Como a fonte Comic Sans pode ajudar usuários disléxicos

Agora disponível nos stories do Instagram, tipo faz muitas pessoas torcerem o nariz. Mas oferece maior acessibilidade

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    O Instagram liberou no início de agosto de 2020 novas fontes para textos incluídos nos stories. Uma delas é a Comic Sans, em geral odiada por designers e pelo público. Para muitos, a fonte criada em 1994 pelo designer da Microsoft Vincent Connare carece de seriedade, tem um aspecto informal ou até infantil que a torna inadequada na maioria dos contextos.

    Apesar disso, as particularidades da Comic Sans têm feito alguns usuários enxergá-la de outra forma. Seu uso pode facilitar a leitura por pessoas que têm dislexia, um transtorno de aprendizagem que afeta as habilidades de leitura e escrita.

    Não se sabe se a característica inclusiva da fonte foi levada em conta pelo Instagram ao disponibilizá-la para os stories. Ainda assim, a Comic Sans é uma das fontes que favorecem a compreensão do texto pelos disléxicos por apresentar um maior espaçamento entre as letras e um contorno mais grosso e irregular.

    Sua forma contribui para evitar a confusão entre letras e assim apreender o texto corretamente. Numa fonte em que as letras ficam mais juntas, sequências como “rnsão mais facilmente tomadas por um “m”, por exemplo. Fontes de traço fino, cujas letras são menos discerníveis, também dificultam a leitura dos disléxicos.

    Além da Comic Sans, fontes como Arial e Verdana também ajudam os disléxicos, segundo a Associação Britânica de Dislexia. E existem fontes de uso livre criadas especialmente para esse propósito, como Lexia Readable e Open Dyslexic.

    Pelo menos 10% da população mundial, o que equivale a cerca de 700 milhões de pessoas, sofrem de dislexia, segundo a organização Dyslexia Internacional, sediada nos EUA. Algumas pesquisas apontam para um número ainda maior, que estaria em torno de 17% da população global.

    O site Dsxyliea, criado em 2016 pelo programador Victor Widell, simula o esforço e a concentração necessários para ler quando se é disléxico, já que as letras parecem se embaralhar.

    A ressalva

    Embora o uso de determinadas fontes possa melhorar a acessibilidade dos textos, há outros fatores a serem considerados.

    Ao Tilt, portal de tecnologia do UOL, o psicólogo e pesquisador da Associação Brasileira de Dislexia Gustavo Simi explicou que o benefício do uso da fonte depende das características de cada caso e do grau do transtorno que a pessoa tem. “Se for um adulto com dislexia grave e que passou a vida inteira sem ter tratamento, a Comic Sans não vai ajudar”, afirmou.

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