Quais ocupações serão mais demandadas no pós-pandemia, segundo o Senai

Estudo sobre atividades técnicas prevê um mercado aquecido para as áreas de tecnologia e logística. Novas funções devem surgir para atender a mudanças de comportamento de pessoas e empresas

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    Um estudo do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) publicado nesta segunda-feira (21) analisou o uso de tecnologias no ambiente profissional e as possíveis mudanças na estrutura organizacional das empresas para projetar como estará o mercado de trabalho para as atividades técnicas depois da pandemia.

    Uma das previsões é a de que programadores multimídia e técnicos em mecatrônica e automação industrial se tornarão mais demandados, para dar conta do aumento no uso dos ambientes virtuais – tendência que têm se intensificado em setores como os de entretenimento, com as lives de artistas, e a medicina, com consultas e operações a distância.

    Novas ocupações também deverão surgir nesse contexto, como a de analista de soluções de alta conectividade, especializado na estrutura 5G de internet – a quinta geração da tecnologia sem fio, mais veloz. O governo federal planeja o leilão das frequências da nova estrutura para 2021.

    “A pandemia intensificou, de forma dramática, esse processo de atualização tecnológica, o que deve antecipar para 2021 e anos seguintes uma demanda que estava prevista para daqui a cinco ou dez anos”

    Rafael Lucchesi

    diretor-geral do Senai

    O estudo, elaborado por comitês técnicos setoriais, foi feito a partir da consulta a representantes de empresas e de universidades, numa metodologia já avaliada como bem sucedida pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). O objetivo da iniciativa é dar subsídio para a preparação de novos desenhos curriculares pelo Brasil.

    Abaixo, o Nexo lista as tendências apontadas pelo Senai e quais áreas profissionais podem surgir ou se aquecer em decorrência delas.

    A manutenção das atividades remotas

    Entre as adaptações da pandemia que devem transformar o mercado de trabalho está a adoção mais ampla do home office entre funções que permitem esse arranjo. O trabalho em casa, modelo que enfrentava resistência em muitas empresas, se mostrou um caminho viável para manter as atividades e reduzir a circulação de pessoas nas cidades, uma necessidade para frear o avanço do novo coronavírus.

    O trabalho a distância dá sinais de que irá perdurar depois do fim da pandemia. Além das questões sanitárias, a adoção do home office durante todo o tempo ou em alguns dias da semana permite a redução do espaço físico das empresas e constitui uma oportunidade para cortar custos operacionais.

    90%

    das empresas que adotaram mudanças por causa da pandemia alteraram seu modo de operação, o que inclui a adoção da prática de home office, segundo um levantamento do Ibre/FGV

    56%

    das empresas que adotaram mudanças devem manter integral ou parcialmente as alterações no pós-pandemia, segundo o Ibre/FGV

    A Petrobras, por exemplo, que emprega mais de 28 mil funcionários administrativos pelo Brasil, anunciou no final de agosto o plano de adotar de forma permanente o modelo de trabalho remoto, por até três dias na semana, caso seja de interesse do funcionário. Também há um movimento de diversas empresas desocupando escritórios alugados.

    Segundo o Senai, isso deve levar à criação de uma nova profissão, a do orientador de trabalho remoto. Esse especialista ajudaria os funcionários a, por exemplo, se adequar às ferramentas de informática e às rotinas do teletrabalho, bem como a adotar medidas para garantir saúde física e mental.

    As atividades remotas também prometem continuar no ensino. Nesse âmbito, o Senai prevê o surgimento da ocupação de desenvolvedor de aulas para a educação a distância e online. Além do conhecimento específico da disciplina a ser oferecida, desse profissional será exigido saber lidar com tecnologias como realidade virtual e aumentada, inteligência artificial e impressão 3D.

    A popularização das compras online

    A intensificação das compras pela internet deve continuar no mundo pós-pandemia. Um estudo publicado pelo Instituto Locomotiva em julho de 2020 revelou que muitos consumidores não pretendem deixar o e-commerce para trás.

    41%

    dos entrevistados que frequentavam lojas de departamento e shopping centers afirmaram que não fazem mais questão de ir às lojas físicas depois da pandemia

    Nesse contexto, empresas precisarão investir em profissionais que trabalhem com segurança digital, para evitar fraudes e vazamento de dados. Essa é uma área que já sofre com a escassez de pessoas qualificadas e que deverá ter sua demanda ainda mais incrementada com a entrada em vigor das sanções administrativas previstas pela Lei Geral de Proteção de Dados, em agosto de 2021.

    600 mil

    era o déficit de profissionais da segurança digital na América Latina em novembro de 2019, segundo um relatório da (ISC)², organização especializada no tema

    Do primeiro semestre de 2019 ao primeiro semestre de 2020, quando já estavam em curso as quarentenas e o maior uso dos serviços digitais, os vazamentos de dados, os vírus digitais e os golpes na internet praticamente dobraram, segundo um estudo da empresa New Space, especializada em segurança cibernética.

    Outra necessidade das corporações, segundo o Senai, será a de incrementar seu sistema logístico e dar maior transparência aos seus processos, para aproveitar da forma mais eficiente a alta demanda. É um cenário que abre espaço para profissionais que trabalhem com a chamada Logística 4.0. Trata-se da combinação entre logística, que passa pelo monitoramento da oferta de suprimentos e pela identificação da demanda pelos produtos fabricados, e uso das inovações tecnológicas, como softwares para a gestão de dados em tempo real.

    As novas cadeias de produção

    De acordo com o estudo do Senai, outra mudança impulsionada pela pandemia se dará sobre a organização das cadeias de suprimentos. Com o arrefecimento do comércio internacional durante a pandemia, empresas viram ser possível produzir peças simples que até então eram importadas, por meio da impressão 3D. É um contexto que favorece a demanda por especialistas na área.

    A consolidação do aumento da preocupação sanitária também está no horizonte. Deve crescer, portanto, a demanda por profissionais especializados em normas e legislações nacionais e internacionais para orientar a adequação dos fluxos produtivos e dos produtos às novas exigências.

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