Votação: e-Título fica estável e Bolsonaro refaz ataque sem prova

Segundo turno das eleições municipais tem dia tranquilo e aplicativo mostra estabilidade, após problemas no primeiro turno

Estamos com acesso livre temporariamente em todos os conteúdos como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos de assinatura. Assine o Nexo.

Após apresentar instabilidade no primeiro turno, em 15 de novembro, o e-Título funcionou de forma satisfatória neste domingo (29), dia de votação de segundo turno em 57 cidades do país, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

O e-Título é um aplicativo da Justiça Eleitoral que traz dados como zona eleitoral, situação cadastral, além das certidões de quitação eleitoral e de crimes eleitorais.

No primeiro turno, houve dificuldade para baixar o app e problemas de acesso. Muitos eleitores não conseguiram justificar o voto pelo aplicativo. O TSE disse ter havido uma sobrecarga. Para evitar de novo o problema, o tribunal permitiu que o app fosse baixado apenas até 23h59 de sábado (28).

O dia 15 de novembro registrou outros problemas. Dados de antigos servidores do TSE foram divulgados, o site do tribunal ficou fora do ar por causa de um ataque cibernético e, por uma falha técnica, a totalização dos votos levou duas horas e meia a mais.

A sequência dos acontecimentos deu combustível para a disseminação de notícias falsas e acusações sem prova que questionavam a legitimidade dos resultados das urnas.

O TSE garantiu que as falhas não impactaram no resultado da apuração. Mas influenciadores e parlamentares bolsonaristas impulsionaram o alastramento desse tipo de ideia de fraude.

Na véspera do segundo turno deste domingo (28), uma operação coordenada da Polícia Federal com a polícia portuguesa prendeu em Portugal um suspeito de envolvimento no ataque hacker.

A reiteração das acusações sem provas

Neste domingo (29), ao votar na Vila Militar da zona oeste do Rio, Jair Bolsonaro voltou a fazer acusações sem provas sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro.

“A questão do voto impresso é uma necessidade, está na boca do povo, e as reclamações são demais. Não adianta alguém bater no peito e falar que é seguro. Nós pretendemos, a partir do ano que vem [2021], partir para isso”, disse o presidente, defensor de que o voto na urna eletrônica seja impresso para conferência posterior.

As urnas eletrônicas começaram a ser usadas no Brasil a partir de 1996. Elas substituíram de forma gradativa o voto em cédulas de papel e deram agilidade e segurança às apurações. Mesmo assim, o sistema é alvo constante de questionamentos, mas sem base em fatos comprováveis.

“Queremos confirmar o digital com o papel. O TSE tem obrigação de entregar isso. Nós devemos buscar uma maneira de tirar da cabeça do povo a dúvida sobre possíveis frases nas eleições”, afirmou Bolsonaro, que declarou voto no prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos).

O ataque à segurança das urnas é recorrente no discurso de Bolsonaro, mesmo sem nunca ter apresentado provas sobre eventuais fraudes no sistema. Nos Estados Unidos, seu aliado Donald Trump perdeu as eleições presidenciais para Joe Biden, no início de novembro, usando um mesmo discurso de fraude eleitoral, também sem apresentar provas.

Questionado sobre a eleição americana, Bolsonaro, que ainda não ligou para congratular Biden, afirmou: “Tenho minhas fontes que realmente teve muita fraude lá [nos EUA]. Se for suficiente para definir 1 ou outro, não sei”.

O cálculo político do discurso de fraude

O discurso é lido por analistas como uma estratégia política. “À medida que esses indivíduos acreditam na teoria conspiratória e na crítica ao sistema eleitoral, isso gera um princípio de coesão interna ao grupo e também estabelece um processo de criação de uma identidade política comum”, disse ao Nexo Odilon Caldeira Neto logo após o primeiro turno, professor de história contemporânea da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

É um discurso que tem impactos no ambiente democrático. “As teorias da conspiração política influenciam a redução da participação política e a desconfiança do governo que é eleito democraticamente, das instituições democráticas e do maior exercício democrático que nós temos, que são as eleições. Isso faz com que a vida cívica e política do país fique prejudicada”, disse ao Nexo, também após o primeiro turno David Nemer, professor titular no Departamento de Estudos de Mídia na Universidade da Virgínia (EUA).

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.