A promessa de ‘revolução industrial verde’ do Reino Unido

Pacote de estímulo anunciado pelo governo de Boris Johnson prevê fim da venda de carros movidos a combustível fóssil em 2030 e produção de eletricidade por energia eólica suficiente às residências do país

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O governo britânico anunciou na quarta-feira (18) um pacote de medidas que promete uma revolução industrial verde. São iniciativas nas áreas da indústria, transporte, construção civil e geração de energia que visam diminuir as emissões de gases de efeito estufa do país.

De acordo com o primeiro-ministro Boris Johnson, as medidas estimularão a economia britânica, que passou meses em recessão por causa da pandemia. Apesar de ter deixado a recessão em setembro, o PIB (Produto Interno Bruto) britânico naquele mês ainda era 8,3% menor do que em fevereiro.

Segundo Boris Johnson, o governo investirá 12 bilhões de libras no plano (cerca de R$ 85 bilhões, no câmbio de 19 de novembro de 2020). Segundo afirmou, em artigo para o Financial Times, cerca de 250 mil “empregos verdes” serão criados, de trabalhadores da construção civil a engenheiros.

Uma das medidas mais ousadas é a antecipação do fim da venda de carros e vans novos movidos a gasolina ou diesel. Originalmente, a suspensão estava planejada para 2040, mas agora ela deve acontecer em 2030. A venda de carros híbridos, movidos a eletricidade e combustível fóssil, será permitida até 2035.

De acordo com o líder britânico, o governo pretende gastar 1,3 bilhão de libras (cerca de R$ 9 bilhões) instalando uma rede de pontos de recarga para veículos elétricos. Os novos tipos de carro receberão subsídios do governo para que sejam mais acessíveis para o consumidor.

Outra medida é quadruplicar a capacidade de geração de energia eólica do país, a partir de turbinas instaladas no mar. Segundo o governo britânico, a ampliação possibilitará produzir mais energia elétrica do que o utilizado atualmente em todas as casas do país.

A iniciativa também prevê a produção de milhares de ônibus não-poluentes e a construção de uma rede de ciclovias “no nível da Holanda” — país conhecido por seu uso em massa da bicicleta.

A iniciativa vai ao encontro do discurso do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, que tem as mudanças climáticas como uma das prioridades de seu governo. Segundo Johnson afirmou no Twitter, a primeira conversa telefônica entre os dois líderes depois da vitória de Biden abordou esforços para mitigar as mudanças climáticas, “uma prioridade compartilhada”.

Para analistas, o pacote é também uma maneira do governo Johnson mudar de assunto em meio a cobranças em relação ao Brexit, movimento de saída do país da União Europeia marcado por controvérsia e desorganização.

ONGs ambientais elogiaram o escopo e as medidas do plano. “Esse anúncio histórico sinaliza o fim da linha para carros e vans poluentes e um ponto de virada memorável na ação climática”, afirmou em nota o Greenpeace, uma das maiores organizações ambientais do mundo.

As críticas ao plano

O Partido Trabalhista britânico, principal legenda de oposição, chamou o plano de fraco e insuficiente em comparação a propostas de outros países europeus. “França e Alemanha estão investindo dezenas de bilhões de euros. Este plano provê, na melhor das hipóteses, 4 bilhões de libras [o equivalente a R$ 28 bilhões no câmbio de 19 de novembro de 2020] de dinheiro novo ao longo de vários anos”, declarou Ed Miliband, secretário do comércio do gabinete paralelo.

O setor automotivo expressou preocupação com relação à nova meta de 2030 para o fim da venda de veículos movidos a gasolina e diesel. Para representantes do setor, a meta anterior, o ano 2040, já era bastante ambiciosa. Especialistas também avaliaram que o governo poderia apresentar maiores incentivos à produção de baterias elétricas para carros, considerando que o Brexit trouxe prejuízos ao setor.

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