Como os candidatos gastaram dinheiro no primeiro turno

Dados do TSE mostram serviços contratados e empresas que mais receberam verba

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A maior parte dos gastos que foram feitos pelas campanhas eleitorais de 2020 até 20 de novembro foram bancados com recursos públicos. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), dos gastos efetivados nas eleições municipais, 57,2% foram feitos com dinheiro de origem pública. Os outros 42,8% foram feitos com recursos privados arrecadados pelas campanhas. Isso não contabiliza transferências entre candidatos e dentro dos partidos.

De onde vem o dinheiro

Fundo Partidário

É um fundo bancado pela União. O dinheiro é repassado para os partidos, que o usam para o dia a dia e também para as eleições. Do total, 5% é repartido igualmente entre os partidos e os 95% restantes são divididos segundo a representação na Câmara. O Fundo Partidário cresceu em importância e valor após a proibição de financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas, em decisão do Supremo Tribunal Federal em 2015. Até então, as campanhas no país eram financiadas majoritariamente por empresas privadas.

Fundo Eleitoral

Criado em 2017, durante o governo de Michel Temer, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha – mais conhecido como Fundo Eleitoral – veio para compensar a falta de doações de empresas para partidos. Assim como o Fundo Partidário, ele é composto por recursos públicos, mas diferentemente dele, os recursos só são repassados aos partidos em anos de eleição. A divisão do dinheiro leva em conta o tamanho dos partidos no Congresso Nacional.

Doações de pessoas físicas

Os eleitores podem doar até 10% da renda bruta declarada à receita no ano anterior para o seu respectivo candidato. Quem quiser contribuir precisa apresentar o CPF no momento da transferência bancária.

Autofinanciamento

O valor doado pelo próprio candidato não pode ultrapassar 10% do limite de gastos para o cargo disputado. A quantia máxima é determinada a cada eleição pelo TSE e varia segundo o cargo e a cidade. O teto de 10% do limite de gastos foi imposto em 2020 para evitar que candidatos muito ricos tivessem vantagens nas eleições.

Financiamento coletivo

Esse tipo de arrecadação ocorre tipicamente em vaquinhas na internet, e está liberado pelo TSE desde 2017. Para obter recursos por esse meio, devem ser respeitadas regras como um teto para as doações nessas plataformas e identificação dos doadores.

Quais os principais tipos de despesas

A partir de dados disponibilizados pela plataforma “Estatísticas eleitorais” do TSE, colhidos no dia 20 de novembro, o Nexo levantou os principais tipos de gastos da campanha eleitoral de 2020 no Brasil – incluindo candidatos às prefeituras e às Câmaras Municipais. O gráfico abaixo considera apenas as despesas efetivamente pagas, sem contar transferências feitas dentro dos partidos e entre candidatos.

AS COMPRAS DAS CAMPANHAS

Os 20 maiores tipos de despesa na campanha de 2020. Impressos, Rádio, TV, Vídeo e Adesivos na frente. Serviços e pessoal têm peso importante também

O levantamento mostra que a atividade que mais consumiu recursos de campanha foi a publicidade com materiais impressos. Isso inclui cartazes, banners, panfletos, santinhos e outros gastos do tipo.

Os materiais impressos representaram R$ 322 milhões em gastos, mesmo em um momento de pandemia, onde a circulação de pessoas pelas cidades está reduzida. Esse tipo de material de campanha está associado tipicamente à movimentação na rua. O mesmo vale para adesivos, que consumiram R$ 125 milhões.

Meios tradicionais de comunicação – como televisão, rádio e programas produzidos em vídeo – ocupam o segundo lugar nos tipos de despesas que mais atraíram recursos nas eleições. A contratação de serviços – advogados, contadores e outros – e pessoal também representam parte importante dos gastos.

O impulsionamento de conteúdos em redes sociais e sites de busca foi o sétimo tipo de despesa mais comum. Mais de R$ 58 milhões foram gastos no total para promover conteúdo eleitoral na internet. Em 2018, o impulsionamento foi o nono maior destino das despesas eleitorais – o que indica que a prática ganhou importância em 2020.

Quais empresas receberam mais

Mesmo o impulsionamento de conteúdo tendo sido apenas o sétimo tipo de despesa que mais atraiu dinheiro, quatro empresas dessa área ficaram entre as dez que mais receberam por serviços nas eleições de 2020.

Dessas quatro, duas são bem conhecidas: Facebook e Google, gigantes americanas de tecnologia, são a segunda e a sétima que mais receberam dinheiro na campanha até 20 de novembro, respectivamente. Além delas, dLocal e Adyen – líder e terceiro lugar do ranking, respectivamente – são plataformas de pagamento digital usadas para fazer o impulsionamento de conteúdo na internet.

AS EMPRESAS QUE MAIS RECEBERAM NA CAMPANHA

As 10 empresas que mais receberam na campanha de 2020. Tecnologia, comunicação e serviços ligados a materiais impressos dominam a lista

O quarto, quinto e sexto lugar são ocupados por agências de comunicação – D4G, Urissanê e Rio 2020 Publicidade, em ordem.

As últimas três posições no top 10 são ocupadas por empresas mais ligadas ao impresso. A DF Papéis é, como diz o próprio nome, uma fornecedora de papel para as campanhas. Os Correios são contratados para transportar materiais de campanha, e a WBL é uma gráfica de grande porte contratada para imprimi-los.

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