Quem é a Mulher-Maravilha brasileira nos quadrinhos da DC

Nova versão da heroína tem origem indígena e remete às lendas da região amazônica

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    A DC Comics, editora responsável por super-heróis como o Superman e o Batman, anunciou na quinta-feira (15) que vai apresentar uma “versão brasileira” da Mulher-Maravilha em 2021.

    Trata-se da iniciativa “Future State(Estado futuro, em tradução livre), uma linha de revistas separada da cronologia principal que vai apresentar o futuro do universo ficcional da editora, com novas gerações de personagens assumindo o manto dos icônicos super-heróis.

    Em meio a tudo isso, a DC apresentou Yara Flor, uma jovem brasileira que assumiu o manto de Diana Prince, a Mulher-Maravilha original.

    De origem indígena e vinda da região amazônica, a personagem teve seu visual criado pela artista Joelle Jones, conhecida por seu trabalho desenhando as HQs do Batman e da Mulher-Gato.

    Por enquanto, pouco se sabe sobre a história ficcional da personagem, mas o editor Jamie S. Rich falou sobre Yara ao site americano IGN na quinta-feira (15).

    “Yara tem alguma conexão com as amazonas [guerreiras da mitologia grega que inspiraram a criação da primeira Mulher-Maravilha]”, afirmou. “Parte do que vamos descobrir em sua história de origem é o que faz ela ser a Mulher-Maravilha neste momento específico”, complementou, sem dar pistas do que vem por aí.

    Segundo Rich, a chegada de Yara Flor vai inverter a dinâmica dos conflitos internos da heroína.

    “Nas raízes da personagem, Diana, uma deusa, estava tentando ser humana e tentando aprender a ser humana. Agora vamos para o lado oposto: como uma humana aprende a ser uma deusa?”, disse.

    Não é a primeira vez que a DC vai mostrar uma conexão entre a heroína e o Brasil. Em uma revista lançada em agosto de 2020, Diana Prince esteve na cidade de João Pessoa, na Paraíba, investigando um fenômeno misterioso que criava um campo de distorção da realidade.

    O projeto terá início em janeiro de 2021 nos Estados Unidos, e não há uma previsão para a chegada das revistas no Brasil.

    As possíveis inspirações folclóricas

    Ainda pouco se sabe sobre Yara Flor, mas, dada sua origem brasileira, é possível especular que o folclore do país tenha servido de inspiração para a personagem.

    A começar pelo nome, Yara, que é o mesmo da sereia presente na tradição oral do estado do Amazonas.

    Na lenda, Iara era filha de um pajé que contava com grandes habilidades de guerreira, despertando a inveja de seus irmãos que, então, decidiram matá-la.

    No dia da tentativa de assassinato, Iara se defendeu e matou todos eles. Por isso, seu pai decidiu lançá-la no encontro das águas dos rios Negro e Solimões.

    Em vez de se afogar, Iara foi salva pelos peixes e se tornou uma sereia, que usava de sua voz para seduzir e raptar homens que navegavam os rios ou que estavam às margens deles.

    Outra possível inspiração para Yara Flor são as icamiabas, tribo de guerreiras que também integra a tradição oral do folclore amazônico.

    De acordo com a lenda, as icamiabas eram guerreiras hábeis e imbatíveis, que viviam em sociedades matriarcais na região da floresta.

    Por conta disso, as icamiabas apresentam diversas semelhanças tanto com as amazonas da mitologia grega, como com as amazonas mostradas nos quadrinhos da DC, que também ficaram conhecidas por suas estratégias de combate e por sua organização matriarcal.

    Essas semelhanças geraram algumas lendas. Em uma delas, diz-se que o rio Amazonas, a floresta amazônica e o estado do Amazonas teriam esse nome por causa das icamiabas.

    Na verdade, o nome da região veio da palavra indígena “amassunu”, que significa “ruído das águas.

    A criação da Mulher-Maravilha

    A Mulher-Maravilha foi criada em 1941 pelo psicólogo William Marston.

    Marston tinha sido contratado para trabalhar como um consultor pedagógico para os quadrinhos da National Publications e da All-American Publications, editoras comandadas pelo empresário Max Gaines que, cinco anos depois, seriam fundidas, dando origem à DC Comics.

    À época, os quadrinhos eram majoritariamente consumidos por crianças, por isso a preocupação em se ter um consultor pedagógico por perto.

    Marston, estando em meio a tantos super-heróis, quis criar um novo personagem, que fosse diferente do Batman e do Superman, que eram os mais populares entre o público.

    Em vez de resolver os problemas com a força bruta e com os punhos, Marston queria uma figura que enfrentasse os conflitos majoritariamente “por meio da verdade e do amor”. A esposa do psicólogo, então, sugeriu que, por isso, e de acordo com os estereótipos da época, ele criasse uma heroína. Com o passar dos anos, a ação se tornou mais recorrente nas histórias da personagem.

    A Mulher-Maravilha fez sua estreia em uma aparição na oitava edição da revista “All Star Comics”, de outubro de 1941, e passou a estrelar suas próprias histórias em janeiro do ano seguinte, na revista “Sensation Comics”.

    Desde então, a heroína se tornou uma das principais figuras da DC ao lado do Batman e do Superman.

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