As comemorações para a virada de ano num mundo de pandemia

Eventos tradicionais foram cancelados ou adaptados em réveillon marcado por segunda onda de contágio na maior parte dos países 

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    Em 31 de dezembro de 2019, a OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu o primeiro alerta sobre casos de uma misteriosa pneumonia na cidade chinesa de Wuhan, doença essa que posteriormente ganhou o nome de covid-19. Naquele dia, as tradicionais comemorações de Ano Novo aconteceram ao redor do mundo: turistas realizaram o ritual de pular sete ondas do mar, shows embalaram milhões de pessoas nos grandes centros urbanos, fogos de artifício foram assistidos por multidões.

    Um ano depois, as festas de réveillon viraram foco de preocupação de autoridades e profissionais de saúde. Elas representam um grande risco de contágio do novo coronavírus, responsável pela pandemia que avançou pelo mundo e marcou o ano de 2020. A maioria das grandes comemorações foi cancelada. Outras se transformaram para tentar encontrar um formato seguro para coletivamente saudar o novo ano.

    Festas oficiais canceladas no Brasil

    Na virada de 2019 para 2020, as festas de Ano Novo nos quatro principais destinos turísticos do país — Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Fortaleza —, movimentaram R$ 5,6 bilhões, de acordo com projeção do Ministério do Turismo a partir de levantamento sobre as taxas de ocupação dos hotéis.

    As quatro cidades, normalmente palco de grandes comemorações públicas com milhares de turistas, cancelaram as festas oficiais por causa da alta de casos, ocupação dos leitos de UTIs e mortes causadas pelo novo coronavírus.

    Em Fortaleza, os shows que tomavam o Aterro da Praia de Iracema serão substituídos por rondas da Polícia Militar, que vai proibir que as pessoas se aglomerem no local.

    Salvador, que contava com cinco dias consecutivos de réveillon na rua, a princípio planejava enxugar o programa para uma única noite de festa online. Os shows virtuais de cantores como Ivete Sangalo e Gusttavo Lima, entretanto, foram suspensos. As praias, em especial a orla da Barra, que reúne milhares de pessoas durante a virada, serão interditadas.

    O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), afirmou que o cancelamento “é uma medida necessária para que todos fiquem atentos para o risco que estamos correndo de a segunda onda [do novo coronavírus] ser pior que a primeira. Por isso, sacrificar um projeto que a própria prefeitura desenvolveu, de realizar a live da Virada Salvador mesmo com todos os protocolos sanitários e de segurança, é um recado de que nada poderá atrapalhar as medidas de proteção à vida”.

    A maioria das praias do Nordeste que promovem concorridas festas de Ano Novo, como Trancoso (BA), Jericoacoara (CE), Carneiros (PE) e São Miguel dos Milagres (AL), também tiveram suas programações oficiais canceladas.

    Em 2019, a tradicional virada na Avenida Paulista, em São Paulo, atraiu cerca de 2 milhões de pessoas, segundo a prefeitura. Em julho, o prefeito Bruno Covas (PSDB) suspendeu a festa presencial.

    A virada na Paulista seria substituída por uma comemoração virtual, que previa shows de nomes como MC Guimê e Maiara e Maraisa, além da queima de fogos de artifício. Em 17 de dezembro, o evento online também foi cancelado devido ao agravamento da pandemia na cidade. Os recursos que seriam usados para a festa serão agora destinados para a conscientização da população sobre cuidados sanitários.

    No Rio de Janeiro, o clássico réveillon na praia de Copacabana, que reunia shows e queima de fogos de artifício, foi cancelado. Além disso, 54 pontos de bloqueio serão instalados pela prefeitura para impedir o acesso à orla da cidade e o metrô vai parar de circular às 20h do dia 31, reabrindo só às 7h do dia 1º. A prefeitura proíbe festas, shows, cercadinhos em quiosques e estacionamento de veículos perto da orla.

    Abaixo, o Nexo lista como algumas comemorações pelo mundo foram transformadas na virada de 2020 para 2021.

    Nova York, EUA

    Na Times Square, em Nova York (EUA), a virada de ano costuma ser antecipada por shows que tomam as ruas bloqueadas para carros. Dez segundos antes da troca do ano, uma grande bola de cristal brilhante, que fica na cobertura do arranha-céu One Times Square, desce e, à meia-noite em ponto, revela uma chuva de papel picado sobre a cabeça do público presente.

    Em 2020, pela primeira vez em um século, o local estará fechado ao público na véspera do Ano Novo. Apesar disso, a festa não foi cancelada, mas terá um público restrito e será transmitida online. A partir das 15h de quinta-feira (31), apenas pessoas que foram convidadas a participar do evento terão permissão para ficar perto do palco: 40 trabalhadores que mantiveram a cidade funcionando durante a pandemia. Entre eles estão médicos e entregadores de comida.

    Estão previstos shows de cantoras como Gloria Gaynor, famosa intérprete de “I Will Survive”, Jennifer Lopez, Cyndi Lauper e a brasileira Anitta. O evento, como todos os anos, será televisionado. Além disso, os organizadores da festa criaram um aplicativo com realidade aumentada para quem quer acompanhar o Ano Novo nova-iorquino.

    Londres, Inglaterra

    Há duas décadas, a roda-gigante London Eye, que fica às margens do rio Tâmisa, sedia a queima de fogos mais famosa da capital do Reino Unido. Na virada de 2020 para 2021, no entanto, o tradicional evento foi cancelado.

    Como substituição, os organizadores fizeram um vídeo com uma retrospectiva do ano e um show de luzes. As imagens serão publicadas às 16h de quinta-feira (31).

    Sydney, Austrália

    No fim de 2019, a tradicional queima de fogos de artifício em Sydney, um clichê televisivo brasileiro que todos os anos inaugura a cobertura de outras viradas pelo mundo, aconteceu em meio aos enormes incêndios que destruíam a Austrália. Naquele ano, uma campanha pelo cancelamento do show na Opera House recebeu a assinatura de mais de 280 mil australianos, mas a comemoração se manteve.

    A pandemia também não vai ser motivo de cancelar a celebração: a queima de fogos de artifício está mantida, mas a presença de espectadores foi proibida. A cidade enfrenta uma nova alta no número de casos de infecção pelo novo coronavírus.

    Hong Kong

    Em Hong Kong, a queima de fogos de artifício foi cancelada pelo governo em 2019, quando foi substituída por projeções em arranha-céus. Não era apenas o prenúncio do ano sombrio que viria: o território chinês enfrentava com violência e repressão protestos pró-democracia que eclodiram seis meses antes da virada.

    Temendo mais um dia de manifestações, o Escritório de Turismo então decidiu cancelar os fogos de artifício por motivo de “segurança pública”. A decisão não impediu os jovens ativistas de ocupar as ruas na virada do ano. A chegada de 2020 foi marcada por um clamor pró-democracia.

    Para a virada de 2021, as celebrações públicas também foram canceladas em Hong Kong. No lugar, uma festa ao vivo será transmitida na quinta-feira (31) pelas redes oficiais do governo. O dia também será marcado pela apelação contra a libertação sob fiança de Jimmy Lai, 73 anos, ativista pró-democracia e magnata da mídia. Um dos maiores críticos do governo chinês em Hong Kong, ele foi preso no início de dezembro acusado de desrespeitar a lei de segurança nacional imposta por Pequim e solto no dia 23 de dezembro.

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