3 boatos verificados na semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 28 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

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As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em sua terceira fase e conta com a colaboração 28 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, as eleições municipais de 2020 e a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

O Nexo selecionou, abaixo, três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

Ao contrário do que afirmam posts, ação de brigadistas do ICMBio objetiva controlar os incêndios no Pantanal

Em postagens que viralizaram nas redes sociais nas últimas semanas, brigadistas do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) são acusados de provocar incêndios no Pantanal. Os posts são acompanhados de um vídeo em que uma equipe do instituto anda por uma área de vegetação rasteira, queimando pequenos trechos de pasto seco. Ao fundo, ouve-se a voz de um homem afirmando que os brigadistas, em vez de controlar os incêndios na região, estavam contribuindo para sua expansão. A afirmação, no entanto, é falsa.

Em nota, o ICMBio explicou que o vídeo mostra uma ação de combate indireto das chamas conhecida como “queima de expansão”, realizada nos dias 12 e 13 de setembro na cidade de Cáceres (MT). A “queima de expansão” é um procedimento que consiste em queimar pequenas áreas, de modo planejado e monitorado, para eliminar a vegetação seca que pode servir de combustível para um eventual incêndio.

O emprego desta técnica está previsto no Código Florestal Brasileiro como parte das estratégias de conservação das vegetações nativas. O procedimento também é usado em outros países como Chile, Argentina e Espanha.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o vídeo somava mais de 8.000 visualizações no Facebook e no Twitter.

A verificação foi realizada por Gaúcha ZH, AFP e Correio do Estado, e validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

É falso que jovens morreram após receberem doses de uma possível vacina contra a covid-19

Em uma transmissão que ficou gravada no YouTube, uma mulher afirma que três jovens brasileiros teriam morrido após receberem doses de uma das vacinas contra a covid-19 que estão em testes no país. Sem apresentar qualquer prova, ela diz que os jovens tinham menos de 18 anos e teriam recebido o imunizante para poder viajar ao exterior.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que autoriza as pesquisas clínicas com imunizantes no país, informou que — até o momento — não foram constatados óbitos, ou reações adversas graves, no contexto dos testes com as possíveis vacinas contra a covid-19 que ocorrem no Brasil. O órgão também esclareceu que vacinas em fase de testes não podem ser exigidas como pré-requisito para viagens ao exterior, e que apenas maiores de idade podem participar dos estudos.

O coordenador da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), Jorge Venâncio, explicou que menores de 18 anos participam de testes somente quando os exames em pessoas adultas não são suficientes ou em situações em que o objeto de estudo (um medicamento ou uma vacina) é próprio desse grupo etário. Venâncio frisou que, para essas pesquisas, são exigidos o consentimento dos pais e do jovem, e o cumprimento rigoroso de todos os critérios de segurança.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o vídeo somava mais de 97 mil visualizações no YouTube e 11.350 interações no Facebook

A verificação foi realizada por Folha de S.Paulo e Poder360, e validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Foto retirada de seu contexto original é usada para acusar ONGs de incêndios na Amazônia

Nas últimas semanas viralizou no Facebook um post acompanhado de uma fotografia que acusa ONGs de serem responsáveis pelas queimadas na Amazônia. A imagem, que mostra indígenas detendo três homens, é acompanhada de uma legenda afirmando que os detidos estariam envolvidos nos incêndios na região e seriam membros de organizações não governamentais. Não é esse, porém, o contexto original da foto.

A imagem — feita pelo fotógrafo gaúcho Lunaé Parracho para a agência Reuters, em setembro de 2014 — mostra uma operação realizada por indígenas da etnia Ka’apor contra a exploração ilegal de madeira na terra indígena Alto Turiaçu, no Maranhão. De acordo com Parracho, a operação se deu como uma resposta à falta de assistência do governo para acabar com a ação dos madeireiros.

A fotografia faz parte de uma série chamada “Guerreiros da Amazônia lutam contra madeireiros”, que foi premiada no China International Press Photo Contest em 2015. A imagem retirada de seu contexto original já havia viralizado em agosto de 2019, após o presidente Jair Bolsonaro sugerir que ONGs estariam provocando queimadas na região amazônica para fazer oposição ao seu governo.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o post havia sido compartilhado 91 mil vezes.

A verificação foi realizada por Folha de S.Paulo, Uol e O Estado de S. Paulo, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

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