O favoritismo de ‘Watchmen’ no Emmy. E a premiação na pandemia

Principal prêmio da TV americana acontece em setembro, em cerimônia com poucos detalhes revelados

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    A Academia de Artes e Ciências Televisivas dos EUA anunciou na quarta-feira (28) os indicados ao Emmy 2020, principal premiação da TV americana.

    O anúncio dos vencedores vai acontecer no dia 20 de setembro, sob o comando do comediante e apresentador Jimmy Kimmel, que já foi o anfitrião do prêmio em outras duas ocasiões.

    Ainda não há detalhes sobre como será a cerimônia, que manteve sua data original. Por causa da pandemia, prêmios têm realizado versões a distância ou adiado as entregas.

    Os prêmios de categorias técnicas do Emmy, como edição e fotografia, costumam ser entregues separadamente. Em 2020, os vencedores serão anunciados em “várias noites de setembro”, em datas que ainda não foram reveladas pela Academia de Artes e Ciências Televisivas.

    ‘Watchmen’ na liderança

    “Watchmen”, minissérie da HBO ambientada no universo da HQ de 1986 assinada por Alan Moore e Dave Gibbons, é a produção que mais recebeu indicações no Emmy 2020: 26 ao todo.

    A produção conseguiu indicações em categorias como:

    • Melhor Minissérie
    • Melhor Atriz em Minissérie (para Regina King)
    • Melhor Ator em Minissérie (para Jeremy Irons)
    • Melhor Direção em Minissérie (para três episódios diferentes)
    • Melhor Elenco em Minissérie
    • Melhor Fotografia em Minissérie (para dois episódios diferentes)

    A HQ de Alan Moore é ambientada nos EUA de uma década de 1980 alternativa. Nessa realidade, Richard Nixon não renunciou ao cargo de presidente americano, e os EUA venceram a Guerra do Vietnã ao usarem o Dr. Manhattan, um super-herói com habilidades semelhantes às de um deus.

    No mundo idealizado por Moore, heróis mascarados vigiam as ruas, e o trabalho deles acaba proibido após um decreto motivado por uma onda de manifestações populares. Apenas um deles, que atende pela alcunha de Rorschach, continua na ativa, operando de forma ilegal em Nova York.

    A série da HBO é uma continuação da HQ nos dias de hoje, retratando qual seria o estado do mundo atualmente após os acontecimentos dos quadrinhos.

    “Os quadrinhos são nosso Velho Testamento”, afirmou Damon Lindelof, criador da série, em uma publicação no Instagram. “E o Velho Testamento existia no contexto dos anos 80 de Nixon e Thatcher. Nós vamos fazer o Novo Testamento, que precisa ressoar com o mundo de Trump, de Putin e de [Theresa] May.”

    O eixo central da série da HBO gira em torno do surgimento da fictícia “Sétima Kavalaria”, um grupo de homens brancos que se inspira nos violentos métodos de Rorschach e começa a atacar policiais na cidade de Tulsa, no estado do Oklahoma.

    A ascensão da Sétima Kavalaria em “Watchmen” está diretamente relacionada à política das “Redfordations”. No universo da série, o ator Robert Redford (“Golpe de mestre”) é presidente há quase três décadas e instituiu uma política em que vítimas de violência racial e seus descendentes estão isentos de todos os impostos, de forma vitalícia, como forma de reparação pelos danos cometidos.

    O primeiro episódio da série retrata um massacre real, que aconteceu em 1921 na cidade americana de Tulsa, em que supremacistas brancos destruíram um bairro negro proeminente, conhecido na época como “Black Wall Street”.

    Em “Watchmen”, a tecnologia não é um elemento presente no cotidiano, ao ponto da internet não existir nesse universo. Porém, segundo Sophie Gilbert, crítica de TV da revista The Atlantic, a pior parte da cultura digital é materializada no mundo da série.

    “‘Watchmen’ é ambientada em um mundo sem internet. Mas ‘Watchmen’ é a internet. É a manifestação ficcional da pior parte da vida online: a polarização, anonimidade, ataques coordenados, nostalgia e teorias da conspiração, além da imposição de uma cultura ortodoxa e de um senso de vitimização que se transforma em ressentimento racista”, afirmou Gilbert em sua análise dos primeiros episódios.

    Outros destaques dos indicados

    Em número de indicações, a segunda favorita é a comédia “The Marvelous Mrs. Maisel”, da Amazon, com 20 indicações, incluindo Melhor Comédia e Melhor Atriz em Série Cômica, para Rachel Brosnahan, que vive a protagonista.

    A série, criada por Amy Sherman-Palladino (“Gilmore Girls”), é ambientada no final dos anos 1950, e acompanha Miriam Maisel, uma dona de casa nova-iorquina que sonha em ser comediante stand-up.

    Na terceira posição está “Ozark”, drama da Netflix que gira em torno de uma família suburbana que se vê envolvido em um grande esquema criminoso de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

    “Ozark” teve 18 indicações, incluindo Melhor Drama e Melhor Atriz em Série Dramática, para Laura Linney, que vive a coprotagonista da trama.

    Jennifer Aniston, que estava afastada da TV desde o final de “Friends”, conquistou a indicação de Melhor Atriz em Série Dramática pelo papel de protagonista da série “The Morning Show”, da Apple, que mostra os bastidores de um telejornal matutino de Nova York.

    Conhecido por interpretar o chefe sem noção na comédia “The Office”, Steve Carell conquistou indicação na categoria de Melhor Ator em Série Dramática, por sua participação em “The Morning Show” como um ex-apresentador do programa matutino que se vê em meio a um escândalo de assédio sexual. É a primeira vez que Carell concorre a um Emmy por um papel dramático.

    Brad Pitt foi indicado a seu primeiro Emmy como ator. Ele é um dos nomes da categoria Ator Convidado em Série Cômica, por uma pequena participação no programa “Saturday Night Live” em abril de 2020, quando, em um esquete, interpretou Anthony Fauci, imunologista que é um dos líderes do combate ao novo coronavírus nos EUA.

    A premiação do Emmy em 2020

    A Academia de Artes e Ciências Televisivas dos EUA não deu muitos detalhes de como a cerimônia 2020 do Emmy vai acontecer em meio à pandemia de covid-19.

    O anúncio dos vencedores está marcado para o dia 20 de setembro, com o comediante Jimmy Kimmel servindo de anfitrião da cerimônia diretamente do Teatro Microsoft, em Los Angeles.

    Não se sabe se os indicados estarão presentes no teatro ou se todos os discursos de recebimento serão feitos por meio de plataformas digitais.

    Mais informações serão anunciadas nas semanas que antecedem a premiação.

    O ‘novo normal’ das premiações

    O Emmy é a última grande premiação do entretenimento americano a ocorrer em 2020.

    Como não há previsão para o fim da pandemia do novo coronavírus, outros prêmios já começaram a se preparar para 2021 e o cenário que tem sido chamado de “novo normal”.

    O Oscar, que tradicionalmente acontece em fevereiro, foi adiado para 25 de abril, acompanhado de algumas mudanças excepcionais nas regras de elegibilidade para os filmes que entram na competição.

    Até o Oscar 2020, os filmes que tentavam indicações precisavam ser exibidos em cinemas de Los Angeles até dezembro do ano anterior. Para 2021, o prazo de exibição foi estendido até fevereiro e longas exibidos exclusivamente em plataformas digitais podem tentar vagas – desde que houvesse um plano prévio de lançamento deles em salas de cinema.

    O Globo de Ouro, que normalmente acontece em janeiro, foi adiado para 28 de fevereiro, data original do Oscar. O Bafta, muitas vezes chamado de “o Oscar britânico”, que tradicionalmente ocorre em fevereiro, foi adiado para 11 de abril.

    Houve também premiações que optaram por fazer o anúncio dos vencedores virtualmente, caso do Eisner Awards, principal prêmio dos quadrinhos americanos, que revelou os vencedores no YouTube em 26 de julho.

    O mesmo ocorreu com o BET Awards, que premia artistas e atletas negros dos EUA, cuja cerimônia ocorreu virtualmente em junho.

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