O projeto que faz um ‘mapa sonoro’ de memórias da pandemia 

Iniciativa ‘Cartografias das memórias’ reúne áudios que trazem experiências e sentimentos vividos por pessoas comuns durante a quarentena no Brasil e no mundo

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    O projeto “Cartografia das memórias” reúne áudios que trazem relatos de pessoas que estão em quarentena, na intenção de criar um “mapa sonoro” que preserve memórias individuais vividas durante a pandemia do novo coronavírus.

    A iniciativa, que contém relatos de brasileiros em diversos países, busca alcançar uma grande diversidade de depoimentos e formar um panorama heterogêneo de pontos de vista sobre a crise sanitária global. O projeto defende que “preservar a memória é um direito coletivo”.

    Os depoimentos duram até cinco minutos e tratam de temas como isolamento, medo, incerteza, rotina, política e emprego. Os participantes do projeto se concentram no Brasil, mas também há relatos de brasileiros que vivem em países como Estados Unidos, Portugal, Itália e França.

    “É doloroso, para mim, sobretudo, não [ter] o contato físico com as pessoas, que é algo que eu gosto muito: abraçar, tocar…”

    Tororo

    participante do projeto ‘Cartografias das memórias’ que vive em Salvador (BA)

    Quem quiser pode colaborar com o projeto enviando seu relato pelo WhatsApp. A iniciativa não exige que os autores dos depoimentos se identifiquem, mas pedem que eles informem sua localização aproximada e façam áudios de no máximo cinco minutos. O relato é livre: não há restrição de assuntos.

    A iniciativa foi criada por brasileiros em maio. Ela é coordenada por artistas, cientistas, comunicadores, historiadores e outros tipos de profissionais que se reuniram pelo Laboratório de Emergência, uma iniciativa criada na pandemia com o objetivo de criar projetos solidários no contexto da crise.

    O projeto tem apoio financeiro da Open Society Foundations, uma rede internacional de filantropia. O apoio é gerenciado pelo Centro de Direitos Humanos Aplicados da Universidade de York, no Reino Unido.

    Outras iniciativas

    Outros projetos brasileiros buscam registrar as memórias de pessoas comuns durante a pandemia do novo coronavírus. Entre eles estão o “Diário para o futuro”, organizado pelo Museu da Pessoa, e “A palavra no agora”, do Museu da Língua Portuguesa.

    Iniciativas como “Memorial inumeráveis”, “Memorial vagalumes” e “reliquia.rum” registram a memória de vítimas da pandemia no país. Enquanto o primeiro projeto traz diversos perfis de vítimas da covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus) no país, os outros dois falam das vítimas indígenas e das mulheres, respectivamente.

    O projeto “A maré de casa”, criado pela ONG Redes da Maré, traz a perspectiva da quarentena de moradores da comunidade da Maré, na cidade do Rio de Janeiro. Seis moradores vêm compartilhando seu cotidiano por várias semanas na forma de diários virtuais.

    Instituições como o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro e a Fiocruz também estão buscando relatos pessoais para construir projetos de memória sobre a pandemia, embora ainda não tenham lançado projetos. O objetivo é registrar as lembranças hoje para que, no futuro, as pessoas entendam o que foi este momento.

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