Como a pandemia de covid-19 afeta a meteorologia

Lacuna na coleta de dados devido à redução de voos comerciais impacta a precisão de previsões

Com as restrições na circulação de pessoas e o fechamento de fronteiras, um dos setores impactados drasticamente logo no início da pandemia de covid-19 foi a aviação comercial.

Além dos efeitos econômicos para as companhias, a redução do tráfego aéreo tem como consequência a piora na confiabilidade de previsões meteorológicas.

Isso acontece porque parte importante das medições de fatores como temperatura do ar e intensidade dos ventos em diferentes altitudes e localidades são realizadas por aviões comerciais.

Desde março, quando a pandemia foi decretada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a coleta de dados sobre esses parâmetros caiu radicalmente e os efeitos da falta de informações já são sentidos por meteorologistas.

A extensão do impacto

Um estudo publicado em 15 de julho pelo periódico científico Geophysical Research Letters afirma que, de março a maio, a pandemia fez com que uma porcentagem de 50% a 75% das observações de condições meteorológicas baseadas em aeronaves deixasse de ocorrer.

A pesquisa verificou previsões do tempo globais para um período de um a oito dias e confrontou-as com as melhores estimativas em relação ao estado atmosférico para quantificar o impacto da pandemia na precisão das previsões.

As áreas mais afetadas

O estudo detectou uma piora acentuada na análise meteorológica em regiões onde o fluxo de aviões costuma ser alto, como América do Norte, sudeste da China e Austrália.

Em comparação com o período de 2017 a 2019, previsões relativas a regiões remotas (como Groenlândia, Sibéria, Antártica e o deserto do Saara) também apresentaram uma piora substancial em sua precisão.

Na Europa ocidental, o estudo aponta que o impacto da pandemia sobre as análises meteorológicas foi atenuado pelo fato de a região possuir uma densidade alta de estações meteorológicas, dependendo menos da coleta de dados pelos aviões.

O nível de precisão decai mais ainda para previsões mais de longo prazo.

Os impactos de previsões menos precisas

Além de sua utilidade para a vida cotidiana, as previsões são essenciais para atividades econômicas como a agricultura e a indústria. No setor de energia, por exemplo, os dados climáticos são essenciais para prever a demanda por itens como o gás natural.

A queda na qualidade das previsões também pode prejudicar a antecipação de eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais comuns em anos recentes devido às mudanças climáticas, potencialmente aumentando o dano causado por eles.

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