De Nairóbi a Lisboa: o livro sobre a história noturna de 10 cidades

Publicação do Instituto Goethe mostra a cultura de clubes e música eletrônica em locais fora do circuito tradicional

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    Desde a década de 1980, a história da cultura de clubes e música eletrônica é contada principalmente a partir de um eixo de cidades do norte da Europa e dos Estados Unidos, como Manchester, Londres, Berlim, Detroit e Chicago.

    Na tentativa de proporcionar um outro olhar, um novo livro joga o foco em uma seleção mais diversa de vidas noturnas. “Ten Cities: Clubbing in Nairobi, Cairo, Kyiv, Johannesburg, Berlin, Naples, Luanda, Lagos, Bristol, Lisbon, 1960-Present” (“Dez cidades: indo a clubes em Nairóbi, Cairo, Kiev, Joanesburgo, Berlim, Nápoles, Luanda, Lagos, Bristol, Lisboa, 1960-presente”, em tradução livre) procura retratar clubes noturnos como “laboratórios para diferentes modos de vida”.

    “[Os clubes] permitem a experimentação com atitudes e modos de vida, que lentamente penetram na sociedade mais ampla e podem até, em algum momento, influenciar a cultura popular”, afirmou em nota Johannes Ebert, secretário-geral do Instituto Goethe, entidade cultural alemã que concebeu o projeto.

    O livro conta com contribuições de 25 autores, incluindo cientistas sociais, jornalistas de música, ativistas da noite, musicólogos, urbanistas e historiadores. O capítulo de cada cidade contém imagens atuais e históricas, de materiais gráficos a espaços dançantes. Chama atenção a variedade do que pode ser uma pista de dança: barcos, praias, descampados e galpões, entre outros lugares.

    No capítulo sobre Nápoles, na Itália, o escritor Danilo Capasso escreve sobre a onda da “Vesuwave” (vertente da new wave italiana cujo nome faz referência ao Monte Vesúvio, próximo à cidade) e dos espaços de dança improvisados nas “cisternas desativadas do antigo aqueduto greco-romano”.

    Já os escritores Rangoato Hlasane e Sean O’Toole investigam a história da música gravada na África do Sul e a influência da história política de Joanesburgo na maneira como as pessoas consumiram e compartilharam música ao longo do tempo. Segundo os autores, o trabalho supre a lacuna que existia em relação a registros sobre a história musical e noturna da maior cidade sul-africana, que contou com prolíficas cenas de jazz e kwaito (uma mescla de house music e sonoridades locais).

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