3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 28 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em sua terceira fase e conta com a colaboração 28 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, as eleições municipais de 2020 e a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Devido ao cenário crítico do país em relação ao controle da doença, a checagem de fatos sobre a pandemia adquiriu um nível de importância ainda maior, uma vez que a desinformação afeta diretamente a saúde das pessoas. Nesse sentido, tem havido uma prevalência de checagens sobre o assunto.

O Nexo selecionou, abaixo, três verificações da semana sobre a pandemia.

É falso que a cloroquina teria salvado 100 mil vidas no Brasil, como afirmou Bolsonaro

No dia 13 de agosto, durante um evento no Pará, o presidente Jair Bolsonaro fez afirmações falsas sobre a covid-19. Bolsonaro disse que as mais de 100 mil mortes por covid-19 no Brasil poderiam ter sido evitadas caso houvesse o uso precoce da cloroquina e do seu derivado, a hidroxicloroquina. O presidente, que foi diagnosticado com a doença e disse ter tomado os medicamentos, afirmou ter sido a prova viva de que deu certo. Um texto publicado no site Pública Brasil repercutiu a fala de Bolsonaro no mesmo dia e teve 1.600 interações em menos de 24 horas.

Bolsonaro relatou ter tido sintomas leves da covid-19. Pacientes com casos assim costumam levar entre uma e duas semanas para desenvolver anticorpos e se curar da doença, sem a necessidade de medicamento específico. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 80% das pessoas com covid-19 apresentam sintomas leves ou são assintomáticas.

Não há comprovação científica de que a cloroquina ou a hidroxicloroquina sejam eficientes no tratamento da covid-19. A OMS (Organização Mundial da Saúde) cancelou os estudos com os remédios e a Sociedade Brasileira de Infectologia, em nota, disse que é “urgente e necessário que a hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento de qualquer fase da covid-19”.

A verificação foi realizada por SBT e Uol e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Senador usa falas antigas de Drauzio Varella para minimizar a gravidade da pandemia

Um vídeo postado na página do Facebook do senador Marcos do Val (Podemos-ES) tirou de contexto uma fala do médico Drauzio Varella para minimizar a gravidade da pandemia. O post traz declarações feitas por Varella em janeiro, quando o epicentro da doença ainda era a China e o segundo país com mais casos no mundo, a Tailândia, tinha apenas 14 infectados. O conteúdo omite que o médico já afirmou publicamente ter subestimado a doença e que atualmente se posiciona de maneira contrária.

Essas declarações de Varella já haviam viralizado em 22 de março, quando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o senador Flávio Bolsonaro compartilharam o conteúdo sem especificar a data em que ele foi gravado. Esse episódio levou a equipe do médico a retirar o vídeo do ar. O Twitter apagou as publicações de Salles na época e o ministro chegou a pedir desculpas publicamente, afirmando que não tinha o objetivo de desinformar.

A verificação foi realizada por Nexo e Jornal do Commercio e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

É falso que cápsulas de cloroquina vazias foram distribuídas por prefeitos para provar ineficácia do remédio

Uma publicação feita no Facebook afirma que cápsulas de cloroquina vazias foram distribuídas por prefeitos para “provar que o medicamento não tem eficácia contra a covid-19”. O conteúdo é acompanhado de uma foto de uma cápsula de remédio aberta. A imagem é, na verdade, parte de um vídeo feito sobre um caso ocorrido no município de Pontes e Lacerda, no Mato Grosso. A gravação foi feita por uma mulher que recebeu ivermectina, não cloroquina, no hospital privado Vale do Guaporé.

A administradora do hospital, Claudenice Luiza Lima, afirmou que a mulher que gravou o vídeo não entrou em contato com a instituição, portanto não tiveram acesso à cápsula em questão para analisá-la. Lima relatou que a equipe “abriu outras caixas de medicamento e não encontrou cápsulas com defeito” e que o laboratório onde os medicamentos foram comprados afirmou “não haver possibilidade de a cápsula ter ficado vazia, porque o processo é automatizado”.

O conteúdo que viralizou no Facebook culpa os prefeitos pela distribuição das cápsulas vazias. Porém, o Hospital Vale do Guaporé fechou uma parceria com empresários locais para a distribuição de ivermectina como profilaxia contra a covid-19, mesmo sem eficácia comprovada. Coordenadores da ação disseram que o projeto não recebeu dinheiro público.

O conteúdo falso foi compartilhado milhares de vezes nas redes sociais desde o dia 7 de agosto. A postagem acompanha uma captura de tela de celular que sugerem que ela teria sido feita pela conta @blogdojefferson no Twitter, um dos perfis de Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Nas redes sociais dele não há registros desse post. Jefferson, porém, está impedido de postar com esse perfil desde o fim de julho por uma determinação judicial relacionada ao inquérito das fake news. A assessoria do político afirmou que ele não fez essa publicação e que se trata de uma montagem.

A verificação foi realizada pela AFP, Estadão e Uol e foi validada por outros veículos, incluindo o Nexo. Veja a verificação na íntegra.

Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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