3 boatos verificados na semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 28 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em sua terceira fase e conta com a colaboração 28 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, as eleições municipais de 2020 e a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

O Nexo selecionou, abaixo, três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

É falso que urnas eletrônicas são usadas em apenas três países

Uma publicação que viralizou no Facebook afirma que urnas eletrônicas são usadas apenas em 3 países – Brasil, Cuba e Venezuela –, insinuando uma relação entre o uso das urnas e a ocorrência de fraudes eleitorais. A afirmação, no entanto, é falsa.

Dados do Idea (Institute for Democracy and Electoral Assistance), organização internacional que realiza pesquisas sobre processos eleitorais, mostram que 45 países empregam dispositivos eletrônicos em votações – desses, 15 usam urnas eletrônicas similares às do Brasil. Ao contrário do que afirma a postagem, Cuba não faz uso de dispositivos eletrônicos em seus pleitos.

Também não existem provas de que as urnas eletrônicas favoreçam fraudes eleitorais. No Brasil, a Justiça Eleitoral lança mão de uma série de procedimentos e mecanismos para garantir a confiabilidade das urnas, como testes públicos de segurança e a cerimônia de votação paralela. Além disso, o software usado nos equipamentos conta com uma série de tecnologias que os conferem um alto padrão de segurança informacional.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o vídeo com informações falsas somava mais de 4.000 interações no Facebook.

A verificação foi realizada por O Povo, Jornal do Commercio e Nexo, e validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Vacinas não causam danos genéticos

Em um vídeo que circula nas redes sociais, um homem afirma que as vacinas em desenvolvimento contra o novo coronavírus que usam a técnica mRNA podem causar danos genéticos irreversíveis a quem for imunizado. Sem apresentar provas, o homem também diz que esses imunizantes conterão “nanopartículas de controle social” para monitorar a população.

A técnica mRNA consiste em usar o vírus desativado ou pedaços de proteínas do vírus na produção de vacinas. Em contato com esses fragmentos genéticos do vírus, o organismo humano é induzido a produzir anticorpos que o protegerão no caso de uma infecção. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), das 40 vacinas contra a covid-19 que estão em fase de ensaios clínicos, 5 utilizam essa técnica.

Para que possam ser ofertados à população, os imunizantes devem ter sua segurança e eficácia comprovadas por diversos testes, orientados por rigorosos métodos e protocolos científicos. Cristina Bonorino, professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e membro do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia, esclareceu, em entrevista, que biologicamente não existem evidências que vacinas possam causar danos genéticos e frisou que “no caso das vacinas de mRNA, tudo é transparente, tudo é publicado; os dados estão aí para serem analisados”.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o vídeo somava mais de 180 mil visualizações no YouTube e 56.200 compartilhamentos no Facebook.

A verificação foi realizada por rádio BandNews FM e Folha de S.Paulo, e validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Estudo distorce dados para relacionar menos mortes ao uso de hidroxicloroquina

Um tuíte afirmando que países que usaram a hidroxicloroquina registraram 75% menos óbitos, em comparação com aqueles que não adotaram o medicamento, viralizou nesta semana. De autoria de Arthur Weintraub, ex-assessor especial do presidente Jair Bolsonaro e irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, a postagem mostra os resultados de um estudo publicado no site norte-americano de extrema direita WND, que possui histórico de disseminar notícias falsas.

O estudo recebeu críticas de pesquisadores do Brasil e dos EUA. Segundo eles, os autores – que não se identificaram – não detalharam qual o tipo de tratamento com o medicamento os pacientes receberam e quais os protocolos adotados por cada país para seu uso. Além disso, nem todos os países foram analisados – o Brasil, por exemplo, que possui o segundo maior número de óbitos causados pela covid-19 e permite o uso do medicamento para o tratamento de casos leves da doença, não foi considerado no estudo.

Até o momento, não existem evidências científicas robustas que atestem a eficácia da hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19. Estudos realizados de acordo com o padrão ouro para pesquisa com medicamentos – que exige testes com grupos de controle e o uso de placebos – publicados no Journal of the American Medical Association e no British Medical Journal apontaram que pacientes tratados com cloroquina e hidroxicloroquina não tiveram melhores resultados que aqueles que não receberam esses medicamentos.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o tuíte de Weintraub somava 7.500 interações.

A verificação foi realizada por Poder360 e UOL, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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