3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 28 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em sua terceira fase e conta com a colaboração 28 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, as eleições municipais de 2020 e a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Na semana em que o Brasil superou a triste marca de 80 mil óbitos causados pela covid-19, o Nexo selecionou três verificações feitas pelo Comprova sobre a pandemia. Confira:

Estudo realizado nos Estados Unidos não prova a eficácia da hidroxicloroquina

Um texto publicado no site Pleno.News, e amplamente divulgado nas redes sociais, engana ao afirmar que um estudo científico publicado nos Estados Unidos prova a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com a covid-19. A publicação omite as inconsistências do método empregado e a conclusão dos pesquisadores, que ressalta a necessidade de confirmação dos resultados obtidos por testes com maior rigor científico.

O estudo foi conduzido pela organização sem fins lucrativos Henry Ford Health Association, e publicado no início de julho no International Journal of Infectious Diseases. Especialistas entrevistados pelo Comprova destacaram que a metodologia do estudo é inadequada para provar a eficácia de um medicamento. De acordo com o diretor do Instituto Questão de Ciência, Carlos Orsi, esse método apenas sugere associações possíveis — no caso, entre o uso da hidroxicloroquina e uma menor mortalidade dos pacientes com o novo coronavírus —, que depois precisam ser validadas por estudos mais completos.

A publicação do estudo não mudou a orientação das autoridades de saúde americanas sobre o uso do medicamento no tratamento da covid-19. A FDA (Food and Drug Administration), órgão responsável pela regulação de medicamentos nos Estados Unidos, atualizou as diretrizes sobre o uso da hidroxicloroquina e divulgou um documento com um resumo dos riscos encontrados durante o tratamento dos pacientes hospitalizados com o novo coronavírus. São mencionados arritmias sérias, problemas hematológicos e linfáticos, lesões renais e falhas no fígado.

No Brasil, a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) divulgou, no dia 17 de julho, uma nota recomendando que a hidroxicloroquina não seja utilizada no tratamento de pacientes com a covid-19. A entidade afirmou que sua recomendação partiu das conclusões de dois artigos publicados em revistas científicas prestigiadas, e que foram realizados com a metodologia adequada para testar a eficácia de um medicamento.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o texto somava mais de 100 mil interações no Facebook, tendo sido inclusive compartilhado pelo deputado federal Marco Feliciano (Republicanos) .

A verificação foi realizada por Nexo, O Estado de S. Paulo e Rádio BandNews FM, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Site utiliza dados desatualizados para afirmar que a pandemia está desacelerando no Brasil

Um texto afirmando que a pandemia está desacelerando no Brasil foi amplamente compartilhado nas redes sociais nas últimas semanas. De autoria do site Notícias Brasil Online, o texto utiliza dados desatualizados que não permitem chegar a essa conclusão.

Utilizando dados do Portal da Transparência do Registro Civil, a publicação afirma que a desaceleração está ocorrendo porque, de 23 de junho a 8 de julho — data em que o texto foi publicado no site — o número de óbitos diários registrados foi menor do que o número registrado no mesmo período de 2019. No entanto, não é levado em conta que esses dados demoram pelo menos 14 dias para serem atualizados.

O vice-presidente da Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), Luis Carlos Vendramin Junior, explicou que esses dados são dinâmicos porque existe um intervalo de tempo entre o óbito, o registro no cartório e o envio das informações ao portal. “Nós sempre orientamos a considerar uma data de corte de 10 a 15 dias [para trás]. E ainda varia um pouco se for dia útil; se houver um feriado, é possível que atrase [o registro no site]”, afirmou Vendramin Junior.

Os verificadores consultaram os dados do Portal da Transparência do Registro Civil no dia 23 de julho. Para o mesmo intervalo de tempo utilizado na publicação do Notícias Brasil Online, o portal indicou um acréscimo de quase 34 mil óbitos em comparação com o número apresentado pelo site.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o texto somava mais de 4,1 mil interações no Facebook.

A verificação foi realizada por Uol e Folha de S.Paulo, e validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Máscaras são aliadas no combate no controle da pandemia, ao contrário do que afirma vídeo

Um vídeo que viralizou no Instagram afirma que o uso de máscaras não contribui para a diminuição da transmissão do novo coronavírus. O autor do vídeo afirma que as partículas do vírus são muito menores do que os poros das máscaras e que, portanto, elas não são capazes de impedi-lo de chegar até o nariz e a boca.

O vídeo não leva em consideração que o processo de filtragem das máscaras não depende unicamente do tamanho dos poros — existem vários processos físicos envolvidos. O pesquisador Carlos Zárate-Bladés, do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina, explicou que a filtragem depende de fatores como o tamanho, a velocidade e as cargas elétricas das partículas do vírus, e do tipo de tecido utilizado para a confecção das máscaras.

Além disso, o vídeo desconsidera que os especialistas e autoridades médicas recomendam o uso de máscaras não apenas por sua capacidade de filtragem do ar, mas também para diminuir a quantidade de partículas virais que uma pessoa infectada expele ao falar, tossir ou espirrar.

Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova, o vídeo somava mais de 31 mil visualizações no Instagram.

A verificação foi realizada por Nexo, Piauí, O Estado de S. Paulo e Jornal do Commercio, e validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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