O museu digital com obras de arte sobre a pandemia

No Instagram, o Covid Art Museum reúne trabalhos de artistas de todo o mundo. Expressões artísticas ajudam a promover saúde mental e bem-estar em contexto de distanciamento social

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    Três publicitários da Espanha lançaram em 19 de março o Covid Art Museum, um perfil no Instagram colaborativo que reúne obras de arte sobre a pandemia do novo coronavírus.

    Artistas do mundo todo podem submeter suas peças por meio de um formulário disponível na descrição da página. Há obras de todos os tipos, publicadas diariamente, como pinturas, ilustrações, fotografias, instalações, peças de design, vídeo-arte, etc.

    Os trabalhos refletem a vida em quarentena, o medo da contaminação, a saudade do contato físico, o desgaste de profissionais de saúde, a solidariedade em tempos difíceis, entre outros. Ao enviar a peça, o artista descreve qual sentimento motivou a sua criação, o que muitas vezes é compartilhado junto à postagem.

    O Covid Art Museum diz ser o “primeiro museu digital de arte nascido durante a crise de covid-19”. Até o dia 27 de agosto, o perfil era seguido por mais de 130 mil pessoas.

    Como surgiu a ideia da página

    A ideia partiu de Emma Calvo, José Guerrero e Irene Llorca, que trabalham como publicitários em Barcelona, na Espanha. Com o anúncio das primeiras quarentenas pelo mundo, em março, vários artistas começaram a fazer arte e publicá-las em redes sociais próprias. Daí a ideia de reunir todas em um espaço.

    Ao site ArtsLife, o trio disse que um dos principais objetivos era arquivar, através da arte, um sentimento coletivo avassalador e expor como as pessoas encontraram novas formas de se expressar em quarentena. Ao site Lowercase, eles afirmam que as peças são importantes documentos de como as pessoas viveram e superaram os tempos de isolamento.

    No futuro, com o controle do vírus, os criadores dizem que pretendem exibir alguns dos trabalhos em uma exposição física ou mesmo compilá-los em um livro digital. Eles consideram, no entanto, que a digitalização da arte, promovida pelo tempo de distanciamento social, veio para ficar e agregar à experiência presencial de apreciação.

    Vários artistas relataram ao trio, por exemplo, algumas adaptações as quais tiveram que se submeter, como o fotógrafo de modelos que passou a fazer suas sessões via webcam.

    A arte e a saúde

    O efeito benéfico da arte contra medo e preocupações também serviu de motivação para o projeto, segundo os criadores. A expressão desses sentimentos, para eles, é uma forma de escapar da realidade atual. Estudos apontam que a arte é uma aliada no combate a doenças mentais, que foram agravadas no contexto da pandemia.

    Diversas pesquisas apontam a importância da arte para a melhora da saúde, com funções muitas vezes terapêuticas. A chamada “arteterapia”, campo da psicoterapia, aplica técnicas artísticas, como dança e pintura, no combate a quadros de ansiedade e depressão.

    A neurociência também endossa a relação entre arte e bem-estar. Na neuroestética, que estuda como o cérebro responde a expressões artísticas, cientistas colhem sinais nervosos, em imagens e gráficos, de como a arte pode induzir estados mentais positivos ou promover respostas adaptativas ao estresse.

    Em epidemias, a arte também serve para alertar as pessoas dos riscos, sintomas e prevenção contra a transmissão de doenças. Um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) cita a importância da comunicação via arte, seja por novelas, músicas de rap, peças de teatro ou várias outras expressões, durante os surtos de ebola e HIV.

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