3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 28 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em sua terceira fase e conta com a colaboração 28 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, as eleições municipais de 2020 e a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Devido ao cenário crítico do país em relação ao controle da doença, a checagem de fatos sobre a pandemia adquiriu um nível de importância ainda maior, uma vez que a desinformação afeta diretamente a saúde das pessoas. Nesse sentido, tem havido uma prevalência de checagens sobre o assunto.

O Nexo selecionou, abaixo, três verificações da semana sobre a pandemia.

Imagem antiga de Doria é tirada de contexto para questionar medidas contra a covid-19

Uma foto do governador de São Paulo, João Doria, sem máscara e tomando vacina, viralizou no Twitter e no Facebook após o início da fase 3 de testes da CoronaVac, uma vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan. A imagem que viralizou acompanha um texto que questiona o fato de Doria e o profissional de saúde que aplica a vacina não usarem máscara. As postagens também dizem que a cobertura midiática seria diferente caso o político vacinado sem máscara fosse o presidente Jair Bolsonaro.

A foto, na verdade, foi retirada de uma reportagem em vídeo da Rede Globo que mostra Doria tomando a vacina anual contra a gripe. A matéria foi veiculada em março, antes da publicação no Diário Oficial do decreto que tornou obrigatório o uso de máscaras no estado de São Paulo, em 4 de maio.

As imagens fora de contexto sugerem que o governador teria recebido uma dose da vacina experimental da CoronaVac – o que não aconteceu. A assessoria do governo de São Paulo informou ao Comprova que Doria não tomou a vacina, apenas acompanhou a aplicação das doses nos primeiros voluntários.

A verificação foi realizada por Nexo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Commercio e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Médica usa informações falsas sobre a covid-19 em vídeo compartilhado por Donald Trump e Madonna

Um vídeo em que uma médica camaronesa radicada nos Estados Unidos dissemina informações falsas sobre a “cura” para a covid-19 teve ampla viralização nas redes sociais e chegou a ser compartilhado pela cantora Madonna e pelo presidente americano Donald Trump.

Uma versão editada e legendada em português foi compartilhada no Twitter por Paula Marisa, uma apoiadora do presidente Jair Bolsonaro que tem mais de 147 mil seguidores na rede social.

No vídeo, a médica afirma que, para curar a covid-19, seria necessário o uso de um coquetel de hidroxicloroquina, azitromicina e zinco. Ela também diz que curou mais de 350 pessoas com a doença e que o uso de máscaras é desnecessário. Tanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) quanto autoridades sanitárias dos Estados Unidos e do Brasil já declararam que ainda não há cura para a covid-19 e que as máscaras são uma das poucas medidas eficazes para evitar a propagação do vírus. Nenhuma das substâncias mencionadas por ela tem eficácia comprovada no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus.

O vídeo foi gravado em frente ao prédio da Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington, capital do país, durante um evento do grupo de médicos America's Frontline Doctors, organizado por um grupo de direita ligado ao Partido Republicano chamado Tea Party Patriots.

As redes sociais Twitter, Facebook, Instagram e YouTube chegaram a derrubar algumas publicações do vídeo, alegando que ele dissemina desinformação sobre a pandemia.

A verificação foi realizada por SBT e UOL e foi validada por outros veículos, incluindo o Nexo. Veja a verificação na íntegra.

Eduardo Bolsonaro tuita vídeo antigo de Bruno Covas para passar informações enganosas sobre a cloroquina

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) fez uma postagem no Twitter com informações enganosas a respeito de uma coletiva de imprensa do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). No vídeo, Covas anuncia a inclusão da cloroquina no protocolo de tratamento de pacientes com covid-19 em hospitais municipais. Porém, no tuíte, de 30 de julho, Eduardo dá a entender que a adoção do protocolo aconteceu na data da postagem e afirma: “antes tarde do que nunca”. O vídeo da entrevista coletiva de Covas, na verdade, é de 9 de abril.

“Ainda não é possível ser uma política pública, pois não temos ainda pesquisas concluídas, mas havendo prescrição do médico e a concordância do paciente, a Secretaria Municipal de Saúde passou a integrar esse medicamento [cloroquina] no protocolo de tratamento da covid-19”, afirmou o prefeito na ocasião.

No dia 17 de junho, uma recomendação técnica foi publicada detalhando o uso da medicação. O documento sugere uma “análise criteriosa do quadro clínico, o monitoramento do paciente, da resposta em relação à terapêutica selecionada e as reações adversas”. O protocolo da prefeitura autoriza, mas não recomenda, o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina.

No post, Eduardo Bolsonaro cobra a mesma atitude do governador de São Paulo, João Doria, dizendo o seguinte: “Resta saber se Doria também cairá na real de que vidas estão acima de política, que para uma doença nova não existe remédio testado e que toda tentativa de cura é válida. Ou seguirá arrotando ciência, ciência?”. Porém, desde o dia 5 de maio, a Secretaria Estadual de Saúde já libera o uso da cloroquina para casos graves de covid-19, de acordo com avaliação médica. Não há evidências científicas que comprovem a eficácia desses medicamentos no tratamento da covid-19.

A verificação foi realizada por SBT e Band News FM e foi validada por outros veículos, incluindo o Nexo. Veja a verificação na íntegra.

Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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