Do Quênia à Cisjordânia, os curtas de mulheres na pandemia

Filmes de diretoras de diferentes países revelam experiências marcadas pelo gênero durante o isolamento pela covid-19

    Temas

    Dois projetos voltados a incentivar a produção audiovisual de mulheres deram origem a curtas que retratam, do ponto de vista delas, os efeitos da pandemia de covid-19 em diferentes países.

    O primeiro, lançado pela Fundação Ladima – uma organização que promove a atuação de mulheres na indústria de TV e cinema do continente africano – convidou mulheres africanas a compartilharem, por meio de filmes breves, suas histórias diante dos efeitos pessoais, econômicos e sociais da covid-19 na África.

    Dos quase 200 envios, dez foram selecionados pela fundação e estão disponíveis online desde 10 de julho. Os curtas foram agrupados com o título de “Mulheres africanas no tempo da covid-19” e podem ser vistos na plataforma Vimeo com legenda em português graças à colaboração da Mostra de cinemas africanos, realizada em São Paulo desde 2019.

    As histórias de mulheres do Quênia, da Nigéria, da África do Sul, de Gana e do Egito mostram como, em muitos casos, a pandemia impacta as mulheres com mais força e de maneiras distintas em relação aos homens.

    Outro projeto, vindo da organização Shashat Women Cinema, propôs a jovens cineastas palestinas que documentassem sua rotina de isolamento durante a pandemia. A organização, situada em território palestino, busca capacitar e dar apoio à produção audiovisual de mulheres, preocupando-se também com a representação delas nas telas.

    Os documentários foram gravados com os celulares das sete cineastas, das quais duas vivem em Gaza e três na Cisjordânia. Uma estuda nos EUA e outra está na Turquia.

    Disponibilizados em meados de junho no YouTube, os sete curtas também foram reunidos em um vídeo único, com aproximadamente 19 minutos de duração, para facilitar o acesso dos espectadores. Há legendas em inglês.

    Apesar das diferenças culturais, geográficas e de idioma, os filmes retratam o que parecem ser experiências muito comuns da quarentena, ao menos para mulheres: a sobrecarga do cuidado com os filhos em casa, o abuso doméstico, o medo de sair, a tensão de estar na rua, o adiamento de planos importantes, como casamentos, a ansiedade com o futuro, e as perdas.

    Outras iniciativas

    A produção de filmes curtos que documentam ou ficcionalizam o momento da pandemia tem engajado cineastas independentes e mais conhecidos de todo o mundo.

    Para dar vazão essa produção, foi criado o Corona Short Film Festival, um festival online dirigido pelo ator alemão Dejan Bucin. No fim de maio, foram selecionados 35 curtas, que podem ser assistidos gratuitamente no site do festival.

    Do Brasil, há o filme “Women Locked Inside” (Mulheres trancadas em casa, em tradução livre), de Bárbara Tavares, registra as atividades diárias de duas brasileiras confinadas com seus filhos pequenos no Brasil e em Portugal durante a pandemia. O curta pode ser visto aqui.

    Até a Netflix já lançou sua seleção de curtas feitos durante a pandemia. Disponível na plataforma, a coletânea Feito em casatraz filmes de diretoras como Naomi Kawase, Rachel Morrison, Nadine Labaki e Kristen Stewart.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.