3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 28 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em sua terceira fase e conta com a colaboração 28 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, as eleições municipais de 2020 e a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Na semana em que o Brasil superou a marca de 3,5 milhões de casos da covid-19, o Nexo selecionou três verificações feitas pelo Comprova sobre a pandemia. Confira:

Assessor de Bolsonaro usa dado desatualizado para insinuar fraude no registro de óbitos causados pela covid-19

Arthur Weintraub, assessor especial de Jair Bolsonaro e irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, usou um dado desatualizado para insinuar uma fraude no registro de óbitos causados pela covid-19 em uma publicação no Twitter. A postagem foi feita dois dias após a informação ter sido corrigida.

Na publicação, Weintraub comenta uma nota, de 12 de agosto, em que a Secretaria Municipal de Saúde e Meio Ambiente de Paulistana (PI) noticia o primeiro óbito por covid-19 no município, para sugerir que haveria uma super-notificação da doença no Brasil. A nota informa a morte de um homem que sofreu um grave acidente de trânsito e que, no hospital, foi diagnosticado com o novo coronavírus — o que representou um agravante em seu quadro clínico. Naquele momento, o óbito somou-se aos registros de mortes causadas pela covid-19 no estado do Piauí.

Em 14 de agosto, o registro do óbito foi alterado, passando a integrar as estatísticas de mortes causadas por acidente de trânsito. A assessoria da Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelos dados da pandemia no estado, explicou que a alteração se deu porque, apesar de ter sido diagnosticado com a covid-19, a causa principal da morte foi um traumatismo cranioencefálico decorrente do acidente.

Na data da postagem de Weintraub, 16 de agosto, o óbito não constava mais nos registros oficiais da pandemia no estado. A prefeitura de Paulistana também já havia comunicado a mudança por meio de outra nota.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o texto somava 10 mil interações no Twitter.

A verificação foi realizada por Nexo, UOL e Jornal do Commercio, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Estudo da USP não atesta a eficácia da hidroxicloroquina

Um texto publicado pelo blog Quinina engana ao afirmar que uma pesquisa desenvolvida na USP (Universidade de São Paulo) confirma a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com a covid-19. A publicação distorce dados de um estudo, ainda não concluído, que investiga os possíveis benefícios da colchicina na recuperação desses pacientes.

Os voluntários que participaram da primeira fase da pesquisa, realizada entre os meses de abril e junho de 2020, foram divididos aleatoriamente em dois grupos — ambos receberam o tratamento padrão do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto para covid-19. Adicionalmente, um deles recebeu a colchicina, um remédio tradicionalmente usado para tratar a gota, e o outro, placebo. À época, o protocolo terapêutico padrão do hospital incluía, entre outros medicamentos, a hidroxicloroquina.

O médico e professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Paulo Louzada Junior, um dos responsáveis pelo estudo, explicou que, como todos os participantes receberam a hidroxicloroquina, não é possível mensurar seu impacto no tratamento. Segundo o médico, “o que pode ser dito, e de fato é dito no artigo, é que não houve evento adverso grave (arritmia, por exemplo) pelo uso combinado dessas medicações [hidroxicloroquina e colchicina]”.

A conclusão da primeira fase da pesquisa apontou que o grupo de pacientes que recebeu a colchicina teve uma redução do tempo de internação e de uso de oxigênio complementar, quando em comparação com outro grupo. Louzada reforçou que os resultados têm relação apenas com os impactos da adição do medicamento ao tratamento da covid-19, e destacou que a hidroxicloroquina deixou de integrar o protocolo terapêutico padrão do hospital.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o texto do blog Quinino havia sido compartilhado 385 vezes no Facebook. O procurador da República Ailton Benedito postou o texto no Twitter, ampliando seu alcance nas redes sociais.

A verificação foi realizada por GaúchaZH e O Estado de S. Paulo, e validada por outros veículos incluindo o Nexo. Veja a verificação na íntegra.

Testes em humanos são necessários para o desenvolvimento de uma vacina

Um post que viralizou no Facebook afirma ser antiético realizar testes de vacinas contra a covid-19 em humanos. O autor diz que, ao receber o imunizante, os voluntários contrairão a doença para qual, até o momento, não se tem tratamento. A postagem desinforma ao omitir que as vacinas em teste contêm uma forma enfraquecida, inativada ou geneticamente modificada do vírus, o que impossibilita o desenvolvimento da doença.

O post também não leva em consideração que, para serem realizados, os testes em humanos devem passar pela aprovação da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa). Em linhas gerais, o órgão avalia os riscos envolvidos e se o livre consentimento dos voluntários é respeitado.

Especialistas e autoridades sanitárias são unânimes em afirmar que os testes em humanos são indispensáveis para garantir a eficácia e a segurança de uma vacina. É por meio deles que se pode auferir se o imunizante não causa efeitos colaterais graves e se ele é capaz de preparar o sistema imunológico para combater uma eventual infecção.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, a postagem somava mais de 6 mil interações no Facebook.

A verificação foi realizada por O Estado de S. Paulo e GaúchaZH, e validada por outros veículos, incluindo o Nexo. Veja a verificação na íntegra.

Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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