Os testes para uma vacina inalável contra a covid-19

Tecnologia, que também é estudada por brasileiros, será aplicada em grupo de 30 pessoas no Reino Unido para medir eficácia e segurança de alternativa à imunização injetável

    Pesquisadores do Reino Unido anunciaram na segunda-feira (14) que irão testar versões inaláveis das vacinas contra a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em desenvolvimento pelo Imperial College de Londres e pela Universidade de Oxford.

    A hipótese é que vacinas administradas por essa via podem ser capazes de produzir uma reação mais especializada e eficaz, induzindo uma resposta imunológica direta no trato respiratório – principal canal de entrada do Sars-CoV-2, nome do novo coronavírus, no organismo.

    Uma vez que a doença é causada por um vírus respiratório que infecta pessoas principalmente através das células da mucosa nasal, da garganta e dos pulmões, os pesquisadores desejam investigar os efeitos da resposta imunológica específica produzida por essas superfícies.

    Até o momento, os testes clínicos das duas vacinas britânicas vêm sendo feitos por meio de injeção intramuscular. No estudo a ser realizado com a vacina inalável, um grupo de 30 pessoas receberá a dose por meio de um nebulizador que administrará a vacina em gotículas aerossolizadas através de um bocal.

    As vacinas britânicas

    As duas vacinas britânicas que serão testadas por essa nova via estão em fase de testes clínicos em seres humanos. É a etapa final do desenvolvimento da vacina, após a qual, se os testes tiverem êxito, ela pode ser registrada, fabricada e disponibilizada à população.

    A vacina de Oxford, desenvolvida em parceria com a empresa farmacêutica AstraZeneca, está mais adiantada em relação à do Imperial College. Ela também está sendo produzida e testada (pela via injetável) no Brasil, por meio de uma parceria firmada em junho com o Ministério da Saúde brasileiro.

    Os testes chegaram a ser interrompidos em 8 de setembro após uma voluntária apresentar possíveis reações adversas sérias, mas já foram retomados no Reino Unido e no Brasil com a autorização de órgãos reguladores dos dois países.

    O spray nasal das universidades brasileiras

    Cientistas da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) vêm trabalhando desde o primeiro semestre de 2020 no desenvolvimento de uma vacina por spray nasal contra a covid-19.

    A vacina está atualmente em fase de testes pré-clínicos em camundongos. Em seguida, irá para a etapa de escalonamento da produção, que tem por objetivo testar se a vacina pode ser produzida em maior escala para ser lançada comercialmente.

    Se essa etapa for atravessada com sucesso, os testes com seres humanos estão previstos para começar em janeiro ou fevereiro de 2021.

    A imunização via spray nasal já foi usada em países como os Estados Unidos contra a gripe H1N1.

    Embora distinta da forma de administração que será testada pelos britânicos, a vacina em spray nasal desenvolvida pelas universidades paulistas também aposta na eficácia da aplicação da vacina nas mucosas das vias aéreas.

    O Nexo lista abaixo algumas vantagens desta via elencadas por pesquisadores:

    • Maior aceitação da população em relação à via injetável;
    • Menos reações e efeitos colaterais;
    • Imunização da mucosa nasal, capacidade de “bloquear” o vírus logo nas vias respiratórias, antes de chegar aos pulmões.

    A busca pela vacina no mundo

    A pandemia de covid-19 deflagrou uma corrida sem precedentes pelo desenvolvimento de uma vacina. Há, atualmente, mais de 150 candidatas, fruto do trabalho de laboratórios farmacêuticos e institutos de pesquisa de diferentes países.

    Além das já citadas vacinas britânicas, outra das principais candidatas é a do laboratório chinês Sinovac. Resultados de testes preliminares divulgados em 7 de setembro indicaram que, embora segura, a vacina chinesa desencadeou uma resposta imunológica um pouco mais fraca em idosos. Ela também já está sendo testada no Brasil, em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo do estado de São Paulo.

    Já a vacina Sputnik V, produzida pelo Instituto Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia da Rússia, já teve um primeiro lote liberado no início de setembro para a população russa. O país foi o primeiro do mundo a registrar uma vacina contra a covid-19. Mas isso foi feito sem que a última fase de testes fosse concluída, o que gera preocupação de cientistas.

    Também se encontra na fase final de testes a vacina produzida pela farmacêutica americana Moderna, que já apresentou resultados preliminares positivos quanto à capacidade de imunização.

    De maneira geral, o processo de desenvolvimento de vacinas é demorado e incerto. A Organização Mundial da Saúde já alertou que uma “bala de prata” contra a covid-19 – uma solução altamente eficiente, capaz de pôr fim à pandemia – pode nunca existir.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante? x

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: