‘A peste da insônia’: o curta que liga García Márquez à pandemia

Atrizes e atores latino-americanos leem trechos de ‘Cem anos de solidão’, livro em que uma pequena aldeia atravessa uma estranha epidemia

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    A Fundação Gabo, fundada pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), lançou em junho em seu canal no YouTube o curta-metragem “La peste del insomnio” (A peste da insônia).

    O filme “busca evocar a esperança em meio à crise sanitária e econômica desencadeada pela covid-19” por meio da leitura de fragmentos de “Cem anos de solidão”, obra de García Márquez em que personagens são acometidos por uma epidemia de insônia e esquecimento.

    A América Latina é uma das regiões mais afetadas pela pandemia de covid-19 no mundo.

    A direção do curta-metragem é do venezuelano Leonardo Aranguibel e os trechos da obra são lidos por atrizes e atores latino-americanos, como a brasileira Alice Braga e o argentino Ricardo Darín.

    A montagem intercala cenas dos atores lendo em suas casas e imagens de cidades da América Latina, desertas durante a quarentena. Até 17 de julho, o filme teve mais de 340 mil visualizações. Ele está disponível com legendas em português e inglês.

    A epidemia em Macondo

    Em “Cem anos de solidão”, livro publicado pelo ganhador do Nobel de literatura García Márquez em 1967, os habitantes da aldeia fictícia de Macondo são atingidos por uma doença que impede que durmam ou sintam qualquer sinal de cansaço. Com o tempo, ela leva a uma manifestação mais grave: o esquecimento de todas as coisas, das memórias de infância aos objetos e pessoas que os cercam.

    Para não disseminar a peste da insônia às cidades vizinhas, os moradores de Macondo ficam em quarentena. Quem vem de fora precisa indicar com um sino ser capaz de dormir, e não deve comer ou beber nada para não se contaminar. A despeito dos sintomas terríveis e do avanço de toda a população rumo ao esquecimento, a história traz também perspectivas de resistência e cura.

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