Como quadrinistas vão expor seus trabalhos na Comic Con online

Em edição virtual, evento geek vai destinar um espaço exclusivo para que artistas possam mostrar e vender suas produções

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    Temas

    Realizada anualmente em São Paulo desde 2014, a CCXP (Comic Con Experience) 2020 teve de migrar para o ambiente digital dada a pandemia do novo coronavírus, algo que vem ocorrendo com grandes eventos no geral.

    Batizada de CCXP Worlds (Mundos da CCXP), a sétima edição vai acontecer entre sexta-feira (4) e domingo (6), numa plataforma online própria do festival. O acesso é gratuito, mas também existem ingressos pagos, que dão acesso a brindes, descontos e pré-venda de credenciais para a edição seguinte, de 2021.

    O funcionamento do ‘Vale dos artistas’

    Na versão presencial da CCXP, um dos destaques é o Artists’ Alley (Beco dos artistas), onde quadrinistas, brasileiros e estrangeiros, independentes e renomados, apresentam e vendem seus trabalhos, conhecem os leitores, autografam e fazem desenhos sob encomenda.

    Para 2020, a organização do evento levou a área para o ambiente digital sob o nome de Artists’ Valley (Vale dos artistas), com a promessa de oferecer ao público uma experiência próxima da tradicional.

    No evento presencial, os artistas são divididos em mesas, espalhadas por uma área no coração do evento. Na versão digital, as mesas serão transformadas em salas virtuais, nas quais o público terá uma apresentação dos artistas e o catálogo completo daquilo que está à venda.

    A escolha e o preço dos produtos é determinada pelos próprios artistas. Além de histórias em quadrinhos, costumam estar disponíveis pôsteres variados, desenhos sob encomenda e bótons. O gerenciamento das vendas e a logística de envio também ficará sob responsabilidade dos quadrinistas.

    As mesas virtuais contarão com um chat ao vivo para que os artistas possam interagir com seus fãs, contando até com a possibilidade de usar webcams para conversar diretamente com o público. A programação das mesas é de responsabilidade e decisão de cada um dos convidados.

    A organização do evento também disponibilizará ao público uma página central na qual será possível ver o nome de todos os artistas presentes e também filtrar os resultados de acordo com os próprios interesses – como, por exemplo, mostrar apenas quadrinistas que trabalhem em um determinado gênero de histórias.

    Destaques da programação

    Por se tratar de um evento digital, grandes nomes dos quadrinhos que não foram às versões presenciais anteriores estarão presentes no ambiente virtual.

    É o caso de Art Spiegelman, vencedor do prêmio Pulitzer em 1982 pela HQ “Maus”, na qual remonta a trajetória de seu pai nos campos de concentração nazistas. No Brasil, a HQ foi publicada pela editora Quadrinhos na Cia., da Companhia das Letras. No evento, ele relembrará sua carreira em um painel marcado para às 17h30 (horário de Brasília) do domingo (6).

    Também vai participar o escritor britânico Neil Gaiman, responsável pela criação de “Sandman”, HQ que gira em torno de Morpheus, um personagem que é a antropomorfização dos sonhos. Aclamada internacionalmente, a obra é publicada no Brasil pela editora Panini.

    Gaiman será o Homenageado do Ano da CCXP 2020. Na sexta-feira (4), às 15h do horário de Brasília, o autor estará em um painel no qual vai relembrar toda sua carreira.

    Para além dos quadrinhos, o evento vai contar com nomes como os irmãos Anthony e Joe Russo, diretores de “Vingadores: Ultimato”, a atriz Milla Jovovich (“Resident Evil”) e o ator Edgar Vivar, conhecido por interpretar o Sr. Barriga na série mexicana “Chaves”. Os cineastas e os atores participarão de painéis sobre suas carreiras.

    Estúdios e produtoras também terão espaço reservado para apresentar suas novidades. No sábado (5), a Amazon apresentará suas séries. Já no domingo (6), a Warner Media revelará novidades para os fãs em uma apresentação de seis horas, que terá início às 15h.

    Um histórico da CCXP

    A primeira Comic Con Experience ocorreu em dezembro de 2014, criada pelo site especializado em cultura pop Omelete. Na ocasião, a feira conseguiu reunir cerca de 80 mil pessoas, atingindo a meta estabelecida pela organização.

    Na segunda edição, em 2015, foram 120 mil visitantes que passaram pelos quatro dias de evento. Em 2016, a convenção trouxe para São Paulo 196 mil visitantes.

    Um ano depois, foram 227 mil pessoas, consolidando a feira como a maior do tipo em todo o mundo. Em 2018, o evento recebeu 260 mil pessoas, e, em 2019, foram 280 mil visitantes.

    Há quem veja um aumento exagerado do lado comercial do evento. “Há uma proporção cada vez mais desigual entre estandes de conteúdo e estandes de empresas que querem apenas se associar a esse público”, afirmou ao Nexo em 2018 Marcel Nadale, criador do canal Gay Nerd, no YouTube, e ex-editor-chefe da revista Mundo Estranho. “A impressão é de que se tornou mais um evento de consumo do que cultura”. Na edição virtual, os estandes serão substituídos pela citação das marcas pela organização durante a programação.

    Segundo Nadale, embora o interesse das marcas seja “maravilhoso”, falta apoio aos produtores e criadores dessa cultura no restante do ano. “Onde estão essas empresas para quem quer fazer quadrinhos, uma animação, um canal do YouTube ou uma websérie?”, questionou.

    Para Rogério de Campos, editor da Veneta, a CCXP segue os passos da Comic Con de San Diego, sua principal inspiração, tornando-se muito mais um evento de cinema e TV em que “todos tentam convencer que seu produto é a próxima febre que irá tomar o mundo”.

    Nesse “inferno do hype”, os quadrinhos viraram coadjuvantes em um “grande evento da indústria cultural dos Estados Unidos. Não mais de subcultura, mas a festa da cultura dominante”, disse Campos ao Nexo em 2018.

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