1 milhão de mortes: quais os estágios da pandemia no mundo

Cerca de nove meses após registro do primeiro caso de covid-19, na China, poucos países conseguiram frear totalmente o contágio e vários dos que reduziram números temem uma segunda onda de infecções

A pandemia do novo coronavírus atingiu a marca de um milhão de mortes na segunda-feira (28), cerca de nove meses após o registro do primeiro caso da doença na China, no fim de 2019.

Na noite de segunda, o número total de óbitos ao redor do mundo era de 1.000.555, segundo o monitoramento da Universidade Johns Hopkins.

33,2 milhões

é o número total de casos de covid-19 no mundo até 28 de setembro

213

é o número de países e territórios afetados pela doença até 28 de setembro

O Brasil é o segundo país em que mais mortes foram registradas, com mais de 142 mil até 28 de setembro. Apenas os Estados Unidos ficam à frente, com mais de 205 mil óbitos. No total, o Brasil já registrou 4,7 milhões de casos de covid-19.

Abaixo, o Nexo lista pontos que ajudam a entender o momento atual da pandemia do novo coronavírus, decretada em março pela OMS (Organização Mundial da Saúde), ao redor do mundo.

Onde os números da covid-19 crescem

Desde o fim de agosto, a Índia é o país que mais registra novos casos diariamente, consolidando uma tendência de crescimento que começou em meados de junho.

O crescimento se deu pela combinação de fatores como o relaxamento das medidas de isolamento social e a diminuição do número de testes. Nesta segunda-feira (28), o país ultrapassou a marca dos 6 milhões de casos, se tornando o segundo país com mais infectados, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente do Brasil, o terceiro colocado em número de infecções.

Novas curvas de crescimento no número de casos foram registradas em países da Europa como o Reino Unido, França, Espanha e Bulgária. O temor é que o aumento no número de casos se consolide como uma tendência, formando uma segunda onda de infecções e mortes tão grande quanto aquela registrada no primeiro semestre do ano.

Os aumentos estão relacionados ao relaxamento das medidas de isolamento e distanciamento social, que conseguiram reduzir os números de casos e mortes após os primeiros meses da pandemia nessas regiões.

Onde a pandemia se mantém estável no alto

Brasil e Estados Unidos são os dois principais países nos quais a pandemia atingiu um platô há meses, sem registrar movimentos de queda significativos como os vistos em países da Europa após o pico da doença no primeiro semestre.

No Brasil, desde o fim de maio, entre de 500 e 1.000 pessoas morrem todos os dias pela covid-19, com variações para mais ou menos em determinados períodos. O número de novos óbitos diários vem caindo, mas a média entre os dias 20 e 27 de setembro ainda foi de 697.

Nos EUA, também desde o fim de maio, entre 400 a 800 pessoas morrem diariamente pela doença, com variações mais frequentes para mais ou menos. A média entre os dias 20 e 27 de setembro foi de 801 óbitos diários.

De dimensões continentais, os dois países enfrentam crises com intensidades diferentes dependendo da região analisada. Ou seja, o vírus não atua de forma homogênea em todo seu território. Os governos de Donald Trump, nos EUA, e de Jair Bolsonaro, no Brasil, também deixaram a definição de políticas sanitárias a cargo de governantes locais, abdicando de uma estratégia nacional organizada de enfrentamento à doença.

Onde a pandemia foi contida

Em alguns países, medidas incisivas de isolamento e distanciamento social fizeram com que o avanço do vírus fosse contido e um número baixo de infecções e mortes fosse registrado.

É o caso do Vietnã, que até 28 de setembro registrou 1.077 casos da doença, com apenas 35 mortes. O país, que faz fronteira com a China, primeiro epicentro da doença, optou por fazer um isolamento social rígido de 20 dias na capital Hanói a partir de 12 de fevereiro, quando tinham sido registrados apenas sete casos de covid-19.

Entre o fim de março e a primeira metade de abril, o Vietnã passou por três semanas de isolamento social rígido por todo o país, o que controlou o avanço do vírus. Desde então, com exceção das fronteiras fechadas ao exterior, a vida no Vietnã voltou ao normal.

Algo similar aconteceu na Nova Zelândia, que até 28 de setembro tinha registrado 1.833 casos com 25 mortes. O governo da primeira-ministra Jacinda Ardern também optou por medidas incisivas de isolamento e distanciamento social que se mostraram efetivas para conter o avanço do vírus nas ilhas que formam o território do país.

O Uruguai também foi considerado exemplo no combate ao vírus. Lá, em vez das amplas medidas obrigatórias de isolamento, o governo optou por realizar uma grande quantidade de testes a fim de identificar precocemente os infectados e as pessoas em seu entorno.

Houve também um grande esforço de comunicação do governo, que trabalhou para conscientizar a população dos riscos de aglomeração e da necessidade das medidas individuais de higiene e proteção. Até 28 de setembro de 2020, o Uruguai tinha registrado 2.008 casos com 47 mortes.

Quais as projeções para o futuro

Um estudo publicado no dia 3 de setembro pela Universidade de Washington, nos EUA, projeta um “dezembro mortalem 2020, capaz de elevar o número de mortos pela pandemia da covid-19 no mundo para até 4 milhões.

Esse crescimento corresponde à projeção do “pior cenário” possível. Esse cenário seria caracterizado pela manutenção do uso de máscaras nos moldes atuais – que em muitos países deixou de ser obrigatório ou disseminado – e pelo relaxamento das medidas de distanciamento social ao redor do mundo.

O estudo projeta ainda outros dois cenários, nos quais a adoção de medidas sanitárias mais rígidas poderiam amenizar esse “dezembro mortal”.

No melhor cenário projetado, as mortes por covid-19 alcançariam dois milhões até o fim do ano.

Para que isso acontecesse, seria necessário que o uso de máscara se tornasse “quase universal” e os governos impusessem regras severas de distanciamento social toda vez que o número de mortos chegasse a 8 por milhão em seus países. A média global em 28 de setembro era de 4 por milhão. Nos EUA e no Brasil, na mesma data, era de 22 por milhão.

Qual o estado do desenvolvimento das vacinas

Ao todo, são 169 vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento. Dessas, 26 já estão sendo testadas em humanos.

A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca é considerada uma das mais promissoras – ela está sendo testada no Brasil, por meio de uma parceria entre o time de desenvolvimento e a Fundação Oswaldo Cruz, ligada ao Ministério da Saúde.

Ela usa uma versão enfraquecida de um vírus comum de resfriado (adenovírus) que atinge chimpanzés. Esse adenovírus recebeu o material genético do Sars-CoV-2, nome dado ao novo coronavírus, e não consegue se reproduzir em humanos, mas produz uma proteína que desencadeia as reações de defesa do organismo.

Essa defesa ocorre por meio das células T, que são capazes de matar outras células já infectadas pelos vírus e podem ter uma memória de infecções anteriores durante décadas. Andrew Pollard, professor da Universidade de Oxford e principal autor do estudo, disse que, como a vacina induz uma resposta celular, os pesquisadores esperam que ela possa “proteger as pessoas por um longo período”.

Os pesquisadores ressaltam que, nas fases 1 e 2, entre abril e maio, o imunizante foi aplicado em 1.077 voluntários saudáveis, de 18 a 55 anos, num ambiente controlado. Falta saber como a vacina vai funcionar em larga escala e qual a dose necessária para proteger todas as pessoas. Por isso, dizem, o caminho até a chegada da vacina ainda é longo.

A fase 3, com mais de 50 mil voluntários, está em andamento também no Brasil, onde os testes são feitos em 5.000 pessoas pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em São Paulo, e pela Rede D'Or, no Rio de Janeiro.

Produzida pela China, a vacina Sinovac também está entre as mais avançadas no desenvolvimento. Diferentemente da fórmula britânica, o imunizante usa o próprio Sars-CoV-2 inativado.

Nesse tipo de imunizante, os vírus inativados precisam estar acompanhados dos chamados adjuvantes, substâncias que ajudam a alertar o sistema imunológico para a presença do agente causador da doença. Essa fórmula é parecida com vacinas já produzidas contra a raiva, por exemplo.

Os resultados dos testes no Brasil estão previstos para alguma data até dezembro. No dia 21 de setembro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que toda a população do estado estará vacinada até fevereiro de 2021, uma projeção otimista.

Dois dias depois, Doria divulgou um estudo que demonstrou a segurança do imunizante durante as fases de testes.

As previsões acerca de quando uma vacina estará pronta são variadas e não há um consenso. Algumas dizem que em dezembro uma fórmula já poderá ser aplicada; outras afirmam que em um cenário otimista, um imunizante estaria pronto em junho de 2021. O tempo levado para desenvolver a vacina contra a caxumba na década de 1960, quatro anos, é o processo mais rápido da história.

O desenvolvimento não é o único fator que pesa na corrida das vacinas. Distribuir o imunizante para a população tem uma série de desafios logísticos que podem aumentar a espera.

O que fazer enquanto a vacina não chega

É consenso na comunidade científica que a pandemia só poderá ser verdadeiramente controlada quando houver uma vacina eficiente contra a covid-19. Enquanto isso não acontece, a OMS (Organização Mundial da Saúde) mantém o mesmo posicionamento desde março: o mais seguro é ficar em casa e diminuir as chances de ser exposto ao vírus.

Caso saia de casa, a recomendação é usar máscaras, lavar as mãos frequentemente, cobrir a boca e o nariz em caso de tosse ou espirro, evitar o contato das mãos com o rosto e evitar aglomerações.

No caso de governos e autoridades sanitárias dos países, a recomendação da OMS é para fazer a testagem em massa, isolar os infectados do restante da população, rastrear as pessoas com quem eles tiveram contato, minimizar aglomerações e, acima de tudo, tomar decisões com base em evidências científicas e dados concretos.

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