Como é assistir a um show mantendo o distanciamento social

Apresentação musical na Inglaterra, anunciada como primeira iniciativa do tipo na pandemia, contou com plataformas afastadas para o público

    No palco, um show de rock. No gramado, fãs divididos em pequenas cercados, espalhados a uma distância segura um do outro. Eis a experiência de assistir a música ao vivo na era da pandemia.

    As cenas aconteceram na terça-feira (11) na Virgin Money Unity Arena em Newcastle, Inglaterra. O local de eventos se anuncia como o primeiro espaço para shows com distanciamento social do mundo.

    Diferentemente dos diversos shows drive-in que têm acontecido em alguns países, no show em Newcastle as pessoas entram a pé e não dentro de carros. Vídeos e fotos do evento viralizaram nas redes sociais.

    Segundo os procedimentos informados no site da arena, ingressos só podiam ser comprados online. Bebidas e comidas deveriam ser reservadas com antecedência. Para cada cercado, no máximo cinco pessoas, que tinham de ser amigos ou familiares para evitar contatos com terceiros.

    Para chegar e ir embora de seu cercado, frequentadores tinham de ser acompanhados por pessoas da equipe do show. No estacionamento e na fila de entrada, foi necessário obedecer o distanciamento. Funcionários têm de usar máscaras, mas o público não.

    O ingresso custou 32,50 libras, o equivalente a R$ 227,50 (na cotação de 13 de agosto de 2020). Segundo a organização, embora o espaço possa conter até 20 mil pessoas em situações normais, a nova lotação foi estipulada em 2.500 pessoas. Uma cota de ingressos será doada para funcionários do sistema público de saúde britânico.

    Os primeiros shows do espaço foram do músico local Sam Fender, com ingressos esgotados. Há uma série de outros artistas programados para as próximas semanas, incluindo Van Morrison, Two Door Cinema Club, The Libertines e Maximo Park.

    As tentativas de voltar

    Dependente de público presencial, o setor cultural foi duramente atingido pela pandemia. Com shows musicais, a situação é ainda mais complicada pois são eventos caracterizados por aglomerações. Festivais de grande porte foram cancelados e espaços de médio e pequeno porte não podem funcionar.

    Nos EUA, a receita da Live Nation, uma das maiores produtoras de shows do mundo, despencou 98% no segundo trimestre de 2020 por causa dos cancelamentos de eventos. Um levantamento da conferência musical SIM São Paulo realizado em março de 2020 calculou um prejuízo de R$ 442 milhões devido ao cancelamento de centenas de eventos em todo o Brasil.

    Uma modalidade que vem sendo tentada em diversas cidades são os shows drive-in, onde frequentadores assistem de dentro do carro. Em 28 de junho, a banda Jota Quest inaugurou um projeto de espetáculos drive-in no Allianz Parque, em São Paulo. Com ingressos entre R$ 450 e R$ 550 por veículo, o evento recebeu 285 carros.

    Os shows drive-in são desaprovados por muitos fãs e artistas, que consideram a iniciativa elitista e insensível. Foi o caso da cantora Pabllo Vittar, que disse ao jornal O Estado de S. Paulo: “Como vou subir num palco pra drive-in? Primeiramente, para isso a pessoa tem que ter carro. Quem tem carro no Brasil? Não tem como subir num palco sabendo que tem um monte de gente que não está nem podendo trabalhar. Não é a energia que quero pra mim”.

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