Quem são os candidatos a vice-prefeito em São Paulo

Ricardo Nunes integra a chapa de Bruno Covas e Luiza Erundina integra a chapa de Guilherme Boulos. Conheça suas trajetórias

Estamos com acesso livre temporariamente em todos os conteúdos como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos de assinatura. Assine o Nexo.

O segundo turno em São Paulo será disputado no domingo (29) entre Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL). Ambos prometem cumprir o mandato até o final, caso vençam. O histórico recente de prefeitos na maior cidade do país, porém, mostra que é preciso olhar para os vices.

Em 2006, José Serra (PSDB) deixou o comando da cidade para disputar e vencer as eleições para o governo do estado, após 15 meses de mandato como prefeito. Seu vice Gilberto Kassab, então no PFL, assumiu a cadeira e depois foi reeleito.

Em 2018, João Doria (PSDB) deixou o comando da cidade também para disputar e vencer as eleições para o governo do estado, após 15 meses de mandato como prefeito. Seu vice Bruno Covas assumiu a cadeira e agora tenta a reeleição.

Em 2020, Covas escolheu Ricardo Nunes, vereador na capital paulista pelo MDB. Boulos apostou na colega de partido Luiza Erundina, ex-prefeita da cidade. Abaixo, o Nexo traz um breve perfil de cada um deles.

Quem é Ricardo Nunes

Covas conseguiu formar uma frente ampla com diversos partidos em torno de sua candidatura. Entre eles está o MDB de Nunes. No entanto, o atual vereador não era a primeira opção para compor a chapa.

O tucano sondou outros políticos, como a ex-prefeita Marta Suplicy (Solidariedade) e o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos). Nenhuma das negociações avançou, e Nunes ficou com o posto.

O vice de Covas tem 53 anos, é advogado e empresário e nasceu na capital paulista. Antes de ingressar na política, fundou uma empresa que atua no ramo de controle de pragas urbanas e tratamento fitossanitário. Participou ainda da fundação e gestão de associações ligadas ao setor.

Ricardo Nunes se filiou ao MDB aos 18 anos e concorreu ao cargo de vereador pela primeira vez na eleição de 1989, mas não foi eleito. Ele só conseguiu uma vaga na Câmara Municipal em 2012. Foi reeleito então em 2016.

Na Câmara, atuou como relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias de São Paulo e do Orçamento Municipal durante seis anos. Também participou da CPI que investigou suspeitas de desvios de recursos do Theatro Municipal. Católico, o vereador é membro da bancada religiosa.

A maioria dos projetos aprovados em sua atuação no Legislativo versam sobre a definição no nome de ruas, inclusão de festas no calendário oficial do município e concessão de medalhas e títulos de cidadão paulistano a personalidades.

Como candidato a vice, Nunes foi uma figura pouco participativa na campanha. Mas polêmicas envolvendo o seu nome têm ganhado protagonismo.

As suspeitas contra Nunes

Reportagem publicada em outubro de 2020 pela Folha de S.Paulo mostrou uma teia de conexões que incluem Nunes, empresas, parentes e indicados com cargos na prefeitura que envolvem creches contratadas pela administração municipal.

A prefeitura utiliza entidades parceiras para administrar e expandir as vagas em creches, por meio de convênios e repasses de verba. Uma dessas entidades é a Acria (Associação Amiga da Criança e do Adolescente), que mantém em seus quadros pessoas próximas a Nunes.

A Polícia Civil de São Paulo investiga suspeitas de que prestadores de serviço subcontratados pela Acria sejam apenas empresas de fachada para emitir notas frias ou superfaturadas, desviando repasses obtidos com a gestão municipal.

Nunes nega que tenha participação na diretoria da Acria ou que a entidade seja mantida por aliados. A direção da associação afirma que não tem conhecimento de investigações contra as empresas contratadas.

Também em outubro, o jornal Folha de S.Paulo revelou que Nunes foi acusado de violência doméstica, ameaça e injúria pela esposa, Regina Carnovale. O boletim de ocorrência, assinado por Carnovale em fevereiro de 2011, diz que o vice de Covas não aceitava a separação do casal. Um mês depois, foi a vez de Nunes registrar queixa contra Carnovale, sob alegação de lesão corporal em uma discussão sobre pensão alimentícia. Os dois estão juntos atualmente.

Em nota, Nunes negou que tenha agredido a mulher e disse que as acusações são de um período em que a companheira estava “abalada emocionalmente”. Carnovale disse que estava em um “momento difícil” e afirmou que as acusações “não são reais”.

Covas tem defendido o vice. No programa Roda Viva, na segunda-feira (24), disse que não há denúncia formal contra Nunes e afirmou que estão tentando “lacrar e acabar com o currículo” do vereador que compõem sua chapa.

Quem é Luiza Erundina

Com 85 anos, a ex-prefeita faz parte do grupo de risco do novo coronavírus. Sua participação na campanha, portanto, é limitada. Como alternativa, o PSOL desenvolveu uma picape com a caçamba revestida de placas de acrílico, para que ela possa participar de carreatas sem ter contato direto com o público.

Essa é uma das estratégias do partido para que a imagem de Erundina, com longa trajetória política e vínculos nos bairros mais periféricos da cidade, esteja associada a Boulos, que disputa sua segunda eleição e é criticado por seus opositores pela inexperiência em cargos eletivos.

Erundina nasceu em Uiraúna, interior da Paraíba, e emigrou para São Paulo no início dos anos 1970, após ser perseguida pela ditadura militar brasileira (1964-1985). Dez anos mais tarde, foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores.

Pelo PT, foi eleita vereadora em 1982, deputada estadual em 1986 e prefeita da cidade nas eleições de 1988. Sua gestão ficou marcada por obras em bairros periféricos, com a construção de hospitais e moradias populares. Erundina também construiu o túnel do Anhangabaú e o Sambódromo.

A prefeita enfrentou crises internas no PT, resistência da Câmara Municipal e greves de servidores. Em 1989, Erundina entrou em conflito com o seu vice, Eduardo Greenhalgh, diante de suspeitas de recebimento de propina da empreiteira Lubeca por parte dele.

Na época, Greenhalgh foi apontado pelo então deputado federal goiano Ronaldo Caiado (ex-PFL, atual DEM) como intermediário no recebimento de US$ 200 mil para facilitar a construção de um empreendimento na cidade.

Após o caso vir à tona, Erundina exonerou Greenhalgh da Secretaria de Negócios Jurídicos, cargo que acumulava com o de vice-prefeito. A prefeita alegou que houve quebra de confiança e que a relação de ambos estava “estremecida”. Investigações foram feitas, mas o caso acabou arquivado em 1998.

Já ex-prefeita, Erundina foi nomeada em fevereiro de 1993 ministra na Secretaria da Administração Federal no governo Itamar Franco (1992-1995). A associação ao governo Itamar criou uma crise interna no partido, que havia decidido fazer oposição ao governo que sucedeu Fernando Collor (PRN), alvo de impeachment meses antes. O PT decidiu pela suspensão de todos os direitos e deveres partidários de Erundina pelo período de um ano.

As tentativas de voltar ao cargo

Erundina tentou novamente a prefeitura pelo PT em 1996, mas não se elegeu. Dois anos depois, filiou-se ao PSB. Pelo partido, tentou retornar ao comando da capital paulista nas eleições de 2000 e 2004, também sem êxito.

Nesse meio tempo, foi eleita pela primeira vez deputada federal em 1998, pelo PSB. Conseguiu se reeleger em mais quatro oportunidades. Em 2012, Erundina, ainda pelo PSB, foi cogitada como vice de Fernando Haddad (PT).

O acordo foi desfeito quando o PP de Paulo Maluf passou a integrar a coligação petista na cidade. Ela foi substituída por Nádia Campeão (PCdoB).

A última tentativa de voltar à prefeitura, já pelo PSOL, ocorreu em 2016, dois anos após ter se filiado à sigla. Ela recebeu pouco mais de 3% dos votos. Na eleição seguinte, em 2018, conquistou o sexto mandato consecutivo como deputada federal.

Qual a função do vice

A principal função de um vice é assumir a prefeitura, governo estadual ou Presidência quando o titular do cargo está impossibilitado de exercê-lo temporariamente (durante viagens oficiais ou por estar doente) ou definitivamente (se houver renúncia, impeachment ou morte do titular).

Durante o exercício temporário do mandato, o vice possui todas as prerrogativas do titular do cargo, podendo exonerar ou nomear ministros e secretários ou enviar projetos de lei para o Legislativo. Esses atos, porém, na maior parte das vezes são realizados com a anuência do chefe do Executivo que está afastado.

Vices também podem assumir funções de articulação política, podem ser titulares de secretarias e também prestar recomendações aos titulares do Poder Executivo.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.