo tempo, foi tecendo negociações para o momento em que a vacina chegasse.

Em novembro de 2020, o governo de Israel fechou uma parceria com a Pfizer para a compra de 8 milhões de doses da vacina, assim que os resultados dos testes do imunizante foram concluídos. A celeridade nas negociações contribuiu para que as doses começassem a ser administradas rapidamente.

Junto das ações de isolamento e distanciamento, Israel fez uma ampla campanha de conscientização durante a pandemia, tanto para alertar sobre os perigos do vírus, como para incentivar a vacinação quando esta estivesse disponível.

Também contribuiu o fato de que, em Israel, é obrigatório a todo cidadão ter um dos quatro planos de saúde estatais disponíveis no país, cujos valores são revertidos para a manutenção do sistema público universal, considerado um dos melhores do mundo desde 2014.

A vacinação em Israel teve início no dia 19 de dezembro de 2020, priorizando profissionais da saúde, idosos e pessoas com comorbidades que as colocam em grupos de risco. Cerca de 150 mil indivíduos desses grupos estão sendo imunizados diariamente no país desde então.

As ações do governo de direita de Netanyahu estão sendo aplaudidas até mesmo pela oposição local. “Não podemos culpá-lo por todos os problemas de Israel – críticas acertadas, na maioria das vezes – e então ignorar sua contribuição quando algo funciona”, afirmou o colunista político Gideon Levy, do jornal de esquerda Haaretz, em 27 de dezembro.

‘Vacina para todos’

A política de Israel é marcada pelo confronto do país com a Palestina, um embate entre os judeus ortodoxos israelenses, que são maioria, e os muçulmanos palestinos da região, minoria.

Apesar dos atritos, Netanyahu afirmou que há vacinas para todos. “Trouxemos para todos, judeus e muçulmanos, religiosos ou seculares. Venham se vacinar”, disse o premiê no início da campanha de imunização.

Palestinos registrados como cidadãos de Israel receberão a vacina, mas aqueles que não possuem laços com o país não poderão ser imunizados, o que fez surgir uma indefinição a respeito do tema.

Muitos palestinos moram ao lado de cidades israelenses ou então trabalham nelas. O governo Netanyahu sinalizou a intenção de doar o excedente de doses para os palestinos, mas nenhum acordo formal foi firmado.

Israel na pandemia

Desde março de 2020, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou a pandemia, Israel registrou 441.542 casos de contaminação por covid-19. Do total, 3.416 morreram devido a complicações causadas pela doença.

O país adotou políticas estritas de isolamento e distanciamento social. Entre março e abril de 2020, apenas serviços essenciais puderam funcionar e os israelenses podiam circular em um raio de apenas 100 metros ao redor de suas casas.

Em setembro, uma segunda quarentena similar foi instituída, porém aumentando o raio de circulação para 1 km ao redor da residência dos cidadãos.

Desde 24 de dezembro de 2020, os israelenses vivem uma terceira quarentena, aos mesmos moldes da segunda, com previsão para acabar na quinta-feira (7).

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