Rodrigo Rodrigues: da cultura pop ao jornalismo esportivo

Apresentador morreu aos 45 anos, por uma trombose venosa cerebral após ter contraído covid-19. Carreira de mais de duas décadas foi marcada por passagens pela TV Cultura, ESPN Brasil e pelo SporTV

    Morreu na terça-feira (28) o apresentador de TV Rodrigo Rodrigues, aos 45 anos. Ele teve complicações ligadas à covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

    A morte do apresentador gerou uma onda de comoção e de mensagens de carinho nas redes sociais. Jornalistas (em especial do ramo esportivo), ex-jogadores de futebol e clubes lamentaram a morte de Rodrigues em seus perfis nas redes. Na televisão, o programa “Seleção SporTV” – do canal SporTV, onde Rodrigues trabalhava – dedicou uma edição especial ao apresentador, com homenagens de colegas de diferentes emissoras.

    No dia 13 de julho, Rodrigues foi diagnosticado com covid-19. Ficou isolado em casa, apresentando apenas sintomas leves, como perda de olfato. No sábado (24), o quadro piorou e o apresentador foi ao hospital, apresentando dor de cabeça, desorientação e vômitos. O diagnóstico feito pelos médicos foi de trombose venosa cerebral. No domingo (25), ele passou por cirurgia para aliviar a pressão craniana, que havia aumentado nos dias anteriores. Permaneceu em coma induzido até sua morte na terça-feira.

    A trombose venosa cerebral é um problema circulatório que atinge o cérebro. Ela ocorre quando se forma um coágulo na região – uma concentração sólida formada no sangue. Diversos pacientes com covid-19 têm registrado formações de coágulos sanguíneos em diferentes partes do corpo. Um estudo publicado na revista médica Lancet em julho mostrou coágulos em praticamente todos os órgãos. O surgimento desse coágulos está relacionado a uma resposta inflamatória exagerada do organismo à doença.

    Coágulos podem ter como consequências doenças como embolias pulmonares, derrames ou AVCs (acidente vascular cerebral), ataques cardíacos ou tromboses. A trombose (não relacionada ao coronavírus) ocorre normalmente em pessoas com mais de 60 anos ou em mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais.

    Carreira na televisão

    Rodrigo Rodrigues era mais conhecido por sua carreira na televisão. Começou a trajetória na Rede Vida, em 1995. Entre 2001 e 2003, trabalhou no programa “Vitrine”, comandado pelo jornalista Marcelo Tas na TV Cultura. Nos anos seguintes, passou por SBT e TV Bandeirantes, retornando à TV Cultura em 2006 para apresentar o programa “Cultura Meio-Dia” ao lado da jornalista Maria Júlia Coutinho.

    No início de 2011, Rodrigues mudou para o jornalismo esportivo. Torcedor fanático do Flamengo, foi contratado pela ESPN Brasil, onde começou apresentando o programa “Bate-Bola”, voltado para a cobertura do futebol brasileiro. Em julho de 2015, tornou-se o primeiro apresentador do “Resenha ESPN”, um programa de conversas de jogadores e ex-jogadores de futebol. Ao lado do ex-atleta Juan Pablo Sorin, Rodrigues se destacou pelo bom humor e pela condução leve das entrevistas.

    Em agosto de 2016, deixou a ESPN. Após passar por TV Gazeta, Esporte Interativo e Rádio Globo, foi contratado pelo grupo Globo no início de 2019. Destacou-se no programa “Troca de Passes”, do SporTV, chegando a apresentar algumas edições de sábado do “Globo Esporte”, tradicional programa da TV Globo.

    Paixão pela música e banda

    Na televisão, Rodrigues deixava aparecer a paixão pela música. Além das roupas com referências a bandas de rock, chegou a tocar violão em alguns dos programas esportivos que apresentou.

    Em 2008, o apresentador fundou a banda The Soundtrackers, com repertório baseado em trilhas sonoras de filmes. A banda lançou ao todo três discos e fez aparições em programas como “Altas Horas” e “Domingão do Faustão”, ambos da TV Globo.

    Na TV Gazeta, Rodrigues apresentou o programa “5 Discos”, um talk-show com convidados da área da música. O programa passou poucos meses no ar, antes de ser encerrado pela emissora em 2016.

    Os livros publicados

    A paixão pela música também inspirou a carreira do jornalista como escritor. Em 2009, lançou junto à editora Ediouro o livro “As aventuras da Blitz”, uma biografia do grupo liderado por Evandro Mesquita.

    Seu segundo livro também foi pautado pela música – desta vez, na mesma linha de sua banda. No “Almanaque da música pop no cinema”, publicado em 2012 pela editora Lua de Papel, Rodrigues se dedicou às histórias, origens e curiosidades por trás das trilhas sonoras mais conhecidas do cinema.

    Além dos livros ligados à música, Rodrigues também publicou guias de turismo. Os livros “London London” (2014) e “Paris Paris” (2016), ambos publicados pela editora Faro Editorial, mostram como conhecer as duas capitais europeias usando apenas o transporte público.

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