Lembra do Game Boy? Ele ganhou um novo jogo em 2020

Desenvolvedora britânica apostou em comunidade retrogamer para a criação de 'Dragonborne'

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    Lançado em 1989, o Game Boy foi o segundo videogame portátil da empresa japonesa Nintendo. À época um sucesso de vendas e de público, ele ganhou três sucessores, lançados entre 1998 e 2004.

    Em 2020, após 16 anos do fim da linha Game Boy, um estúdio independente criou um novo jogo para o console: trata-se de “Dragonborne”, da empresa britânica Spacebot Interactive.

    O game, anunciado em 29 de outubro e com lançamento marcado para 2021, tem como inspiração games clássicos de fantasia, como “The Legend of Zelda”, “Dragon Quest” e “Final Fantasy”, franquias que tiveram passagens de sucesso pelo Game Boy.

    Em “Dragonborne”, o jogador assume o papel de Kris, filho de um famoso caçador de dragões que sai em uma aventura em busca do pai desaparecido. O lançamento acontece em janeiro de 2021.

    O mundo dos jogos retrô

    A Spacebot Interactive tem como público alvo os jogadores que se autodenominam retrogamers – ou, gamers retrô.

    Os retrogamers colecionam consoles e jogos antigos, e também buscam novos lançamentos que emulam a estética e a dinâmica dos games de outrora.

    É um mercado que dá dinheiro. Em 2016, a Nintendo, uma das principais empresas do ramo, lançou uma versão miniaturizada do NES, console de 1985, completamente funcional para as televisões atuais. No final de 2018, mais de 10 milhões de unidades já tinham sido vendidas.

    Em dezembro de 2018, a Sony lançou uma versão em miniatura do primeiro PlayStation. O console vendeu cerca de 120 mil unidades no Japão em quatro semanas.

    Segundo Celia Pearce, doutora em estudos da cultura digital pela Universidade Northeastern, em Boston, nos Estados Unidos, a ascensão da comunidade retrogamer está totalmente relacionada com a nostalgia.

    No artigo “The truth about Baby Boomer gamers: A study of over-forty computer game players” (“A verdade sobre os gamers Baby Boomers: um estudo de jogadores de videogames com mais de 40 anos”, em tradução livre), de 2008, Pearce afirma que os retrogamers, em sua maioria mais velhos, encontram no jogo uma forma de se relacionar com a própria memória afetiva.

    Tim Wulf, doutor em psicologia pela Universidade de Colônia, na Alemanha, argumenta em um artigo de 2018 que a nostalgia causada pelos jogos está diretamente relacionada com o senso de identidade dos gamers mais velhos.

    Para Wulf, a retomada de jogos antigos pode ser fator determinante para que um indivíduo que estava distante desse mundo possa retomar sua própria identificação com os games e que volte a ser abraçado, depois de mais velho, por essa comunidade.

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